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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

AUTO NATALINO - O BAILE DO MENINO DEUS NO MARCO ZERO

O ator serra-talhadense ARILSON LOPES brilha neste grande espetáculo


Ninguém imaginava que o baile se tornasse tão grandioso. “A primeira versão cênica era muito singela, minimalista, de faz de conta mesmo, com uso de teatro de bonecos, do teatro de sombras, de pura invenção”, diz o escritor Ronaldo Correia de Brito, sobre aquele Natal de 1981 que passou com a família no Crato, interior do Ceará. “Queríamos apenas divertir nossos filhos”.
    Mais de trinta anos depois, o Baile do Menino Deus é um dos principais autos natalinos do País, uma cantata em que o Papai Noel, a rena, o trenó e outros ícones importados dão lugar a personagens fantásticos das fábulas nordestinas para contar o nascimento do menino Jesus. O espetáculo fica em cartaz de hoje até a próxima quarta, noite de Natal, no Marco Zero do Recife.
    “Tudo foi feito de um modo tão despretensioso, que nunca imaginei que criaríamos uma obra que se tornaria maior do que nós”, diz Ronaldo. “Somos autores vivos de uma obra que já virou, praticamente, domínio público, tantas são as encenações Brasil afora”, brinca, sobre questões de direito autoral. O espetáculo já teve – e tem, todos os anos – tantas montagens que seu autor perdeu o controle de quantas.
    Naquele comecinho da década de 1980, Ronaldo criou o esqueleto da dramaturgia com um pedaço de texto escrito pelo amigo Assis Lima. Procurou, então, o músico Antônio Madureira, parceiro na opereta Lua Cambará, para compor as músicas. “Fomos escrevendo primeiro as canções e queríamos fugir de um Natal ao som de Jingle bells e muito mais próximo da música brasileira de origem ibérica, bem ao estilo da alma musical que Zoca já fazia no Quinteto Armorial”, lembra. 
    A peça ganhou corpo de grandiosa cantata natalina em 2004, quando teve sua estreia na praça do Marco Zero, com a produtora Carla Valença, da Relicário Produções. Desde então, há dez anos, vem atraindo famílias inteiras. São cerca de 60 mil pessoas a cada temporada anual. Incorporado ao calendário da cidade, o espetáculo tem patrocínio da Prefeitura do Recife, Governo de Pernambuco e Petrobras.
    “Há pelo menos três gerações o Baile do Menino Deus é amado”, diz um orgulhoso Ronaldo Correia de Brito, autor e diretor do espetáculo, escritor também reconhecido além do Recife onde se radicou (ele é cearense). Frequente em algumas premiações nacionais, Ronaldo ganhou, em 2009, o prêmio São Paulo de Literatura, um dos mais importantes do País, pelo romance Galileia. “No fundo, ainda me impressiona que seja tão atual e toque tanto as pessoas. Certamente por ser uma grande celebração, um ritual de nascimento, ao nosso modo, do Menino Deus. É por ele que fazemos”, complementa.
    A montagem deste ano carrega ainda mais, com bailarinos e canções, o aspecto de ópera popular de rua. No enredo, dois Mateus, arautos que, juntos a um grupo de crianças, tentam abrir uma porta para celebrar o nascimento do Menino Jesus diante da presença de Maria e José. A narrativa une figuras arquetípicas da literatura cristã a seres fantásticos extraídos ou inspirados em fábulas populares nordestinas como o Anjo Bom, o Jaraguá, a Burrinha Zabilin e a Ciganinha. Mateus são palhaços populares do Nordeste, os dois condutores da narrativa. “Neste ano, vamos valorizar mais a dramaturgia, a poesia do que é falado, com trechos novos”, adianta.
    No elenco, estão atores e cantores como Sóstenes Vidal, Arilson Lopes, Fabiana Pirro, Zé Barbosa, Isadora Melo, Damiano Massaccesi (circense, ator e músico italiano que estreia neste ano). Toda a trilha sonora é executada ao vivo por orquestra (15 instrumentistas), coro adulto (13 cantores) e infantil (12 crianças), sob regência e direção musical do maestro José Renato Accioly. Os cantores solistas estão à altura do repertório: Silvério Pessoa, Jadiel Gomes, Surama Ramos e Virgínia Cavalcanti.
(Fonte: JC On line).

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