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sábado, 8 de março de 2014

LADO FEMININO DO CANGAÇO

MARIA BONITA ADOLESCENTE
Hoje, Dia Internacional da Mulher, chegamos com a série HISTÓRIAS DO CANGAÇO – RUMO AO MASSACRE DE ANGICO, trazendo um dos aspectos mais curiosos da história de LAMPIÃO, o que chamamos de LADO FEMININO DO CANGAÇO. Vamos conferir.

Correndo pra cima e pra baixo, chegando nas vilas, povoados e cidades, irradiando sua justiça, chega Lampião num final de tarde a Santa Brígida, na Bahia e vai direto à casa do sapateiro José de Neném (José Miguel da Silva) procurar umas encomendas que dias antes havia solicitado a um coiteiro. 
Precisava de alpargatas novas, consertar algumas e receber uns couros para os bornais e bandoleiras. No meio da conversa percebeu Lampião que a mulher do sapateiro não tirava os olhos de cima dele e ficava o tempo todo soltando laços de fita. A principio não deu atenção, mas depois soube que dona Maria de Neném - seu verdadeiro nome era Maria Gomes de Oliveira, nascida no dia 8 de março de 1911, na fazenda Malhada Caiçara, era filha de José Felipe e dona Maria de Oliveira Déa - tinha os seguintes irmãos : José, Ozeas, Izaías, Arlindo, Ananias, Benedita, Antonia, Dorzina, Chiquinha, Nana, Dondon e Deusinha -  vivia em constantes desentendimentos com o marido. Foi a brecha que o Comandante das Caatingas precisava para seu coração e sua alma se entrelaçarem nas garras do “feitiço atrativo do amor…” poucos dias depois ele saiu daquele vilarejo poeirento com a agora Maria Bonita montada na garupa do seu cavalo, seguido por dezenas de cangaceiros. Era 1930.
            Algum tempo antes o padrinho e assistente espiritual de Lampião havia lhe orientado para nunca deixar mulher participar do bando, muito menos viver maritalmente com nenhuma delas, porque, segundo as Escrituras Sagradas, a mulher é a verdadeira perdição do homem. A feminilidade de Maria Bonita foi mais forte do que os conselhos de Patriarca do Juazeiro, Padre Cícero Rumão Batista.
            Vale esclarecer que Maria Bonita, ou Santinha, como era tratada por Lampião, foi a primeira mulher a participar do cangaço. Nessa mesma ocasião sua cunhada, Mariquinha, acompanhou o cangaceiro Labareda, que na verdade se chamava Ângelo Roque. Daí em diante mais ou menos quarenta mulheres estavam nas trincheiras do cangaço, trazidas pelos companheiros.
            Não é possível compreender a mulher cangaceira, sem que não se tenha uma ideia clara do que era exatamente a sociedade naquele tempo. Se observarmos com os olhos atuais, com os conceitos atuais, não vamos entender nada. A educação da mulher sertaneja se resumia em ser bem apurada com as prendas domésticas: saber cozinhar, costurar e obediência geral ao homem.
. O preconceito contra a mulher no universo do sertão era superior ao de qualquer outra parte. Mas mesmo assim, tivemos aquelas que emprestaram sua coragem e sua força  para dar mais beleza à história, como por exemplo Sila, que aos treze anos deixou toda a família pra trás e foi viver com seu grande amor, o cangaceiro Zé Sereno, nas brenhas, sem lugar para chegar.
Segundo Dadá, que faleceu em 1994, esposa de Corisco, disse que :
            “Não havia amor como aquele do cangaço. A vida era doce, apesar da policia e da perseguição”.
           
LUIZ PEDRO LADEADO
POR NENÉM E MARIA BONITA
Os casais de cangaceiros mais conhecidos no tempo de Lampião, foram os seguintes:
Lampião e Maria Bonita
Corisco e Dadá
Zé Sereno e Sila
Português e Cristina
Luiz Pedro e Neném
Boa Vista e Laura (Doninha)
Serra Branca e Eleonora
Juriti e Maria Fernandes
Mariano e Adelaide
Labareda e Maria
Passarinho e Maria da Conceição
Rio Branco e Florência
Pedra Rosa e Quitéria
Cirilo de Ingrácia e Moça
Mariano e Otilia de Jesus
Gitirana e Maria Cardouso
Criança  Dulce
Mourão e Sabina da Conceição
Gato e Inacinha
Lavandera e Lili
Cajazeiras e Enedina
Zé Baiano e Lídia
Canário e Adélia
Gorgulho e Áurea
Juriti e Abília
Arvoredo e Dória
Beija Flor e Emilia
Elétrico e Eufrosina
Veado Branco e Idalina
Pinga Fogo e Iracema
Besouro e Zefinha
Relâmpago e Josefa Maria
Cocada e Marina
Labareda II (Ângelo Roque) e Mariquinha
Bala Seca e Verônica
Pancada e Maria de Jesus
Azulão e Maria
Azulão III e Maria Juvina
Moita Braba e Sebastiana Lima
Passarinho II e Liça
            Havia no bando dezenas de homens solteiros e quase não se registra  presença de mulheres solteiras junto aos cabras de Lampião.
            Relata Luiz Cristóvão dos Santos no “Brasil do Chapéu de Couro”:
“ Amor estranho e selvagem (o de Lampião e Maria Bonita), feito de sustos e sacrifício. Abraços que os estampidos interrompiam, conversas de enamorados que as emboscadas cortavam. Beijos rápidos trocados ao clarão da luta. Amores precipitados, os corpos machucados rolando na terra dura”.
            Foi nesse clima que no iniciozinho de 1931 Maria Bonita engravida. A barriga foi tomando forma e quando vem o parto, o menino nasce morto. E assim teve quatro gravidez. Somente a última segurou.
Nasceu, debaixo dum umbuzeiro, na fazenda Enxu, propriedade de Zequinha ª Tavares, estado de Sergipe, em meados de dezembro de 1932 a março de 1933, Expedita. A dona Rosinha, moradora dos arredores da fazenda Pedra d’Água, foi a parteira.

            Como criar?
            No cangaço não se cria os filhos. Tem que se procurar alguém da mais extrema confiança para entregar o rebento.
            Havia por ali um vaqueiro chamado Severo Mamede e sua esposa estivera grávida também, e teve uma menina com poucos dias de diferença da filha de Lampião Maria Bonita.Foi ele quem teve a incumbência de criar Expedita e espalhou a notícia que sua mulher havia parido gêmeas.
            A mãe de Maria Bonita, dona Déa, morreu em 1964, picada de cobra. E seu marido, em 1965.
            As mulheres tinham grande influência na vida e no comportamento dos cangaceiros, inclusive, é unânime o que dizem os historiadores, que Maria Bonita era a única pessoa que conseguia se aproximar do Rei do Cangaço quando ele estava irado, chegando até a conter sua ira. Havia grande respeito entre os cangaceiros e suas mulheres.
            O ingresso da mulher nos bandos de cangaceiros foi um fato cabal que demonstra o poder do sexo feminino em mudar radicalmente o curso da história. E que não é por trás do grande homem que existe uma grande mulher, ela está ao lado, ombro a ombro.


Um comentário:

Teresa Raquel ceara disse...

ALGUNS NOMES ESTÃO ERRADOS OU TROCADOS.