Vídeos

Loading...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

BRUNO MARANHÃO - MORRE O REVOLUCIONÁRIO.




 ANILDOMÁ – Fui – e ainda sou - militante em movimentos sociais e no PT com Bruno Maranhão. Inclusive, uma curiosidade, que faço questão de dizer: Bruno foi a primeira pessoa a me incentivar a escrever um livro sobre LAMPIÃO. Nós estávamos operando numa ação da ocupação da Usina Massauassu, na Zona da Mata de Pernambuco, e em vários momentos eu ficava cercado por trabalhadores contando histórias do cangaço e Lampião, respondendo perguntas e matando as curiosidades da companheirada. Uma certa noite, Bruno estava numa dessas plateias de minhas narrativas e ao ouvir vários relatos, disse –“Companheiro, contribua com a história da luta dos trabalhadores explorados do sertão, registre essa memória, publique um livro sobre o Rei do Cangaço”. Isso mexeu no meu juízo e comecei a organizar minhas anotações...e numa sugestão do outro companheiro revolucionário Jesualdo Campos, publiquei O COMANDANTE DAS CAATINGAS.

FUNDOU O PT - Um dos fundadores do PT, o engenheiro mecânico Bruno Maranhão, morreu neste sábado, no Recife, aos 74 anos. Seu corpo foi cremado na manhã deste domingo, no Cemitério Morada da Paz, no município metropolitano de Paulista.
Ele estava hospitalizado havia duas semanas e morreu por falência múltipla dos órgãos. Passou os últimos dias sedado e respirava com ajuda de aparelhos. Militante histórico da esquerda política, Maranhão pertencia a uma tradicional família de usineiros da zona da mata pernambucana, mas desde jovem passou a defender a causa popular e teve sua vida misturada à ação pela reforma agrária.
Militante do Partido Comunista Revolucionário Brasileiro (PCBR) no final da década de 60, lutou contra a ditadura militar, foi exilado — morou na França — e no seu retorno, em 1979, se dedicou à fundação do PT e do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), uma dissidência do MST (Movimento dos Sem-Terra).
O espírito de luta, a coragem, a coerência e a determinação de Bruno Maranhão foram destacadas por políticos e militantes de diferentes partidos, no velório.
— Fui visitar Bruno na sua casa, há pouco mais de um mês, e ele, já muito debilitado, mal falava — contou o deputado federal e ex-presidente do PT-PE Pedro Eugenio, que, antes de deixar a residência, recebeu dele a recomendação: "segure firme".
— Isto era Bruno, este era o seu espírito de luta.
O dirigente do MST, Jaime Amorim, destacou a dedicação de Maranhão a uma causa oposta a da sua família, dona de terras e de plantações de cana de açúcar.
— Ele abdicou das vantagens da sua classe para dedicar sua vida à causa da reforma agrária, o que foi muito nobre — afirmou.
Juntos, participaram da invasão da Usina Salgado, uma das mais produtivas de Pernambuco, em 2007, exigindo desapropriação por desrespeito ao meio ambiente.
Em junho de 2006, Maranhão foi um dos protagonistas da invasão de movimentos sem-terra à Câmara dos Deputados, que resultou na sua prisão e de 40 integrantes do MLST. A principal reivindicação era a votação imediata da PEC do Trabalho Escravo.
— Ele formulava e executava — observou o vice-presidente do PT-PE, Bruno Ribeiro, advogado da reforma agrária por mais de 20 anos — Tínhamos uma boa relação e admirava nele a junção de militante partidário e de defensor da causa social, o que é raro na política hoje.
Sua última atuação pública ocorreu em 2011, quando participou da Marcha da Reforma Agrária do Século 21, realizada pelo MLST, que percorreu 250 quilômetros entre Goiânia e Brasília. A marcha, iniciada em 21 de agosto, foi encerrada no dia 5 de setembro e reivindicava a implementação de empresas agrícolas comunitárias como alternativa ao modelo de reassentamento de reforma agrária no país.
CREMAÇÃO - O corpo do militante político pernambucano Bruno Maranhão, 74 anos,  foi cremado na manhã deste domingo (26), às 11h, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife. Nas horas que antecederam o ritual, o velório lotou a capela central do local.
Muitas coroas de flores foram enviadas – do governo do estado, do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Bruno esteve entre os fundadores dos dois partidos. Também foi um dos dos líderes do Movimento de Libertação dos Sem-terra (MLST).

Para o presidente do PT em Pernambuco, deputado federal Pedro Eugênio, a história de Bruno Maranhão se confunde com a do partido. "Ele trouxe para o partido seus sonhos e permanceu sempre sonhando e lutando. Nos deixa, aos 74 anos, como se fosse um jovem, com espírito de luta. Há poucos dias estive com ele e ele, muito debilitado, disse: 'segura firme'. Essa é a mensagem que ele deixa para todos nós de todos os partidos, de toda a sociedade", disse.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que Bruno Maranhão sempre foi uma pessoa dedicada a uma causa, que renunciou a tudo por ela. "Em um tempo em que os valores pessoais são tão frágeis, Bruno é um exemplo de alguém que sempre foi muito coerente", afirmou. Humberto disse que participou, junto com ele, do processo de fundação do partido no Brasil e em Pernambuco. "Ele era um amigo, muito firme na defesa das suas ideias, mas cinco minutos depois muito afável. Por essa razão tinha tantos e tantos amigos, inclusive em campos políticos diferentes", elogia.

O deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE) atesta o que disse Humberto. "Bruno Maranhão sempre lutou pelo que sonhou, uma pessoa autêntica. Fomos militantes de campos políticos distintos, mas sempre nos respeitamos bastante. Tenho profunda admiração pela sua capacidade de luta e pela sua forma de sempre agir com lealdade aos seus princípios e ao que ele sempre acreditou", citou.

HISTÓRICO
Bruno Maranhão morreu no fim da tarde deste sábado (25), no Hospital Memorial São José. Ele estava internado na unidade de saúde devido a problemas hepáticos, que evoluíram para complicações nos rins e pulmões, e terminou gerando a falência múltipla dos órgãos, que foi a causa de sua morte.
A notícia do internamento de Bruno Albuquerque Maranhão veio a público esta semana, uma vez que a família não autorizou a divulgação da informação anteriormente. Com quadro irreversível, ele passou os últimos dias sedado e respirando com ajuda de aparelhos. Em 2011, Maranhão foi internado no mesmo hospital com trombose cerebral, época em que passou por duas cirurgias.

Bruno Maranhão era integrante de uma tradicional família de usineiros de açúcar no interior de Pernambuco e morava em um apartamento em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O militante teve em seu histórico político as candidaturas a prefeito do Recife e a governador de Pernambuco. Foi o primeiro presidente do PT do estado.
O político ainda dirigiu o PCBR, que teve 12 integrantes mortos e quatro desaparecidos durante a ditadura militar. O antigo PCBR é hoje a corrente interna do PT conhecida como Brasil Socialista.


LULA Em sua página no Facebook, o ex-presidente Lula postou um texto em homenagem a Bruno Maranhão, que faleceu neste domingo. Leia abaixo:
Bruno Maranhão foi um grande companheiro, amigo e um grande militante da esquerda brasileira. Pernambucano, engenheiro mecânico, líder do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST). Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Recife, Pernambuco e o Brasil perdem um grande guerreiro da luta pela liberdade e igualdade. Neste momento de dor e perda, queremos estender nossa solidariedade a todos os seus familiares, amigos e companheiros de luta.


Luiz Inácio Lula da Silva e Dona Marisa Letícia.

Nenhum comentário: