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sábado, 28 de dezembro de 2013

UTENSÍLIOS INDÍGENAS ENCONTRADOS NA TERRA DE LAMPIÃO


SERRA TALHADA - No inicio do mês de dezembro, trabalhadores cavavam um cacimba a procura de água, no leito do Riacho de São Domingos, no Sítio Passagem das Pedras, onde nasceu Lampião, quando estavam numa profundidade de mais  de dois metros, encontraram duas pedras que chamou a atenção de todos, com uma delas em tamanho de 60 centímetros com uma cavidade em formato de concha, e a outra é uma espécie de mão de pilão, concluindo-se logo serem utensílios domésticos pertencentes aos índios que habitavam a região do Pajeú em meados do Século XVI. As peças são curiosas, não são objetos comuns na atualidade, deixando claro ser dos antigos moradores que povoaram a região sertaneja.



As pedras estão no MUSEU DO CANGAÇO, em Serra Talhada, disponíveis ao público e a quem possa interessar para aprofundamento de estudos, que possam elucidar elos e fragmentos do nosso passado.







VAMOS ENTENDER UM POUCO MAIS SOBRE A HISTÓRIA DO SERTÃO.

HISTÓRIA DO SERTÃO DO PAJEÚ E DO CANGAÇO

1.              A REGIÃO E SEU RIO 

O Pajeú está localizado no Sertão de Pernambuco, em área de 10.828 km2, que representa 8,78% do território estadual e com população de aproximadamente 300.000 pessoas.
O nome da região vem do nome do seu rio, que era chamado pelos índios de “Payaú”, ou “rio do pajé”.
O rio Pajeú nasce na serra do Balanço, em Brejinho , a uma altitude de 800m já nos limites com a Paraíba, e deságua no lago de Itaparica, formado pela barragem do São Francisco, depois de percorrer uma extensão de aproximadamente 353 km.
Os municípios totalmente inseridos na bacia do rio Pajeú são: Afogados da Ingazeira, Betânia, Brejinho, Calumbi, Flores, Ingazeira, Itapetim, Quixaba, Santa Cruz da Baixa Verde, Santa Terezinha, São José do Egito, Serra Talhada, Solidão, Tabira, Triunfo e Tuparetama. 

2.              O INÍCIO DA OCUPAÇÃO
A ocupação da área que atualmente compreende o Sertão do Pajeú , pelo colonizador português, teve inicio a partir de meados do século XVI.
A 1ª interiorização destas terras se deu a partir de Salvador. Assim, percebe-se um fator característico dos habitantes do Sertão do baixo e médio Pajeú : povoado por baianos e não por pernambucanos.
A povoação do alto Pajeú (cabeça do Pajeú ) se deu pela Paraíba, num período mais tardio.

3.              INDIOS,  PRIMEIROS HABITANTES 

É preciso recordar que antes da chegada do colonizador europeu, povoavam nesta região várias populações.
Dos nativos destacam-se os tapuias-cariris, que habitavam largas porções do agreste e do sertão.
Toda a região era chamada pelos portugueses de sertão ou “terras de dentro”.
Outras tribos vieram para o sertão fugindo do litoral, sobretudo os Cariris, ameaçados pelos colonizadores que escravizava-os ou simplesmente matava-os.
No sertão estavam principalmente os nativos que falavam uma língua, segundo os Tupis, muito diferente da deles e por isso denominaram-lhe de Tapuia, nome ofensivo que significa língua travada, bárbaro. O termo passou a ser usado pelos portugueses.
Das tribos tapuias que temos notícias, através de documentos, relatórios e crônicas da época colonial incluem-se os tamaqueus, koripós, kariri, paru, brankararu, pipipã, tuxá, trucá, umã e atikum.
Os tapuias pouco conheciam da agricultura, viviam como semi-nômades e tinham formas próprias de guerrear com tacape e lança.
Tinham o milho e o feijão como cultivos principais.
Usavam pouca cerâmica e não teciam; dormiam em estrados de madeira (jiraus).
Havia aldeia na margem do rio que podia ter até mil moradores.
O índio (ou nativo) sofreu perseguição desde o início da colonização e teve no século XVIII seu extermínio quase total, através das bandeiras montadas para sua captura.
Os índios do sertão sofreram guerras ou por defenderem as suas terras ou por pretenderem desfrutar os gados das fazendas que se espalhavam por seu território.
Os índios que não foram mortos ou escravizados refugiaram-se em aldeias dirigidas por missionários, chamadas de MISSÕES. Outros procuraram amparo com homens poderosos abraçando suas lutas e servindo-lhes, tornando-se vaqueiros ou jagunços.
O indígena trabalhava forçado nas Missões, ou como escravo nas fazendas de gado e plantações. Também nas casas como domésticos ou no trabalho de transporte.
O índio também foi cruelmente utilizado para guerrear contra outros nativos.
No final do século XVIII as chamadas “Guerras dos Bárbaros” praticamente exterminaram na bala e no facão as nações indígenas que resistiam contra os invasores brancos. Do baixo sertão até a cabeça do Pajeú, nos limites com a Paraíba, os índios foram caçados e massacrados.
Com base em pesquisas nos livros de batismo e casamento das paróquias do sertão pernambucano, no final do século XVIII e no século XIX, os índios nativos (registrados em geral como “da silva”) que sobreviveram já aparecem miscigenados com negros e brancos e constituem a massa da população brasileira dos sertões, conhecida como os pardos ou caboclos.  

4. OS HABITANTES DO PAJEÚ
A gente atraída para o sertão era em sua maior parte perversa, ‘ ociosa’ com aversão ao trabalho da agricultura’ , oriundos do litoral, entre eles muitos criminosos e fugitivos, que foram empregados nas fazendas de gado e nas guerras contra os índios do sertão.
Demonstravam natural inclinação para funções de combate e da lida com o gado, adaptando-se bem à vida rude do sertão. Documentos da época citavam que “constituía toda a sua maior felicidade merecer algum dia o nome de vaqueiro”.
As fazendas multiplicavam-se com facilidade porque os vaqueiros não ganhavam em dinheiro, mas em gado, em crias. De cada quatro animais nascidos, um era do vaqueiro.
Com o fim da guerra contra os holandeses, nos meados do século XVII, promoveu-se a distribuição das terras no Sertão “por grandes datas de sesmarias”, dadas aos seus ‘descobridores’ e/ou combatentes dos holandeses, que situaram fazendas de criação de gados, ou no cultivo das terras, fundando pequenos núcleos de população.
Margear os rios Capibaribe, Ipojuca, Pajeú , Moxotó, e São Francisco, eram as alternativas mais viáveis para se chegar aos sertões.
Nas margens desses rios se estabeleceram povoados, que posteriormente tornaram-se vilas e mais tarde, cidades.
Em meados do século XVIII, andavam pela  região da “cabeça do Pajeú”, os tropeiros ou Almocreves, profissionais que se especializaram no transporte de mercadorias pelas longas veredas do sertão. 

5. A PRIMEIRA LOCALIDADE DO PAJEÚ
Flores foi o primeiro núcleo populacional do sertão do Pajeú em 11/09/1783.
Porém, desde o fim do século XVII, já se encontravam indícios de ocupação branca na localidade.
Devido a uma lei de 1758, a distribuição de terras no sertão do Pajeú foi fragmentada em pequenas propriedades, devendo haver uma faixa de uma légua entre estas terras, a fim de usá-las para utilidade pública. 

Isto foi o início do latifúndio e da exploração no sertão do Pajeú, gerando o surgimento do cangaço, tendo Lampião como seu maior expoente.


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