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quarta-feira, 8 de junho de 2011

LAMPIÃO: A ORIGEM DO APELIDO


Uma das perguntas que mais fazem, é como surgiu o apelido Lampião. Existem muitas versões, mas creio que a pura e verdadeira origem se perdeu nas brumas do tempo. A tradição oral no sertão é a versão que mais se aproxima da realidade. Como confere o poeta em seus versos: 

Virgolino era valente
Tinha boa pontaria
Se orientava no tempo
Todo sinal conhecia
Na luta contra o inimigo
Na caatinga era um perigo
Pois com ele ninguém ia.

Todos se admiraram
Com a sua empolgação
À noite quando atirava
Já se notava o clarão
Foi de tanto clarear
Que passaram a lhe chamar
Como grande Lampião.

Já estando no cangaço
O famoso Virgolino
Seu mano Antonio Ferreira
Seguiu no mesmo destino
Para engrossa a fileira
Seguiu a mesma carreira
Ezequiel e Livino.
(Gilvan Santos)

Com o assassinato do seu pai, Virgolino e seus irmãos Antonio e Livino entram no bando de Sinhô Pereira, braço armado da  família, inimigo dos Carvalhos. Como seu principal desafeto, Zé Saturnino, era da mesma linhagem, então, estarem juntos, era uma mão na luva, juntar a fome com a vontade de comer.

Certa ocasião planejavam um ataque a fazenda Quixaba, em Queixada, atual município de Mirandiba.
Na elaboração do plano, Sinhô Pereira distribuía as funções e por onde cada um deveria seguir. 

“- Esses três seguem na direção que for  Mão de Grelha. Baliza  e Dé Araújo seguem Virgolino”, dizia mais ou menos isto. 

“- Como saberemos seguir Virgolino, se a peleja será na escuridão da noite?” Perguntou o jovem cangaceiro Dé, que viera da fazenda Ema e era irmão  de Olímpio Cavalcanti Araújo, amigo de infância e colega de estudo de Virgolino. 

Antes do chefe responder, Virgolino profetizou seu futuro nome, que substituiria para sempre o que recebera no primeiro sacramento. 

“- Siga o lampião. Vou abrir fogo com tanta velocidade que o cano de minha arma vai iluminar feito um lampião!” 

E  foi censurado tenazmente: 

“- Olha, que atire rápido, tudo bem. Mas deverá atirar somente o suficiente pra matar ou afugentar. É bom saber que munição de cangaceiro é adquirida a duras penas”. 

Esta repreensão de Sinhô Pereira  estimulou os companheiros a ficarem lhe apelidando de Lampião. 

A desenvoltura em atirar deveu-se a uma engrenagem feita artesanalmente no seu rifle, Com uma peia de couro amarrada na alavanca e a outra no dispositivo de detonar, de forma que o movimento de ejetar a cápsula trazia ao mesmo tempo o novo cartucho pra câmara, logo disparando o tiro. Ficava com a mesma velocidade de uma pistola automática.

O nome de Lampião
Foi crescendo em todo canto
E a sua cabroeira
Sempre aumentando de tanto
Que aonde eles passavam
Todos se admiravam
E provocava espanto.
(Gilvan Santos)

Algum tempo depois Dé Araújo ou Manoel Cavalcanti de Araújo, como era seu nome original,  deixou o cangaço e foi pra São Paulo, ingressando na Polícia Militar, vindo a falecer como oficial. 

Se o ataque deu certo, não sabemos. Mas que a alcunha ficou pra sempre, isto sim.

Era muito estrategista
Virgolino Lampião
Num tinha medo de nada
Nas veredas do sertão
Nunca esquentou a moringa
E no meio da caatinga
Rugia feito um leão.
(Gilvan Santos)

Era coberto de razão o Capitão João Bezerra quando dizia: 

“- É sempre melhor apagar uma lamparina do que apagar um lampião!” 

(Texto extraído do livro LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA, de Anildomá Willans de Souza)