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domingo, 5 de agosto de 2012

O MASSACRE DE ANGICO: SUCESSO ABSOLUTO!

O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO – Um sucesso de público e encanto. 
A última semana do mês de julho de 25 a 29 – marcou um novo momento para a cultura e o turismo em Serra Talhada e região. Foi a estréia do maior espetáculo teatral ao ar livre do sertão nordestino. A antiga vila Ferroviária foi, literalmente, o palco desta façanha que, revistada de uma luz intensa,  com uma trilha sonora impecável, um elenco sincronizado e convincente, em cima de um texto dosado de histórias e do imaginário popular, misturando o real e o folclórico, da autoria de Anildomá Willans de Souza, sob a direção da maior expressão da dramaturgia nacional em espetáculos teatral ao ar livre do mundo, José Pimentel, sob a batuta da produtora Cleonice Maria – presidenta da Fundação Cultural Cabras de Lampião -  aconteceu, chegando pra ficar, O MASSACRE  DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO.  
Desde o primeiro dia, na estréia, antes da hora de inicio, às 20 horas, todas as dependências da Vila Ferroviária já estava lotado, com um público estimado em cinco mil pessoas. E assim segui toda temporada, levando em conta a média, pode-se dizer eu aproximadamente vinte e cinco mil pessoas assistiram a temporada de estréia. Eram pessoas de toda região, incluindo de outros estados, como do Rio Grande do Norte, Paraiba, Alagoas, Bahia, Ceará, Piaui e de lugares mais distantes, como São Paulo e Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins. Pode-se dizer, portanto, que é um evento que já nasceu grande.

 
O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO reconstitui os últimos momentos dos cangaceiros chefiados por  Lampião, arranchados no leito de um riacho seco, na fazenda em Angico, Sertão de Sergipe, onde foram massacrados juntamente mais dez companheiros, entre eles, sua mulher, Maria Bonita,  no dia 28 de julho de 1938. Mas na construção do enredo são mostradas cenas do passado marcantes na história do Rei do Cangaço, como suas desavenças com o primeiro inimigo José Saturnino, seu encontro com Padre Cícero para receber a patente de capitão do Exercito Patriótico, uma das cenas será no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, séde presidencial da época,  onde o presidente Getúlio Vargas determina o fim do cangaço, várias outras cenas ligadas ao imaginário popular, com a cabroeira dançando xaxado, a traição de Pedro de Cândida, até culminar com a morte do casal mais famoso do cangaço, fazendo o expectador mergulhar na história, com uma arrojada trilha sonora, efeitos de luz e efeito especiais.

O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO veio reafirmar o estado de Pernambuco como o palco dos maiores espetáculos teatrais do Brasil. E, nesse caso, um grande autor, um consagrado diretor, para contar essa história de TRAIÇÃO, AMOR E ÓDIO, que tem como palco, os confins do sertão, na primeira metade do século passado.
ELENCO:
Lampião..............................Karl Marx
Maria Bonita........................Roberta Aureliano
Dona Bela...........................Gorete Lima
Giboião...............................Gilberto Gomes
Padre Cícero.......................Taveira Júnior
Getúlio Vargas....................Feliciano Félix
Zé Saturnino.......................Taveira Júnior
Assistente I..........................Beto Filho
Assistente II......................... Marcos Fabrício
Assistente III........................Humberto Cellus
Pedro de Cândido...............Carlos Silva
Soldado...............................Taveira Júnior
Luiz Pedro...........................Diógenes de Lima
Zé Sereno............................Carlos Amorim
Sila....................................... Karine Gaia
Enedina................................Danúbia Feitosa
Dulce....................................Leandra Nunes


Uns trinta figurantes deram suporte na composição das cenas, somando-se aos atores e técnicos, aproximadamente oitenta pessoas estavam envolvidos no projeto.




 
IX ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO – Ao término do espetáculo teatral, num palco armado na área lateral do MUSEU DO CANGAÇO, foi realizado o Encontro Nordestino de Xaxado, onde a platéia presenciou os melhores grupos de xaxado exibirem com maestria a dança criada pelos cangaceiros de Lampião. Os grupos da Paraíba, Rio Grande do Norte, da Bahia, de Pernambuco promoveram uma verdadeira festa ao som do chiado da chinela, fazendo o público vibrar e aplaudir cada passo, cada movimento, cada coreografia.





TRIBUTO A VIRGOLINO - A CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO – Para manter a tradição e atender um público fiel a cultura cangaceira, todos os dias, às nove da manhã, aconteceu a programação do Tributo, com banda de pífanos, bacamarteiros, cantadores de viola, poetas e declamadores, culminando com a Celebração do Cangaço, ministrada pelo padre Custódio Sá.

CENTENÁRIO DE LUIZ GONZAGA


LUIZ GONZAGA - Em 13 de dezembro de 1912, nasceu o Rei do Baião, no pequeno vilarejo com o emblemático nome de Exu, no sertão pernambucano, e recebeu o nome de Luiz Gonzaga Nascimento. Luiz porque era dia de Santa Luzia, Gonzaga por sugestão do vigário que o batizou, e Nascimento por ser o mês em que Maria deu à luz Jesus. Ele era filho de Ana Batista de Jesus, uma cabocla bonita conhecida como Santana, e de Januário José dos Santos, o único tocador de sanfona da região, um fole de oito baixos.
Segundo dos nove filhos do casal, aos 8 anos já empunhava sua sanfona e recebia cachê para cantar e tocar a noite inteira em festas da região. Em 1920, era famoso por lá. Quatro anos depois, por causa de uma enchente, a família se mudou para Araripe. Lá, Gonzaga adquiriu um fole Kock de oito baixos, com a ajuda de um coronel, que pagou a metade do preço do instrumento. Luiz Gonzaga já ganhava mais que o pai, mas não tanto para comprar sozinho o fole, muito acima de suas posses.
Em 1926, ele foi para o Rio de Janeiro. Lá, se apaixonou por Nazarena, mas o pai da moça não gostou nem um pouquinho do namoro. Arrumou uma confusão e acabou vendendo sua sanfoninha de oito foles, indo em seguida para o Ceará. Aumentou sua idade para entrar no exército, e virou soldado Nascimento. Correu o país em missões militares durante a Revolução de 1930. Enquanto isso, seu pai, mestre Januário, conseguiu reaver a sanfona que Gonzaga tinha vendido. Gonzaga continuou no exército e, nas horas de folga, não deixava de ouvir músicas no rádio. Aí, decidiu fazer um concurso para músico, no exército mesmo – mas foi reprovado. Não conhecia a escala musical. Então, virou soldado-corneteiro e ganhou o apelido de Bico de Aço. Ainda no exército, em 1936, aprendeu a tocar sanfona de 120 baixos; comprou uma de 48 baixos e tocou em algumas festas. Ele pagou uma pequena fortuna para comprar uma sanfona branca, Honner, de 80 baixos, de um caixeiro-viajante. Só que o cara era um vigarista. Luiz Gonzaga, que a essa altura servia em um quartel em Ouro Preto (MG), foi então pra São Paulo atrás do vendedor pilantra. Não conseguiu achar o sujeito, mas não voltou de mãos vazias. Com o dinheiro que faltava pagar ao caixeiro-viajante, comprou uma sanfona igualzinha a que o fulaninho que o enganou ofereceu a ele.
Em 1939, Gonzaga deu baixa do exército. Voltou para o Rio com intenção de, de lá, ir para casa em Exu. Mas acabou ficando na Cidade Maravilhosa. Foi no Rio que apresentou pela primeira vez em um palco, o cabaré chamado O Tabu.
Ritmos estrangeiros invadiram o país como consequência da grande guerra e Luiz Gonzaga não se fez de rogado: tocava todo tipo de música, incluindo blues e fox trot. Voltando às raízes, em 1940 foi ao programa de rádio de Ary Barroso, Calouros em Desfile; tocou a música “Vira e Mexe”, de sua terra, e conseguiu nota máxima. Então, ele foi trabalhar com Zé do Norte no A Hora Sertaneja, programa da Rádio Transmissora. No ano seguinte, assinou contrato com gravadora RCA Victor e lançou 4 músicas em um disco de 78 rotações. Gravou mais dois e ganhou destaque na mídia. Gonzagão gravou 30 discos instrumentais - não podia cantar neles por imposição da gravadora. Seu sucesso, até então, era apenas como sanfoneiro.
Em 1943, viu o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo se apresentar com roupas de gaúcho. Decidiu, então, vestir-se com roupas típicas do nordeste. E mais: irritou-se com a interpretação que Manezinho Araújo deu a uma composição sua em parceria com Miguel Lima: “Dezessete e Setecentos”. Resolve cantá-la. E aí seu sucesso só fez crescer, crescer e crescer. Gonzagão foi para a Rádio Nacional, onde Paulo Gracindo acabou divulgando seu novo apelido, Lua, por ter cara redonda. Em 1945, gravou seu primeiro disco tocando e cantando. O hit é “Dança Mariquinha”. O sucesso aumentou. Gravou mais e, em 1947, lançou a música que é um ícone de sua obra e um dos grandes clássicos da MPB: “Asa Branca”, em parceria com Humberto Teixeira. Foi também nessa época que adotou o acessório que marcou sua imagem, um chapéu de couro igual ao que Lampião usava. No ano seguinte, casou-se com Helena das Neves. Mas Luiz Gonzaga já tinha um filho de 3 anos de uma relação anterior, Luiz Gonzaga do Nascimento Junior. Posteriormente, adotou uma menina com Helena, a Rosa Maria.
Em 1949, muito preocupado com a violenta guerra entre coroneis que acontecia em Exu, resolveu trazer a família para o Rio.
Começou a compor muito, principalmente em parceria com Humberto Teixeira e Zé Dantas. Suas músicas passaram a ser gravadas também por outros intérpretes e, em 1951, ele já era o Rei do Baião. A gravadora RCA Victor trabalhava praticamente só para ele. Em 1955, gravou seu primeiro disco de 45 rotações e, em seguida, o primeiro LP, de 10 polegadas e 33 rotações. Em 1958, no auge da Bossa Nova, gravou um LP de 12 polegadas: Xamego.
Em 1961, Luiz Gonzaga resolveu virar Maçom. Sofreu seu segundo acidente de carro e feriu o olho direito. Dois anos depois, sua sanfona Universal foi roubada e ele adotou, definitivamente, a sanfona branca. Mandou gravar “É do Povo” em todos os seus instrumentos.
Depois do golpe militar, em 1965, Geraldo Vandré gravou “Asa Branca” e Gilberto Gil começou a falar do Rei do Baião em suas entrevistas. Luiz Gonzaga gravou “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, hino contra a ditadura, e “Fica Mal com Deus”, ambas compostas por Vandré.
Aconteceu uma coisa engraçada em 1968. Carlos Imperial começou a espalhar que os Beatles gravaram “Asa Branca”! Mentira, claro. Luiz Gonzaga ocupou de novo muito espaço na imprensa por causa dessa brincadeira e virou destaque na revista Veja com a matéria “Gonzaga: a volta do Baião”. Em 1971, Caetano Veloso e Sérgio Mendes gravam “Asa Branca”. O nordestino de Exu virou sucesso entre os hippies.
No ano seguinte, aos 59 anos, Gonzaga se apresentou para um público jovem no Teatro Teresa Raquel, no Rio, uma iniciativa de Capinam. Deixou a RCA Victor e foi para a Odeon. O grego Demis Roussos também gravou “Asa Branca”, em versão em inglês, “White Wings”.
Em 1980, ele cantou para o Papa João Paulo II e recebeu um “obrigado, cantador”. Ele se emocionou muito. Em 1982, virou, enfim, Gonzagão. O filho, Gonzaguinha, o acompanhou numa turnê e já mostrava que só daria orgulho ao pai. Os dois haviam gravado juntos o LP Descanso em Casa, Moro no Mundo, grande sucesso. Em 1984, ganhou seu primeiro Disco de Ouro com o LP Danado de Bom. Três anos depois, veio o Disco de Platina com Forró de Cabo a Rabo. Em 1988, foi para a gravadora Copacabana. Lá gravou seus últimos LPs.
Naquele ano, separou-se de Helena e assumiu a relação com Edelzuíta Rabelo. Em 1989, Gonzagão se apresentou pela última vez, surgindo no palco em uma cadeira de rodas. Ele sofria de osteoporose e, desobedecendo ordens médicas, participou de um show, com Dominguinhos, Alceu Valença e Gonzaguinha, entre outros, no dia 6 de junho no teatro Guararapes, em Recife. No dia 21 de junho foi internado e morreu no dia 2 de agosto, aos 76 anos, no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Curiosamente, nesse mesmo dia, uma galinha pela qual Luiz Gonzaga tinha grande estima morreu também. A galinha estava em uma das fazendas que o Rei do Baião havia vendido com tudo dentro, fazendo, porém, uma recomendação especial para cuidarem muito bem da bichinha. Dizem que ela morreu de tristeza.

O centenário de Jorge Amado, o romântico do século XX


 
Autor popular e criador de um universo de 3 mil personagens, o escritor baiano teve atuação política, religiosa e literária no Brasil

Militante comunista, deputado constituinte na década de 1940, obá de Xangô, amigo de intelectuais brasileiros e internacionais, pai de três filhos, marido de Zélia Gattai, figura central da cena literária da Bahia e do Rio de Janeiro. Ao pensar nas múltiplas atuações e faces do baiano Jorge Amado, uma pergunta logo surge: como ele conseguia arranjar tempo para escrever? Autor de uma obra de vasta popularidade (continua sendo o que mais vendeu ficção na história do Brasil), o criador de Capitães da areia é celebrado neste ano por ocasião do seu centenário, comemorado na próxima sexta-feira, 10 de agosto.
O poeta chileno Pablo Neruda, seu amigo, o apontava como “o maior romântico do século 20”. Jorge Amado escreveu 36 obras em vida, entre romances, biografias de figuras históricas e até mesmo uma espécie de obra de memórias, Navegação de cabotagem (1992). Dizer que com suas histórias ele materializou "universos ficcionais" não é exagero: poucas vezes uma obra circulou tanto pelo Brasil e pelo mundo, seja por meio dos livros, seja por meio de adaptações televisivas e cinematográficas, que também marcaram no imaginário brasileiro atores como Sônia Braga e Beth Faria. Para ter uma dimensão de tudo isso, basta dizer que, além de vender milhões, foi o responsável pela invenção de mais de 3 mil personagens.
Nasce em Itabuna, na Bahia, na fazenda dos pais, João Amado de Faria e Eulália Leal Amado, a Dona Lalu. Cresceu em Ilhéus, cidade que posteriormente viraria o cenário da sua obra mais famosa, Gabriela, cravo e canela. Seu primeiro livro, O país do Carnaval, sai quando ele tinha 18 anos – antes, já havia escrito uma novela, Lenita, para um jornal, em parceria com Edison Carneiro e Dias da Costa. Dois anos depois, casa-se com a primeira esposa, Matilde, com quem ficou até 1944 – no ano seguinte, conhece a escritora Zélia Gattai, sua grande paixão, com quem ficaria até sua morte.
Ainda na década de 1930, começa o ciclo de romances regionalistas, que retratam tanto o interior da Bahia como os centros urbanos do seu estado. São dessa época também suas narrativas mais políticas, que buscam, ao mesmo tempo, revelar o Brasil e mostrar ao povo a necessidade de uma tomada de consciência.
O materialismo histórico marxista não o impediu de ser adepto do candomblé e até de ganhar o título de obá de Xangô, concedido aos protetores dos terreiros. “É aí que você percebe a dimensão humana dele, que não se deixou limitar pelos dogmas políticos. Tanto que depois, ainda identificado com o partido, não aceitou o autoritarismo de Stalin”, diz o professor e pesquisador da obra de Jorge Amado Eduardo de Assis Duarte, autor de Jorge Amado: romance em tempo de utopia.
A partir de Gabriela, cravo e canela, de 1958, seu maior sucesso midiático (ainda que não seja seu livro mais vendido, posto ocupado por Capitães da areia), passa a desenvolver narrativas mais voltadas para mostrar os costumes da sociedade brasileira, deixando de lado a ideia de um romance proletário.
HOMENAGENS
Naturalmente, o centenário de Jorge Amado não vai passar em branco no calendário cultural do Brasil. Estão previstas exposições e seminários sobre a vida e obra do escritor.
Um dos destaques é Jorge amado e universal, realizada pela Grapiúna e pela Fundação Casa de Jorge Amado, que ocupa a partir de 10 de agosto o Museu da Arte Moderna da Bahia. Dividida em “personagens”, “faceta política” e “malandragem e sensualidade”, a exposição traz objetos e obras raras de Jorge Amado, entre fotografias, folhetos de cordel e filmes.