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segunda-feira, 31 de março de 2014

SEMINÁRIO REÚNE ARTISTAS E EDUCADORES DO MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR

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Geraldo Menucci foi diretor de música do MCP e participa do seminário na terça-feira (01/04)
=>Os artistas, intelectuais e educadores Abelardo da Hora, Geraldo Menucci, Germano Coelho, Joacir Castro, Letícia Rameh e Silke Weber se reúnem na próxima segunda e terça-feira (31 de março e 1º de abril) para relembrar a história do Movimento de Cultura Popular e da interrupção das suas atividades devido à ditadura militar, iniciada em 1964, quando tanques de guerra invadiram o Sítio Trindade, sede do movimento. O encontro para difusão de memórias será realizado no seminário “Movimento de Cultura Popular: um sonho interrompido, uma história recorrente – 50 anos depois do golpe militar de 1964”, no auditório do Museu do Estado. O evento faz parte do convênio firmado entre a Fundarpe e o Ministério da Cultura (MinC), e tem o apoio da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR).

O seminário já está com inscrições esgotadas, pois o auditório tem capacidade para 80 pessoas. Aqueles
que tiverem interesse podem entrar para uma lista de espera, enviando email para inscricoes.seminariomcp@gmail.com contendo dados pessoais (nome, profissão/curso/instituição e telefone). Caso ocorram desistências de pessoas inscritas, as vagas serão remanejadas para os que estiverem na lista de espera.

Na segunda-feira (31/03), a partir das 19h, a mesa de debate contará a presença do fundador e primeiro presidente do MCP, Germano Coelho, do artista Abelardo da Hora e da educadora Letícia Rameh. Dois dos convidados escreveram publicações sobre o movimento. Letícia é autora do livro “Movimento de Cultura Popular – impactos na sociedade pernambucana”, publicado em 2009, como resultado da tese de doutorado em educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em 2012, Germano Coelho lançou o livro "MCP - História do Movimento de Cultura Popular”.

Na terça-feira (1º/04), o maestro Geraldo Menucci, o diretor de teatro Joacir Castro e a educadora Silke Weber compõe a mesa. A professora Letícia Rameh também volta a participar na terça-feira como mediadora. Na ocasião, a educadora Silke Weber contará como integrou o Movimento de Cultura Popular e como esta experiência influenciou sua carreira. “Eu era estudante, fui convidada por Paulo Rosas. Eu fiquei com a atividade de selecionar os livros para crianças e para jovens e escrever textos sobre eles para incentivar a leitura. Depois fui coordenadora das Praças de Cultura, que tinham círculos de leitura, rádio com educação informal, recreação. Teve uma repercussão muito grande, tínhamos um jipe e saíamos pelos bairros, formamos muitos leitores”, relembra.

Quando houve o Golpe Militar em 1º de abril de 1964, Silke já não estava mais no Recife. “Eu tinha ido para Paris, em setembro de 1963, como bolsista da pós-graduação em Planejamento Educacional. Eu só tive a notícia do Golpe e da invasão no Sítio Trindade, ficou aquela imagem chocante dos tanques militares no Sítio”, conta.

O músico e maestro carioca Geraldo Menucci também guarda muitas lembranças do MCP e da ruptura do movimento pela ditadura militar, que acabou motivando sua fuga do Recife para o Rio de Janeiro, com a ajuda de Dom Hélder Câmara que o emprestou uma batina de padre para que se disfarçasse. “Cheguei ao Recife com 20 anos, por causa de parentes da minha primeira esposa. Iria passar apenas três meses e estou aqui até hoje. Fiquei encantado com a autenticidade política e cultural dos pernambucanos. Já tinha tendência esquerdista e me defini comunista”, relata Menucci, que fez parte do embrião do MCP, a Casa das Artes, junto com Abelardo da Hora. 


HISTÓRIA – O MCP foi criado no dia 13 de maio de 1960, como uma instituição sem fins lucrativos, mantida pela Prefeitura do Recife, entre 1960 e 1961, e, posteriormente, pelo Governo do Estado de Pernambuco, entre 1962 e 1964, nas gestões de Miguel Arraes. Sua sede funcionava no Sítio Trindade, antigo Arraial do Bom Jesus, localizado no bairro de Casa Amarela. O movimento era constituído por estudantes universitários, artistas, educadores e intelectuais e tinha como objetivo realizar uma ação comunitária de educação popular, a partir de uma pluralidade de perspectivas, com ênfase na cultura popular, além de formar uma consciência política e social nos trabalhadores, preparando-os para uma efetiva participação na vida política do País.

O MCP realizou atividades de alfabetização e educação popular, círculos de cultura, galeria de arte, grupo teatral, praças de cultura com bibliotecas, atividades de recreação, redes de escolas radiofônicas, centro de artes plásticas e artesanato, com cursos de cerâmica, tapeçaria, tecelagem, cestaria, gravura e escultura, entre outras ações.

Os projetos desenvolvidos tinham por objetivo elevar o nível cultural do povo e assim conscientizá-lo acerca das opressões que sofre. "Educar para a liberdade" é o lema que conduz suas atividades. O MCP teve influência do movimento intelectual francês Peuple et Culture, de Joffre Dumazidier, que Germano Coelho conheceu durante viagem à França. Quando retornou ao Recife, Coelho trouxe as informações para o governador Miguel Arraes, que decidiu tornar o movimento numa instituição. Antes de ser institucionalizado, o movimento teve origem em iniciativas como Sociedade de Arte Moderna do Recife (1948), Ateliê Coletivo (1952), Casa das Artes (1952), Teatro Popular do Recife (TPR). 

Participaram do MCP intelectuais e artistas como Argentina Rosas, Paulo Rosas, nita Paes Barreto, Aloísio Falcão, Norma Coelho, Sylvio Loreto, Josina Godoy, Paulo Freire, Francisco Brennand, Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, José Cláudio e Luiz Mendonça, entre outros. O movimento também contou com o apoio de instituições políticas de esquerda como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB).

CONVIDADOS

- Abelardo da Hora é artista e bacharel em Direito na Faculdade de Direito de Olinda. Teve formação no Curso Livre de Escultura na Escola de Belas Artes de Pernambuco. Foi fundador da Sociedade de Arte Moderna do Recife (1948) e do Ateliê Coletivo (1952). Na década de 1960, trabalhou na Prefeitura do Recife como diretor da Divisão de Parques e Jardins, Secretário de Educação e diretor da Divisão de Artes Plásticas e Artesanato. Foi um dos idealizadores e diretor do MCP, construiu e dirigiu a Galeria de Arte, às margens do Capibaribe, o Centro de Artes Plásticas e Artesanato, e as Praças de Cultura nos bairros de Iputinga, Torre, Várzea, Beberibe.

- Geraldo Menucci é violonista e maestro. Formado pela Escola Nacional de Música e em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC – RJ). Integrou a equipe da Casa das Artes (criada em 1952) junto com Abelardo da Hora, onde ensinava música. Criou o Coral Bach do Recife, que se apresentou no Rio de Janeiro, a convite de Heitor Vila-Lobos, e em Moscou, a convite do Ministério da Cultura da União Soviética. No MCP, foi diretor de música e realizou a Serenata do Capibaribe e o Festival de Música Folclórica, entre outras ações. Criou, em 1960, a música do Hino da Ligas Camponesas, com letra de Francisco Julião. 

- Germano Coelho é advogado e professor. Atualmente é superintendente Institucional do Centro de Integração Empresa Escola de Pernambuco (CIEE Pernambuco). Foi fundador e o primeiro presidente do MCP. Foi Prefeito de Olinda (1976 e 1992). Em 2012, lançou o livro "MCP - História do Movimento de Cultura Popular”.

- Joacir Castro é ator, dramaturgo e diretor de teatro. Integrou o Movimento de Cultura Popular, criando o Teatro Experimental de Cultura  no ano seguinte 1961. Posteriormente, o grupo passa a se chamar Teatro Popular de Cultura (TCP). Instalado na própria sede do MCP, no Sítio Trindade, o TCP cria dois espaços: o Teatro do Povo - uma arena e arquibancadas cobertas por uma lona, com capacidade para 500 pessoas - e a Concha Acústica Arraial do Bom Jesus, com capacidade para acomodar 3 mil pessoas.

- Letícia Rameh é pegadoga pela UFPE, professora da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO) e professora visitante da Pós-graduação da Fafire, mestre em Psicologia Social e da Personalidade pela PUC (RS) e doutora em educação pela UFPB. Em 2009, lançou o livro “Movimento de Cultura Popular – impactos na sociedade pernambucana” como resultado da tese de doutorado em educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

- Silke Weber é pedagoga pela UFPE, professora emérita da UFPE, professora permanente da Pós-Graduação em Sociologia da UFPE, mestre em Psicossociologia pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris), doutora em Sociologia pela Université René Descartes (Paris) e pós-doutora por programas das Universidades de Bremen, de Paris V e na London School of Economics and Political Sciences (LSE).  Iniciou no MCP, a convite de Paulo Rosas, como voluntária nas atividades de incentivo à leitura, direcionadas para crianças e jovens. Foi coordenadora das Praças de Cultura nos anos de 1962 e 1963. Foi secretária Estadual de Educação (1987 – 1990 / 1995 – 1998).

SERVIÇO
Seminário "Movimento Cultura Popular: um sonho interrompido, uma história recorrente – 50 anos depois do golpe militar de 1964" 
Inscrições gratuitas: Os interessados devem enviar email com nome, profissão/ curso, instituição e telefone para inscricoes.seminariomcp@gmail.com.
Dias 31 de março e 1º de abril, às 19h
Local: Auditório do Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960, Graças, Recife)
Informações: (81) 3184-3013 | www.fundarpe.pe.gov.br

PROGRAMAÇÃO
Dia 31 de março, a partir das 19h
Convidados: Abelardo da Hora, Germano Coelho e Letícia Rameh 
Dia 1º de abril, a partir das 19h
Convidados: Geraldo Menucci, Joacir Castro, Silke Weber e Letícia Rameh

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