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quinta-feira, 31 de julho de 2014

56ª FESTA DOS ESTUDANTES DE TRIUNFO CONTEMPLA APRESENTAÇÕES CULTURAIS E DIVERSAS OFICINAS FORMATIVAS

O Festival Pernambuco Nação Cultural segue até 3 de agosto em Triunfo, durante a 56ª Festa dos Estudantes. No evento, atrações como os cantores Nando Cordel e Luiz Caldas, a banda Gatinha Manhosa, entre outros, devem animar milhares de turistas que visitarão o Pátio de Eventos Maestro Madureira. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do estado, “poetas, músicos, artistas visuais e brincantes” também farão parte das festividades.
Ainda segundo a assessoria, diversos polos compõem o evento, são eles: Palco Festa dos Estudantes, Palco Nação Cultural, Polo Gastronômico e de Animação, Polo Cachaçaria, Igreja Matriz, Artesanato, Artes Cênicas, Projeto Pipa, Cultura Popular, Cultura Viva, Exposições, Literatura, Povos Tradicionais e Oficinas. Entre outras ações culturais, o Cine Theatro Guarany será palco de espetáculos de circo, dança e teatro.
Caretas
Os tradicionais Caretas de Triunfo não poderiam ficar de fora do Festival. Os mascarados participam de um cortejo pelas ruas do município, acompanhados por uma orquestra de frevo. Além dos personagens, também haverá a apresentação de bandas de pífano. A programação completa do Pernambuco Nação Cultural, em Triunfo, pode ser consultada neste link.

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA CURSO DE DESENHO ARTISTICO

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Encontra-se abertas inscrições para as novas turmas de desenho artístico, mini-curso ministrado pelo artista plástico Aluízio Fernã, nas salas da antiga estação ferroviária, no bairro São Cristovão, em Serra Talhada. O curso é oferecido em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Serra Talhada.

Segundo o secretário Anildomá Willians, esta é mais uma oportunidade da população aprender a arte do desenho ou da pintura, ou aperfeiçoar os dons. O curso faz parte do Movimento Cultura Viva que além de ações formativas em diversos bairros do município realiza a Caravana Cultura Viva levando arte e entretenimento as comunidades.
A turma recente finda suas aulas no dia 02 de agosto; as inscrições para a próxima turma podem ser feitas na sede da própria Secretaria de Cultura, localizada na antiga Estação Ferroviária (MUSEU DO CANGAÇO). As aulas da nova turma tem inicio no dia 9 de agosto.
Serão ministradas aulas sobre luz e sombra, composição e anatomia, além de técnicas com giz carvão, giz pastel, nanquim e tinta guache.
Mais informações na Secretaria de Cultura e Turismo ou pelo telefone (87) 3831-3860. O curso é gratuito.

MEMBROS DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PAJEÚ, SE ENCONTRAM EM IGUARACY


No ultimo sábado 26 de julho 2014 membros do Instituto Histórico e Geográfico do Pajeú (IHGPajeú) se encontraram em Iguaracy-PE.
O Instituto nasceu com a finalidade de estreitar os laços culturais de todas as cidades da região, bem como de resgatar sua história e aspectos geográficos, reunindo todos os trabalhos em um mesmo local para facilitar o acesso a estudantes e pesquisadores.
Já catalogamos todos os escritores e poetas das cidades integrantes do IHGPajeú, estamos agora tentando reunir todas as obras, aí então teremos um acervo invejável, onde poderemos mostrar toda produção literária pajeuzeira”, declarou Alberto e acrescentou que o Instituto já começa a fazer contatos com livrarias de toda região para que seja disponibilizado um espaço para os autores do Pajeú.
Poetas, escritores, artistas plásticos, pesquisadores, professores, políticos e religiosos começam a se integrar a ideia, que de acordo com seus idealizadores, deverá tomar sua forma definitiva até o final deste ano. Em Iguaracy o encontro foi no prédio da Secretaria de Educação às 9 horas e teve a produção e organização da Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo que conta com o apoio total do Governo Municipal de Iguaracy.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

JANEIRO 2015, PROJETO POR DENTRO DO PALCO E DANÇA INTERATIVA

Janeiro 2015 já inscreve atrações de todo o estado de Pernambuco
Já estão abertas, somente até o dia 5 de agosto de 2014, as inscrições para as produções pernambucanas de teatro adulto, teatro para a infância e dança em todo o estado de Pernambuco que desejam participar do 21º Janeiro de Grandes Espetáculos, que será promovido em janeiro de 2015 pela Apacepe. Regulamento e ficha de inscrição disponíveis no site: www.janeirodegrandesespetaculos.comInformações: (81) 3082 2830.

Quer conhecer os bastidores dos teatros e assistir ensaios de grandes atrações?
Também estão abertas as inscrições para o Projeto “Por Dentro do Palco”, que consiste de visitações aos teatros de Santa Isabel, Marco Camarotti e Luiz Mendonça durante a 11ª Mostra Brasileira de Dança, para grupos de até 15 pessoas por local que, além de conhecer a história desses teatros e como eles funcionam, poderão assistir ao ensaio de atrações da programação do evento, como desvendamento da atividade da dança por dentro dos bastidores das casas de espetáculos. Maiores de 14 anos podem se inscrever através do e-mail participe@mostrabrasileiradedanca.com.br. Informações: (81) 3421 8456.

E para artistas do Cabo, Jaboatão e Camaragibe....
Já estão abertas as inscrições gratuitas para o projeto "Dança Interativa", que o Acupe Grupo de Dança vai promover nas cidades de Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, realizando em cada uma um encontro/workshop sobre Dança e Interatividade, além dos espetáculos “Coreológicas Recife” e “Performance Jogo Coreográfico”.  São 20 vagas por cidade para cada encontro/workshop. Inscrições (com dados e contatos do interessado) pelo e-mail:acupegrupodedanca@gmail.com. O projeto conta com incentivo do Funcultura e será realizado de 8 a 30 de agosto. Mais informações: (81) 3222 0025.

Ingressos já à venda para 11ª Mostra Brasileira de Dança
Já estão sendo vendidos pelo site www.compreingressos.com/espetaculos?busca=recife os ingressos para a 11ª Mostra Brasileira de Dança, cujos espetáculos acontecerão de 1 a 10 de agosto por diversos teatros do Recife. A preços populares de R$ 10 a R$ 20, o evento abre com a Cia. de Dança Carlinhos de Jesus (RJ) e fecha com a Quasar Cia. de Dança (GO). Maiores informações:www.mostrabrasileiradedanca.com.br ou (81) 3421 8456.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

MORRE ARIANO SUASSUNA

ARIANO VILAR SUASSUNA (João Pessoa16 de junho de 1927 — Recife23 de julho de 2014) foi um dramaturgoromancistaensaísta e poeta brasileiro. Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.
Foi Secretário de Cultura de Pernambuco entre 1994 e 1998, e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.

BIOGRAFIA          
Ariano Vilar Suassuna nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa (PB), no dia 16 de junho de 1927, filho de Cássia Vilar e João Suassuna. No ano seguinte, seu pai deixa o governo da Paraíba e a família passa a morar no Sertão, na Fazenda Acauã, em AparecidaParaíba.
Com a Revolução de 1930, seu pai foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.
A partir de 1942 passou a viver no Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários no Ginásio Pernambucano, no Colégio Americano Batista e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte iniciou a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilo Borba Filho. E, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte.
Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá. Lá escreveu e montou a peça Torturas de um Coração em 1951. Em 1952, volta a residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral. São desta época O Castigo da Soberba (1953), O Rico Avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955), peça que o projetou em todo o país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.
Em 1956, abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça O Casamento Suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e O Santo e a Porca; em 1958, foi encenada a sua peça O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.
Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa da Boa Preguiça (1960) e A Caseira e a Catarina (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPE. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira. Aposenta-se como professor em 1994.
Membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, em Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado em Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998).
Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971) e História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana (1976), classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.
Ariano Suassuna construiu em São José do Belmonte, onde ocorre a cavalgada inspirada no Romance d’A Pedra do Reino, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município.
Membro da Academia Paraibana de Letras e Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2000).
Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu um documentário intitulado O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de Alencar.
Em 2002, Ariano Suassuna foi tema de enredo no carnaval carioca na escola de samba Império Serrano; em 2008, foi novamente tema de enredo, desta vez da escola de samba Mancha Verde no carnaval paulista. Em 2013 sua mais famosa obra, o Auto da Compadecida será o tema da escola de samba Pérola Negra em São Paulo.
Em 2006, foi concedido título de doutor honoris causa pelaUniversidade Federal do Ceará, mas que veio a ser entregue apenas em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos. "Podia até parecer que não queria receber a honraria, mas era problemas de agenda", afirmou Ariano, referindo-se ao tempo entre a concessão e o recebimento do título.
Durante o mandato de Eduardo Campos, Ariano foi Assessoria Especial do Governo de Pernambuco, até abril de 2014.
Ariano Suassuna era torcedor fanático do Sport Club do Recife.
MORTE
Ariano morreu no dia 23 de julho de 2014 no Real Hospital Português, no Recife, onde deu entrada na noite do dia 21 vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), passando por procedimento cirúrgico com colocação de dois drenos para controlar a pressão intracraniana. Ele ficou em coma e respirando por ajuda de aparelhos.
Estudos
Em 1942, ainda adolescente, Ariano Suassuna muda-se para cidade do Recife, no vizinho estado de Pernambuco, onde passou a residir definitivamente. Estudou o antigo ensino ginasial no renomado Colégio Americano Batista, e o antigo colegial (ensino médio), no tradicionalíssimo Ginásio Pernambucano e, posteriormente, no Colégio Oswaldo Cruz. Posteriormente, Ariano Suassuna concluiu seu estudo superior em Direito (1950), na célebre Faculdade de Direito do Recife, e em Filosofia (1964).
De formação calvinista e posteriormente agnóstico, converteu-se ao catolicismo, o que viria a marcar definitivamente a sua obra.
Ariano Suassuna estreou seus dons literários precocemente no dia 7 de outubro de 1945, quando o seu poema "Noturno" foi publicado em destaque no Jornal do Commercio do Recife.

ADVOCACIA E TEATRO
Na Faculdade de Direito do Recife, conheceu Hermilo Borba Filho, com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as harpas de Sião (ou O desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Seguiram-se Auto de João da Cruz, de 1950, que recebeu o Prêmio Martins Pena, o aclamado Auto da Compadecida, de 1955, O Santo e a Porca - O Casamento Suspeitoso, de 1957, A Pena e a Lei, de 1959, A Farsa da Boa Preguiça, de 1960, e A Caseira e a Catarina, de 1961.
Entre 1951 e 1952, volta a Sousa, para curar-se de uma doença pulmonar. Lá escreveu e montou Torturas de um coração. Em seguida, retorna a Recife, onde, até 1956, dedica-se à advocacia e ao teatro.
Em 1955, Auto da Compadecida o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro". Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.
Em 1956, afasta-se da advocacia e se torna professor de Estética da Universidade Federal de Pernambuco, onde se aposentaria em 1994. Em 1976, defende sua tese de livre-docência, intitulada "A Onça castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira".
Ariano acredita que: "Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial."

MOVIMENTO ARMORIAL
Para maiores informações acesse o artigo completo sobre o Movimento Armorial.
Ariano foi o idealizador do Movimento Armorial, que tem como objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Tal movimento procura orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: músicadançaliteraturaartes plásticasteatrocinemaarquitetura, entre outras expressões.
Obras de Ariano Suassuna já foram traduzidas para inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS
Em 1993, foi eleito para a cadeira 18 da Academia Pernambucana de Letras, cujo patrono é o escritor Afonso Olindense.

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
Desde 1990, ocupa a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo.

ACADEMIA PARAIBANA DE LETRAS
Assumiu a cadeira 35 na Academia Paraibana de Letras em 9 de outubro de 2000, cujo patrono é Raul Campelo Machado, sendo recepcionado pelo acadêmico Joacil de Brito Pereira.

OBRAS SELECIONADAS
Uma mulher vestida de Sol, (1947);
Cantam as harpas de Sião ou O desertor de Princesa, (1948);
Os homens de barro, (1949);
Auto de João da Cruz, (1950);
Torturas de um coração, (1951);
O arco desolado, (1952);
O Rico Avarento, (1954);
O casamento suspeitoso, (1957);
O homem da vaca e o poder da fortuna, (1958);
A pena e a lei, (1959);
Farsa da boa preguiça, (1960);
As Conchambranças de Quaderna, (1987);
Fernando e Isaura, (1956)"inédito até 1994".

Romance
A História de amor de Fernando e Isaura, (1956);
História d'O Rei Degolado nas caatingas do sertão /Ao sol da Onça Caetana, (1976)

Palestras
Defesa contra a teoria da evolução.

Poesia
O pasto incendiado, (1945-1970);
Ode, (1955);
Sonetos com mote alheio, (1980);
Sonetos de Albano Cervonegro, (1985);
Poemas (antologia), (1999).


terça-feira, 22 de julho de 2014

O MASSACRE DE ANGICO - A MORTE DE LAMPIÃO ESTREIA NESTA QUARTA-FEIRA DIA 23

Dos dias 23 a 27  de Julho, às 20h, acontecerá a 3ª edição do espetáculo “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião”. A peça teatral será ao ar livre, na Estação do Forró, em Serra Talhada – sertão de Pernambucano, que conta a história do maior cangaceiro de todos os tempos,Virgulino Ferreira, popularmente conhecido como Lampião.
Foi no dia 28 de julho de 1938, ao leito de um riacho seco, em Angico – sertão de Sergipe, que  Lampião, sua mulher – Maria Bonita e os seus companheiros foram assassinados em um terrível encontro entre militares do Governo Getulista e cangaceiros. A tragédia é a trilha do grandioso espetáculo ao ar livre do Sertão, O Massacre de Angico – A Morte de Lampião”.
O espetáculo reconta a vida do Rei do Cangaço através do passado marcante, como: suas desavenças com o primeiro inimigo José Saturnino, seu encontro com Padre Cícero para receber a patente de capitão do Exercito Patriótico, além das tentativas do presidente Getúlio Vargas em acabar com o cangaço.
A ideia do autor da peça, Anildomá Willans de Souza, é mostrar no enredo da história o perfil do símbolo do Cangaço, através de outro viés, mais humano. “É contar a história com uma linguagem poética para o espectador observar a história de Lampião humanizado”, enfatiza o escritor.
Com um elenco de mais de 80 atores e figurantes, e chamado de “o maior espetáculo ao ar livre do Sertão”, O Massacre de Angico, é uma realização da Fundação Cultural Cabras de Lampião, sua presidente Cleonice Maria, espera uma média de 10 mil pessoas. Já a direção fica a cargo de José Pimentel.
O Massacre de Angico – A Morte de Lampião é uma história de traição, amor e ódio, que tem como palco os confins do sertão, cenas ligadas ao imaginário popular e uma narrativa que mostra os fatos históricos construídos por meio de efeitos especiais de luz e trilha sonora, na primeira metade do século passado.
Serviço:
O Massacre de Angico – A Morte de Lampião
Dias: Quarta (23) a Domingo (27)
Horário: 20h
Local: Estação do Forró (Antiga Estação Ferroviária de Serra Talhada/PE)
Informações: (87) 3831 3860 / 9938 6035 / 9661 8811
Gratuito!

terça-feira, 15 de julho de 2014

O MASSACRE DE ANGICO - A GUERRA ESTÁ ARMADA



GUERRA ARMADA PARA O MASSACRE DE ANGICO - O sertão brasileiro será palco do MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO, no período de 23 à 27 de julho/2014, em Serra Talhada/PE. Grandiosa encenação que reúne 100 atores e figurantes em Serra Talhada, no sertão pernambucano, terra natal de Virgolino Ferreira da Silva, para recontar sua história de vida por um outro viés, a do homem que tanto falava de morte quanto de amor.Texto de Anildomá Willans de Souza / Direção de José Pimentel.

Informações:
José Pimentel - Diretor do Espetáculo "O Massacre de Angico - A Morte de Lampião - F: 81 - 9977-3739
Anildomá Willians de Souza - pesquisador e autor do espetáculo - F: 87 - 9918-5533
Cleonice Maria – Presidenta da Fundação Cultural Cabras de Lampião (Produção) F: – 87 – 9938 6035.
Karl Marx – Ator que vive Lampião e Produtor – F: 87 - 9661 8811.

domingo, 13 de julho de 2014

MASSACRE: ATOR DE LAMPIÃO EXALTA MEMÓRIA DO CANGACEIRO E DÁ DETALHES DO ESPETÁCULO


O FAROL conversou com Karl Marx, ator, dançarino e produtor cultural que irá representar o papel do cangaceiro Lampião no maior espetáculo ao ar livre do Sertão, O Massacre de Angico, que acontece na próxima semana em Serra Talhada. Nesta conversa, o ator defende a memória do cangaceiro entre os serratalhadenses e revela detalhes do espetáculo.
Para Marx, é grande a responsabilidade de representar Lampião, missão que assume com determinação e talento, diante a polêmica que sempre envolveu o personagem: afinal, Lampião foi herói ou bandido? Na visão do ator, ele é história, independente das controvérsias. E por isso merece ser lembrado.
Marx iniciou suas atividades na militância cultural em 2002, integrando o elenco do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, de Serra Talhada, com o qual já se apresentou em mais de 300 cidades, em todas as regiões do Brasil, inclusive fora do país.
Participou de várias atividades ligadas ao movimento de cultura popular do Sertão do Pajeú, tendo integrado diversos projetos realizados por importantes entidades da região, como a Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira (APPTA), Associação Cultural Pedra do Reino (São José do Belmonte), Ponto de Cultura Renascer do Sertão (Triunfo), Centro Dramático Pajeú de Serra Talhada.


FAROL – COMO É INTERPRETAR LAMPIÃO, UM DOS PERSONAGENS MAIS POLÊMICOS DA HISTÓRIA DO BRASIL?

É uma tarefa complicada porque Lampião é um personagem real, muito vivo em nosso cotidiano e que ainda hoje desperta sentimentos extremos, sejam de admiração ou de ódio. Eu encaro o desafio com muita tranquilidade, pois tenho uma história diretamente ligada a esse universo e que me deixa muito a vontade pra esse trabalho. Eu nasci e me criei no meio artístico, cercado por poetas, músicos, cantadores, atores e a história do Cangaço e de Lampião sempre muito presentes.
Eu era criança e assistia meus pais e meus tios em encenações de Teatro de Rua, vi o nascimento do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, assistia e ouvia cantorias de viola e tantas outras coisas da nossa cultura popular, que até parece que fui forjado desde meu nascimento para esse trabalho. A começar pelo nome com o qual fui batizado.
Em 2002 passei a integrar o elenco do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião e no ano seguinte comecei a fazer Lampião no Grupo de Xaxado, substituindo o meu tio Gilvan Santos que havia falecido. Desde então que vivencio essa emoção de interpretar Lampião. Eu sinto muito orgulho e fico muito honrado, porque em nossas andanças se apresentando Brasil a fora eu vejo o tanto que Lampião mexe com a imaginação e com os sentimentos das pessoas.
O quanto essa história emociona e desperta sentimentos de esperança, de mudança, de coragem e de resistência. No espetáculo “O Massacre de Angicos” o trabalho foi mais difícil, porque a ideia do meu pai e do diretor José Pimentel era a de “humanizar” Lampião, mostrando seus sentimentos, suas angústias, passando para o público aquilo que há por trás do mito. Deu um trabalho danado. Mas acho que o resultado final ficou bom.

FAROL – O ESPETÁCULO MASSACRE DE ANGICO TEM BUSCADO SE ATUALIZAR? ELE TEM VIÉS COM OS PROBLEMAS DO NOSSO COTIDIANO?

O espetáculo não tem um propósito político. Na verdade a ideia é bem simples: contar a história. No entanto, quando você pega duas figuras como meu pai e José Pimentel, é inevitável que num se tenha alguma fagulha de crítica ou de polêmica na transmissão do recado.
Além do mais, tem uma coisa que não podemos esquecer. O Cangaço foi filho legítimo de um sistema social que ainda hoje molesta os sertanejos. A prova disso está aí, nas várias reivindicações populares, fruto do apodrecimento social do país. Nesse contexto é praticamente impossível que não haja uma identificação direta do povo com personagens como Lampião, materializando seu desejo de enfrentar o sistema social que lhe massacra a existência.
Eu tenho certeza que todas as pessoas que assistem ao espetáculo passam a repensar várias coisas de nosso dia-a-dia, porque essa é uma história que foi escrita com muito sangue e que faz a gente questionar muita coisa que acontece em nossas vidas.

FAROL – ALÉM DE ATOR E DANÇARINO, VOCÊ É ECONOMISTA E ESTÁ CURSANDO HISTÓRIA. A QUESTÃO É A SEGUINTE: COM ESTA FORMAÇÃO, VOCÊ TEM O PENSAMENTO DO SEU PAI (ANILDOMÁ SOUZA) QUE LAMPIÃO É O FILHO MAIS ILUSTRE DE SERRA TALHADA OU ENCARA ISSO DE FORMA MENOS UFANISTA?

Até que alguém prove o contrário, Lampião é sim o filho mais ilustre de Serra Talhada. E não digo pra fazer provocação. Isso é uma constatação. E se não for o mais ilustre, com certeza ele é o mais famoso, o mais estudado, o mais pesquisado, o que atrai mais turistas pra nossa cidade, o mais biografado e principalmente, o que mais influenciou na cultura popular brasileira. E não precisa ser expert pra saber disso. A própria cidade e o comércio local adotou o slogan “Capital do Xaxado” como o que identifica Serra Talhada.
O mascote do time de futebol da cidade é um Cangaceiro. Eu duvido você ir a alguma feira de artesanato do nordeste e não encontrar Lampião e Maria Bonita. É no mínimo curioso saber, por exemplo, que Maria Bonita e Lampião são personagens obrigatórios na formação de uma quadrilha junina estilizada ou tradicional. É comum  encontrar no carnaval de Olinda muita gente fantasiada de cangaceiro.
E no cinema, a influência de Lampião é algo bem interessante. É curioso perceber, sem entrarmos em detalhes – que toda vez que um filme brasileiro fazia sucesso seu tema abordava o Cangaço: O Cangaceiro, de Lima Barreto, Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, Lampião: O Rei do Cangaço, de Carlos Coimbra, O Baile Perfumado de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, etc.
Eu acho estranho é quando alguém contesta tudo isso. Não se trata de transformar Lampião numa divindade. É apenas uma questão de reconhecimento a sua importância história e sua influência na cultura brasileira.


FAROL – VAI TER ALGUMA NOVIDADE PARA O ESPETÁCULO DESTE ANO?

Tem várias novidades. Algumas cenas foram regravadas, outras foram melhoradas e fizemos vários ajustes no áudio, nas gravações e um monte de outras coisas que você vai aprimorando ano após ano. Nós vamos ter novos efeitos especiais, o projeto de iluminação também foi melhorado, com recursos novos.
Mas, a grande novidade para esse ano está no final do espetáculo. É uma surpresa. Não podemos adiantar o que é. Quem quiser conferir, vai ter que ir assistir ao espetáculo.

FAROL – PARA FINALIZAR, O FUTURO DE SERRA TALHADA PASSA PELA EXPLORAÇÃO DA FIGURA DE LAMPIÃO? POR QUÊ?

Várias cidades exploram a imagem de Lampião, tiram proveito e lucram com a história do Cangaço. Por que só Serra Talhada não pode lucrar com isso? Eu entendo que a cidade pode tirar muito proveito dessa história tão marcante e desse fascínio que Lampião exerce nas pessoas. Afinal, é um personagem histórico e que nunca será esquecido.



quinta-feira, 10 de julho de 2014

COLETIVA DE IMPRENSA: O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO


A Fundação de Cultura Cabras de Lampião convida para a coletiva que vai ser realizada no próximo dia 17, às 15h, no Museu da Cidade do Recife, localizado no Forte das Cinco Pontas. Na ocasião, vão ser detalhados os preparativos para a 3ª edição do espetáculo “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião”, que será encenado entre os dias 23 e 27 de julho, na Estação do Forró, em Serra Talhada, no Sertão pernambucano. O evento, que é gratuito e atrai milhares de pessoas, espera reunir aproximadamente um público de 10 mil  espectadores  por noite. Além dos artistas envolvidos na peça, também participam da coletiva o autor do espetáculo, Anildomá Willians de Souza, o diretor José Pimentel, e a presidente da Fundação Cultural Cabras de Lampião, Cleonice Maria.

No espetáculo, o público vai conhecer a história que aconteceu ao leito de um riacho seco, em Angico, no sertão de Sergipe, onde os companheiros de Lampião, entre eles, sua mulher, Maria Bonita, foram assassinados  no dia 28 de julho de 1938.

Dentro do enredo são mostradas cenas do passado marcante da história do Rei do Cangaço, como: suas desavenças com o primeiro inimigo José Saturnino, seu encontro com Padre Cícero para receber a patente de capitão do Exercito Patriótico, a determinação do presidente Getúlio Vargas em acabar com o cangaço e a sua morte e de Maria Bonita, juntamente com o bando.

As cenas são ligadas ao imaginário popular, em uma narrativa que mostra os fatos históricos construídos por meio de efeitos especiais de luz e trilha sonora.

O Massacre de Angico – A Morte de Lampião é uma história de TRAIÇÃO, AMOR E ÓDIO, que tem como palco os confins do sertão, na primeira metade do século passado.

Informações:
José Pimentel - diretor do espetáculo "O Massacre de Angico - A Morte de Lampião: (81) 9977-3739. Anildomá Willians de Souza - pesquisador e autor do espetáculo: (87) 9918-5533

segunda-feira, 7 de julho de 2014

LAMPIÃO: 117 ANOS DEPOIS, UMA LENDA QUE CONTINUA VIVA E CADA VEZ MAIS PRESENTE NA IDENTIDADE CULTURAL NORDESTINA.


VIRGOLINO: HISTÓRIA

           
       Hoje, 7 de julho, se LAMPIÃO vivo fosse, estaria completando 116 anos. Conforme sua certidão de nascimento, nasceu nesta data, aqui em Villa Bella. O texto que segue é do livro LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA, de Anildomá Willans de Souza.
José Ferreira da Silva e Maria Sulena da Purificação residentes no Sítio Passagem das Pedras, em Vila Bella, Estado de Pernambuco, tiveram os seguintes filhos:
1.   Antonio Ferreira
2.   Livino Ferreira
3.   Virgolino Ferreira
4.   Virtuosa Ferreira
5.   João Ferreira
6.   Angélica Ferreira
7.   Ezequiel Ferreira
8.   Maria Ferreira
9.   Anália Ferreira

O primeiro da lista - Antonio - era meio irmão dos demais.

           Dona Maria, antes de contrair matrimônio com José, morava nas proximidades da vila São Francisco e namorava um rapaz da família Nogueira, do qual engravidou. Mas o mesmo, metido a valentão e filho de gente rica, não quis casar-se, deixando a jovem em desolação.
            Um certo rapaz, das bandas de Triunfo, Pernambuco, trabalhava como tropeiro e tinha a vila como um dos pontos de parada pra descanso e recompor as forças da tropa de burros no seu roteiro quando se dirigia em suas andanças para o Ceará, Alagoas e Bahia, e há muito tempo  paquerava a mesma moça, mas nunca quis se chegar, pelo fato de vê-la comprometida.
            Porém, quando soube do acontecido, procurou-a e propôs casamento, assumindo a paternidade da gravidez.
            Recebeu de presente do sogro uma faixa de terra - o Sítio Passagem das Pedras - e tiveram o restante dos filhos e filhas.

Agora caros leitores
            Prestem-me bem atenção
            Para entender o relato
            Desta minha narração
            Concentrem bem a memória
Que vou contar a história
            Do famoso Lampião.
           
Nascido em Serra Talhada
            Numa fazenda rural
            Aprendeu desde menino
            O trabalho artesanal
            Com perfeição de ouro
            Moldando as peças de couro
            Em arreios de animal.
(Gilvan Santos)

O terceiro filho - Virgolino - de acordo com sua certidão de nascimento, que se encontra no cartório de registro civil de Tauapiranga (São João do Barro Vermelho, distrito rural deSerra Talhada), no livro nº2, folha 8, nasceu no dia 07 de julho de 1897. E, segundo seu batistério, que se encontra na Diocese de Floresta, no livro 13, página 145, nº 463, consta que ele nasceu em 04 de junho de 1898.
            Mais duas filhas tiveram o casal:
            Maria do Socorro e
            Maria da Glória.
            Ambas tiveram morte prematura.
            Era costume, naquele tempo, quando as mulheres  estavam nos dias de darem a luz, ficarem nas casas dos pais.
Por isso, todos os rebentos nasceram na casa da avó materna, Dona Jacosa, que morava a umas trezentas braças de distância.
Somente com alguns dias, após o resguardo, que durava em torno de trinta dias, era que voltava pra casa,
            Virgolino, ao nascer, a avó, que a estas alturas tornara-se viúva, agradou-se tanto do neto, que ficou com ele para lhe fazer companhia. Portanto, nasceu e se criou na casa da avó.
            Segundo os moradores antigos daquelas bandas, a parteira que segurou Virgolino ao nascer e, ao que tudo indica, de todos os rebentos da casa, foi uma senhora chamada Antonia Tonico, moradora da fazenda Situação.
            Em 1905 fez a primeira comunhão na vila São Francisco e em 1912 foi crismado em Floresta.
            Como naquela época não havia escolas na região e Virgolino era o mais interessado dos irmãos pra aprender ler e escrever, estudou alguns meses com os professores Domingos Soriano Lopes e Justino Neneu. O primeiro era  parente da família pelo lado materno.
            A família vivia da agricultura, do criatório de bode e da almocrevia.
            Isto mesmo, com dezesseis anos de idade possuía uma frota de burros e partiu para a almocrevia. Os burros são animais melhores para essa função porque preferem água limpa e comem pouca ração. Vantagem muito boa para quem vive nessa profissão com o pé na estrada.
            Saía com a burrama do Sítio Passagem das Pedras para Rio Branco onde comprava, vindos do Recife ou do sul do estado, caixas de gás, caixas de bebidas Gato Preto, Old Tom, alcobaça, açúcar refinado, arroz branco, roupas e tecidos, bolachas marca “sertaneja” de Pesqueira - PE. e outras novidades em bugigangas. Tinha as pessoas certas para entregar esses produtos. No caso de Vila Bella um deles era Cornélio Soares quem recebia para comercializar. Entregava também para outras cidades como Belmonte, Ouricuri, Triunfo, Cabrobó, Petrolina e até outros estados como Alagoas, Paraíba e Ceará. Foi nessas viagens que começou a conhecer palmo a palmo, ponto a ponto do Nordeste, que lhe viria ser útil na futura vida do cangaço.
            Ao mesmo tempo, nos dias de feira das cidades, ele  vendia produtos fabricados por ele mesmo. Em Vila Bella era muito conhecido quando vinha com seus artefatos de couros confeccionados por suas próprias mãos, com perfeito acabamento e detalhes artísticos: alforge, chibata, colete, gibão, luvas, arreios, cartucheiras, selas, etc. Instalava sua banca ou forrava o chão com esteira ao lado da Igreja do Rosário, onde funcionava a feira livre nos tempos idos.
           
Também foi grande vaqueiro
            Ágil e inteligente
            Pegava boi na caatinga
            Bravo sem nunca vê gente
            Logo que o boi se espantava
            Que o tropé começava
            Ele partia na frente.

            Trabalhou como almocreve
            Viajando noite e dia
            Com seu pai e seus irmãos
            Levando mercadoria
            Andavam de feira em feira
            Por isso é que os Ferreira
            Todo sertão conhecia.
            (Gilvan Santos)
           
Virgolino tocava sanfona nas festas da redondeza, escrevia poesias e no repente desafiava os melhores repentistas da  ribeira, confeccionava artefatos em couro e madeira, corria vaquejada e pega de boi no mato. 
            Quando se tratava de trabalhar, era um verdadeiro furacão em tudo que fazia: na roça, na compra e venda de mercadorias que transportava em lombo de burro.
            Os títulos eleitorais de Virgolino, Antônio e Livino foram tirados no ano de 1915. Apesar de não terem idade, Metódio Godoy foi quem articulou tudo para garantir esses votos. Votaram esse ano no partido borbista, que tinha a frente o oposicionista candidato a governo do estado Manoel Borba, que Mário Lira e os Godoy tinham a predileção. Os Carvalhos estavam de cima e apoiavam o candidato a reeleição para governador Dantas Barreto, contando com todo apoio dos Nogueiras e Saturnino.
            Depois, no ano seguinte, 1916, sufragaram os Ferreiras o voto ao próprio Mário Lira - Mário Alves Pereira Lira, filho natural do Recife, contraindo matrimônio com uma moça da família Carvalho, veio residir em Vila Bella. Tornou-se um político de forte influência e foi eleito prefeito para a gestão 1916/20.
            Ao que tudo indica, quando os Ferreira moravam em Poço Negro, cidade de Floresta - PE., foram correligionários de Idelfonso Ferraz.
            Os Ferreiras tinham uma excelente relação de amizade com Cornélio Soares. Inclusive, um parente de José Ferreira, chamado Cândido Ferreira, costumava se hospedar na casa desse chefe político. Quando Cândido começou a ser ameaçado pelos inimigos de Lampião, que teve de vir embora de Nazaré, foi este acolhido na fazenda Caxixola, localizada no outro lado do Rio Pajeu, de propriedade do coronel Cornélio Soares. Lá morou durante toda sua vida, na sua proteção.
           
Os Ferreira eram pobres
            Para aquela região
            Suas terras eram poucas
            E de pouca criação
            Mas como eram tropeiros
            Ganhavam algum dinheiro
            Nas viagens do sertão.
            (Gilvan Santos)

Os Ferreiras comiam e vestiam, se divertiam e se solidarizavam com os amigos com o produto do suor dos seus rostos.
            Uma típica família sertaneja...
         
         EM TEMPO: No período de 23 a 27 de julho, será apresentado ao ar livre o espetáculo teatral O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO, na ESTAÇÃO DO FORRÓ, envolvendo mais de oitenta atores e atrizes, com texto de Anildomá Willans de Souza e direção de José Pimentel. Entrada FRANCA.

VIRGOLINO – COMENTÁRIO.


Celebrar seus mitos, comemorar datas, festejar fatos, é comum aos povos que tem cultura e que valorizam sua história. Virgolino Ferreira da Silva, que entrou pra história com a alcunha de LAMPIÃO, nasceu no dia 07 de julho de 1897, no Sítio Passagem das Pedras, zona rural do município de Serra Talhada. Era o terceiro filho de uma família de oito irmãos e logo cedo ingressou na profissão de almocreve. Entrou para o Cangaço com a intenção de vingar a morte de seu pai, José Ferreira, assassinado pela polícia alagoana chefiada pelo sargento José Lucena. Morreu no dia 28 de julho de 1938, na Fazenda Angico, estado de Sergipe, junto com Maria Bonita e mais nove companheiros.
Homem que dividiu a história do sertão brasileiro antes e depois de sua passagem pela terra, Lampião é amado e odiado. Para uns, herói, para outros, bandido. A verdade é que qualquer brasileiro tem uma opinião a respeito do famoso cangaceiro pernambucano. Sua história se confunde com a própria história do nordeste brasileiro. Observando bem, poucos são os personagens históricos que saíram do seio do povo, que viveu humildemente, mas que desafiou todas as instâncias de poder. Foi assassinado, mas seu nome continua vivo, cantado nos cordéis, no cinema, no teatro, na gastronomia, na dança, no mundo inteiro.
         Os caminhos da história sempre surpreendem e possibilitam que personagens como Lampião, Padre Cícero, Frei Damião, Antônio Conselheiro, Zumbi dos Palmares (entre tantos outros) sejam objeto de estudo e de controvérsias. Fato é que, mesmo 117 anos após seu nascimento e 76 anos após sua morte, Lampião ainda desperta sentimentos extremos de admiração e ódio. Afinal de contas, trata-se de um personagem real e que foi construído rodeado de valores que envaidecem o nordestino: coragem, valentia, brabeza de cabra macho, obstinação, esperteza, etc.
         Sempre que for citado, Lampião será sempre centro de contradições e de fervorosas discussões, o que de certa forma contribui para perpetuar sua condição mitológica e despertar tanto fascínio nas gerações atuais e futuras.
         Polêmicas a parte, seu nome e sua imagem continuarão influenciando a literatura, o teatro, a música, a culinária, o artesanato, o cinema, pois dentre todos os aspectos de abrangência da cultura popular é Lampião, sem dúvida, o personagem mais vivenciado. Sendo assim, não é estranho dizer que Lampião é um bem imaterial do povo brasileiro e que precisa ser reconhecido como tal. Salientamos que Lampião, antes de qualquer coisa, é um personagem histórico. Não é lenda. Não é folclore. É história. E nós não podemos negar a história. A história a gente não oculta.

Serra Talhada/PE, 07 de julho de 2014.
ANILDOMÁ WILLANS DE SOUZA
(Pesquisador do Cangaço – Secretário de Cultura de Serra Talhada/PE).