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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

NOVOS ATOS DA POLÍTICA PÚBLICA DE CULTURA SERÃO REALIZADOS NESTA QUINTA-FEIRA (22)

Por meio da Secretaria de Cultura e da Fundarpe, o Governo de Pernambuco convida artistas, produtores culturais e a população em geral para acompanhar a realização de importantes atos relacionados à política pública estadual de Cultura, quais sejam:
- Titulação dos Caboclinhos como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil
- Diplomação dos seis novos Patrimônios Vivos de Pernambuco
- Sanção da Lei do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco, que duplica a quantidade de contemplados por ano (de três para seis)
- Lançamento do edital do 2º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado de Pernambuco
- Lançamento do edital do 2º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia
- Envio à ALEPE do PL do SIC que fortalece o Funcultura e cria o CredCultura e o Mecenato
A solenidade acontecerá ao meio-dia da próxima quinta-feira, 22 de dezembro, no Palácio do Campo das Princesas.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Dedé Monteiro: Patrimônio Vivo de Pernambuco


Do blog Verônica Sobral
Não é por acaso que Tabira hoje amanheceu com esperança. Céu nublado, clima ameno. Vontade de chover! Seria o dia que José Rufino da Costa Neto, Dedé Monteiro, receberia o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, pela FUNDARPE.
Isso mesmo! Dedé Monteiro, o poeta lá do Barro Branco I, Poeta tabirense, professor, nosso mestre é PATRIMÔNIO VIVO DE PERNAMBUCO.
Surpresa? Não! Dedé já era Patrimônio sem o título. A FUNDARPE hoje oficializa. Mas Dedé sempre foi o mestre dos mestres. Dedé nasceu poeta. E cresceu poesia! Dedé Monteiro é poesia viva. Dedé não faz somente poesia. Dedé é poesia!
E pensando assim, as poetisas Belinha e Andreia inscreveram Dedé no Concurso concorrendo a Patrimônio Vivo de Pernambuco lançado pela FUNDARPE. E como é isso? Os Patrimônios Vivos de Pernambuco são mestres da cultura popular pernambucana, de notório saber, reconhecidos como Patrimônio Imaterial do Estado, que recebem este título através de um concurso público apoiado na Lei de Patrimônio Vivo.
Todos os anos, três novos Patrimônios Vivos são nomeados pelo Governo do Estado de Pernambuco, e apoiados com o objetivo de preservar seus múltiplos saberes, fazeres, memórias e histórias. A lei, além de permitir a preservação e valorização das manifestações populares e tradicionais, garante as condições para que sejam repassadas às novas gerações de aprendizes.
Então, Dedé preencheu todos os requisitos e hoje nos orgulha muito. Orgulha a APPTA!
Orgulha Tabira! Orgulha o Pajeú. Orgulha a poesia nordestina que se sente representada nesse registro.
Dedé é nosso! É do Povo. Dedé é Patrimônio da poesia e da cultura!

CIA. 2 EM CENA ENCERRA CURSO DE FORMAÇÃO EM PALHAÇARIA EM SERRA TALHADA.

 
Ao longo de dois meses 17 artistas dos municípios de Arcoverde e Serra Talhada integraram o Projeto “E o Palhaço o que é? Curso de Formação em Palhaçaria da Cia. 2 em Cena” que tem como intuito a difusão da referida arte e a criação/descoberta de novos palhaços. O projeto também tem como objetivo expandir as ações de formação e capacitação na área de circo, geralmente centralizadas na capital do estado.
Desenvolvido através da Pesquisa “Laboratório de Palhaçaria” realizada pela Cia. 2 em Cena desde 2007, o curso visa uma formação ampla do Palhaço através de disciplinas que vão desde a história da Palhaçaria, passando pela criação da indumentária e da caracterização à imersão na dramaturgia clássica do Palhaço. Sete disciplinas compõem a grade curricular da formação, são elas: História da Palhaçaria, ministrada pela atriz e Palhaça Jerlâne Silva com monitoria da também atriz e Palhaça Thaís Silva; Corpo e comicidade ministrada pelo ator, produtor e Palhaço Arnaldo Rodrigues; Voz e comicidade ministrada pelo ator e Palhaço Flávio Santana e pelo o músico e Palhaço Davison Wescley; Palhaçaria I ministrada pela atriz, Palhaça e produtora Paula de Tássia com monitoria da atriz, palhaça e iluminadora Cindy Fragoso; Caracterização e indumentária ministrada pelo ator, Palhaço e aderecista André Ramos e Palhaçaria II e Dramaturgia do Palhaço, ministradas pelo diretor, dramaturgo, Palhaço e produtor cultural Alexsandro Silva. O Projeto conta com a produção local e assessoria de comunicação do ator Carlos Silva.
O público interessado poderá conhecer os novos Palhaços no espetáculo de culminância do Projeto intitulado “CRAssicos do CIRCO” que se realizará no dia 18 de dezembro às 20h em frente a Igreja Matriz do referido município onde serão apresentados números clássicos de Palhaços montados pelos integrantes do curso, sob a direção de Alexsandro Silva e assistência de direção de Arnaldo Rodrigues.


O Projeto conta com o Patrocínio do FUNCULTURA 2014/2015 e com o apoio da Prefeitura Municipal de Serra Talhada, através da Secretária de Cultura e Turismo da cidade e da Fundação Cultural Cabras de Lampião.
 Maiores informações pelos fones:
(81) 9 9665-7271 (Zap) – Alexsandro Silva
(81) 9 8402-3656 (Zap) – Arnaldo Rodrigues.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

XII ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO MOVIMENTA SERRA TALHADA


O encontro acontece de 14 a 17 de dezembro

Confira a programação completa:

De 14 a 17 de dezembro, em Serra Talhada, será realizado o XII Encontro Nordestino de Xaxado. Confira a programação completa:
ESTAÇÃO DO FORRÓ
DIA 14/12/2016 (QUARTA-FEIRA)
Grupo Sertão Frevo – (Serra Talhada/PE)
Grupo Dinâmico Cultural – (João Pessoa/PB)
Grupo Abolição – (Princesa Isabel/PB)
Grupo Gilvan Santos – (Serra Talhada/PE)
Cia de Dança Raízes da Paz – (Ivoti/RS)
Grupo Frutos do Pará – (Belém/PA)
Apresentação Musical: Quinteto Violado – (Recife/PE)
Apresentação Musical: Cezzinha – (Recife/PE)
DIA 15/12/2016 (QUINTA-FEIRA)Maria Bonita – Umari/CE
Grupo de Xaxado Zabelê – Serra Talhada (PE)
Grupo de Danças Xaxado (Parnamirim/RN)
Grupo de Teatro e Xaxado Estrelas do Sertão  – (Piranhas – Al)
Grupo de Xaxado Cangaceiros de Vila Bela (Serra Talhada/PE)
Grupo Frutos do Pará – (Belém – Pará)
Apresentação As Severinas e Karl Marx –  (São José do Egito e Serra Talhada/PE)
Apresentação Musical: Trio Nordestino –  (Rio de Janeiro/RJ)
DIA 16/12/2016 (SEXTA-FEIRA)Grupo de Xaxado da APAE – (Serra Talhada/PE)
Grupo Parafolclórico Terra da Luz – (Fortaleza/CE)
Grupo As Belas da Vila (Serra Talhada/PE).
Cia de Danças Raízes da Paz – (Ivoti/RS)
Grupo de Tradições Folclóricas Moenda – (Areia/PB
Txai Cia de Danças Populares – (Fortaleza/CE)
Apresentação Musical: Assisão  – (Serra Talhada/PE)
DIA 17/12/2016 (SÁBADO)
Cia de Dança Raízes da Paz – (Ivoti/RS)
Grupo Herdeiros do Xaxado – (Serra Talhada/PE) 
Grupo Terra da Luz – (Fortaleza/CE)
Grupo de Teatro Xaxado Pisada de Lampião – (Poço Redondo/SE)
Grupo Cabras de Lampião – (Serra Talhada/PE)
Grupo Luz do Sertão – (Salgueiro/PE)
Txai Cia de Danças Populares – (Fortaleza/CE)
Grupo Frutos do Pará – (Belém/PA)
Apresentação Musical: Josildo Sá – (Tacaratu/PE)
Roberta Aureliano e  Fulô do Maracujá – (Maceió/AL)
ÁREA DE ALIMENTAÇÃO DA FEIRA LIVRE
DIA 14/12/2016 (quarta-feira)
10h00min.
Grupo Sertão Frevo – (Serra Talhada/PE)
Performance com Quirino Lampião – (João Pessoa/PB)
Grupo Dinâmico Cultural (João Pessoa/PB)
Grupo Cangaceiros de Vila Bela (Serra Talhada/PE)
Cia de Dança Raízes da Paz (Ivoti/RS)
Grupo Frutos do Pará – (Belém – Pará)
DIA 15/12/2016 (quinta-feira)
10h00min.
Performance com Quirino Lampião – João Pessoa/PB
Cia de Dança Raízes da Paz (Ivoti/RS)
Grupo de Xaxado As Belas da Vila – Serra Talhada (PE)
Grupo Dinâmico Cultural (João Pessoa/PB)
Grupo Xote e Baião forró pé de Serra- (Serra Talhada/PE)
DIA 16/12/2016 (sexta-feira)
10h00min.
Performance com Quirino Lampião – João Pessoa/PB
Grupo de Teatro e Xaxado Estrelas do Sertão – (Piranhas – Al)
Grupo de Danças Xaxado (Parnamirim/RN)
Cavalo Marinho Mestre Batista – (Aliança/PE)
Grupo Maracatu Estrela de Jacy – (Vicência/PE)
DIA 17/12/2016 (sábado)
10h00min.Performance com Quirino Lampião – João Pessoa/PB
Cia de Dança Raízes da Paz (Ivoti/RS)
Grupo de Xaxado Cabras de Lampião – (Serra Talhada/PE).
Grupo de Maracatu Nação Império – (Serra Talhada/PE)
Grupo Terra da Luz – (Fortaleza/CE)
Grupo de Tradições Folclóricas Moenda – (Areia/PB
Txai Cia de Danças Populares – (Fortaleza/CE)
Grupo Frutos do Pará – (Belém/PA).
OFICINAS:
TEATRO DO CÉU DAS ARTES
De 14 a 17/12/2016 (de quarta feira a sábado)
15 às 17 horas. 
Oficina de Danças Populares (Frevo, Caboclinhos e Cavalo Marinho) com o coreógrafo e dançarino pernambucano Gil do Passo.
NO QUINTAL DO MUSEU DO CANGAÇO 
De 14 a 17/12/2016 (de quarta feira a sábado)
15 às 17 horas. 
Oficina de Xaxado ministrada pela coreógrafa e dançarina (Cabras de Lampião) Gorete Lima.
BAIRRO VILA BELA – CENTRO COMUNITÁRIO DO POÇO DA CRUZ IV
De 14 a 17/12/2016 (de quarta feira a sábado)
15 às 17 horas. 
Oficina de confecção e manuseio de boleadeira para atividades lúdicas, com a coreógrafa da CIA de Danças Raízes da Paz,  Denise Azeredo.
SALA MULTIMÍDIA DO MUSEU DO CANGAÇO
DIA 17 (sábado)
14 às 17 horas. 
ENCONTRO DA CONEXÃO PONTOS/PE.
Durante a PROGRAMAÇÃO haverá FEIRA DE ARTESANATOS, na Estação do Forró.
Passeio Turístico Ecológico NAS PEGADAS DE LAMPIÃO: Os interessados em conhecer o SÍTIO PASSAGEM DAS PEDRAS, onde nasceu LAMPIÃO, agendar na recepção do MUSEU DO CANGAÇO.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

MORRE FERREIRA GULLAR


Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira), nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão, quarto filho dos onze que teriam seus pais, Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart. Inicia seus estudos no Jardim Decroli, em 1937, onde permanece por dois anos. Depois, estuda com professoras contratadas pela família e em um colégio particular, do qual acaba fugindo. Em 1941, matriculou-se no Colégio São Luís de Gonzaga, naquela cidade.

Aprovado em segundo lugar no exame de admissão do Ateneu Teixeira  Mendes, em 1942, não chega a concluir o ano letivo nesse colégio. Ingressa na Escola Técnica de São Luís, em 1943. Apaixonado por uma vizinha, Terezinha, deixa os amigos e passa a se dedicar ?leitura de livros retirados da Biblioteca Municipal e a escrever poemas.

Na redação sobre o Dia do Trabalho, onde ironizava o fato de não se trabalhar nesse dia, em 1945, obtém nota 95 e recebe elogios pelo seu texto. Só não obteve a nota máxima em virtude dos erros gramaticais cometidos. Face ao ocorrido, dedica-se ao estudo das normas da língua. Essa redação foi inspiradora do soneto "O trabalho", primeiro poema publicado por Gullar no jornal "O Combate", de São Luís, três anos depois.

Torna-se locutor da Rádio Timbira e colaborador do "Diário de São Luís", em 1948.

Editado com recursos próprios e o apoio do Centro Cultural Gonçalves Dias, publica seu primeiro livro de poesia, "Um pouco acima do chão".

Em 1950, após haver presenciado o assassinato de um operário pela polícia, durante um comício de Adhemar de Barros na Praça João Lisboa, em São Luís, nega-se a ler, em seu programa de rádio, uma nota que aponta os "baderneiros" e "comunistas" como responsáveis pelo ocorrido. Perde o emprego, mas é convidado para participar da campanha política no interior do Maranhão. Vence o concurso promovido pelo "Jornal de Letras" com o poema "O galo". A comissão julgadora era formada por Manuel Bandeira, Odylo Costa Filho e Willy Lewin. Começa a escrever poemas que, mais tarde, integrariam seu livro "A luta corporal". 

Muda-se para o Rio de Janeiro (RJ), em 1951. Passa a trabalhar na redação da "Revista do Instituto de Aposentadoria e Pensão do Comércio", para onde foi indicado por João Condé Torna-se amigo do crítico de arte Mário Pedrosa. A publicação de seu conto "Osiris come flores" na "Revista Japa" rende-lhe mais um emprego: o de revisor da revista "O Cruzeiro", por indicação de Herberto Sales, que se encantou com o conto publicado. Vai até a cidade de Correias (RJ) onde, por três meses, trata-se de uma tuberculose.

Oswald de Andrade, que havia lido "A luta corporal", texto inédito e recém-concluído de Gullar, no dia de seu aniversário, em 1953, presenteia-o com dois volumes teatrais de sua autoria: "A morta", "O Rei da Vela", e "O homem a cavalo".

Em 1954, casa-se com a atriz Thereza Aragão, com quem teve três filhos: Paulo, Luciana e Marcos. Lança "A luta corporal", que causou desentendimentos com os tipógrafos em função do projeto gráfico apresentado. Após sua leitura, Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari manifestam-lhe, por carta, o desejo de conhecê-lo. No fim desse ano, passa a trabalhar como revisor na revista "Manchete".

Seu encontro com Augusto de Campos se d?às vésperas do carnaval de 1955, resultando inúmeras discussões sobre a literatura. Trabalha como revisor no "Diário Carioca" e, posteriormente, engaja-se no projeto "Suplemento dominical" do "Jornal do Brasil".

A convite do trio de escritores paulistas acima citados, participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1956. Em janeiro do ano seguinte, o MAM carioca recebe a citada exposição. Gullar discorda da publicação do artigo "Da psicologia da composição ?matemática da composição", escrito pelo grupo concretista de São Paulo. Redige resposta intitulada "Poesia concreta: experiência fenomenológica". Os dois textos são publicados lado a lado na mesma edição do "Suplemento Dominical". Com seu artigo, Gullar marca sua ruptura com o movimento.

Em 1958, lança o livro "Poemas. No ano seguinte, escreve o "Manifesto Neo-concreto", publicado no "Suplemento Dominical" e que foi também assinado por, entre outros, Lygia Pape, Franz Waissman, Lygia Clark, Amilcar de Castro e Reynaldo Jardim. Ali também foi publicado "Teoria do não-objeto. Criou o "livro-poema" e o "Poema enterrado", que consistia de uma sala subterrânea, dentro da qual  havia um cubo de madeira de cor vermelha, dentro desse um outro, verde, de menor diâmetro, e, finalmente, um último cubo de cor branca que, ao ser erguido, permitia a leitura da palavra "Rejuvenesça". Construído na casa do pai do artista plástico Hélio Oiticica, a "instalação" não pode ser vista pelo público: uma inundação, provocada por fortes chuvas, alagou a sala e destruiu os cubos.

É nomeado, em 1961, com a posse de Jânio Quadros, diretor da Fundação Cultural de Brasília. Elabora o projeto do Museu de Arte Popular e inicia sua construção. Revê sua postura poética, até então muito marcada pelo experimentalismo, e passa a não atuar nos movimentos de vanguarda. Fica no cargo até outubro/61.

Emprega-se, em 1962, como copidesque na filial carioca do jornal "O Estado de São Paulo", para o qual trabalharia por 30 anos. Ao mesmo tempo, ingressa no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC). Publica "João Boa-Morte, cabra marcado para morrer" e "Quem matou Aparecida". Assume, com essas publicações, uma nova atitude literária de engajamento político e social.

No ano seguinte é eleito presidente do CPC. Lança o ensaio "Cultura posta em questão". Em 1964, a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) ?invadida e a primeira edição do citado ensaio acaba queimada. No dia 1?de abril de 1964, filia-se ao Partido Comunista Brasileiro. Ao lado de Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes, Thereza Aragão, Pichin Pla, entre outros, funda o "Grupo Opinião".

O ensaio "Cultura posta em questão" ?reeditado em 1965.

Em 1966, a peça "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", escrita em parceria com Oduvaldo Viana Filho, ?encenada pelo "Grupo Opinião" no Rio de Janeiro, e conquista os prêmios Molière e Saci. No ano seguinte o mesmo grupo encena, também no Rio, a peça "A saída? Onde está a saída?, escrita em parceria com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa.

"Por você  por mim", poema sobre a guerra do Vietnã ?publicada em 1968, juntamente com o texto da peça "Dr. Getúlio, sua vida e sua glória", escrita em parceria com Dias Gomes e montada nos teatros "Opinião" e "João Caetano", no Rio de Janeiro, com a direção de José Renato. Com a assinatura do Ato Institucional nº 5, é preso, em companhia de Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Em 1969, lança o ensaio "Vanguarda e subdesenvolvimento".

1970 marca sua entrada na clandestinidade. Passa a dedicar-se à pintura.

Informado por amigos, em 1971, do risco que corria se continuasse no Brasil, decide partir para o exílio, morando primeiro em Moscou (Rússia) e depois em Santiago (Chile), Lima (Peru) e Buenos Aires (Argentina). Durante esse período, colabora com o semanário "O Pasquim", sob o pseudônimo  de Frederico Marques. Seu pai falece em São Luís (MA).

Em 1974, por unanimidade, É absolvido no Supremo Tribunal Federal, da acusação.

Publica, em 1975, "Dentro da noite veloz". O "Poema sujo" ?escrito entre maio de outubro desse ano. Em novembro, lê o novo trabalho na casa de Augusto Boal, em Buenos Aires, para um grupo de amigos. Vinicius de Moraes, que organizou a sessão de leitura, pede uma cópia do poema para trazer ao Rio. Por precaução, o poema é gravado em fita cassete. No Rio, Vinicius promove diversas sessões para que intelectuais e jornalistas ouvissem o "Poema sujo". Ênnio Silveira, editor, pede uma cópia do texto para publicá-lo em livro. Enquanto isso não acontece, diversas cópias da gravação circulam pela cidade em sessões fechadas de audição.

No ano seguinte, sem a presença do poeta, o "Poema sujo" ?lançado, enquanto Gullar dá aulas particulares de português em Buenos Aires, para poder sobreviver. Amigos tentam um salvo-conduto junto às autoridades militares, procurando obter garantias para que ele volta ao país.

Somente em 10 de março de 1977 desembarca no Rio. No dia seguinte, é preso pelo Departamento de Polícia Política e Social, órgão sucessor do famoso "DOPS". As ameaças feitas por agentes policiais, que se estendiam a membros de sua família, s? terminaram após 72 horas de interrogatórios, ocasião em que é libertado face a movimentação de amigos junto às autoridades do regime militar.

Retorna, aos poucos, às atividades de crítico, poeta e jornalista. Lança "Antologia Poética". "La lucha corporal y otros incendios" é publicada em Caracas, Venezuela. No ano seguinte, 1978, grava o disco "Antologia poética de Ferreira Gullar" e, sob a direção de Bibi Ferreira, é encenada a peça teatral "Um rubi no umbigo". Começa a escrever para o Grupo de Dramaturgia da Rede Globo, indicado pelo amigo Dias Gomes.

Seu livro "Na vertigem do dia" é publicado em 1980 e "Toda poesia", reunião de sua obra poética, comemora seus 50 anos de vida. Estréia a versão teatral do "Poema sujo", com a interpretação de Esther Góes e Rubens Corrêa, sob a direção de Hugo Xavier, na Sala Sidney Miller, no Rio de Janeiro.

Lança o livro "Sobre arte", coletânea de artigos publicados na revista "Módulo", entre 1975 e 1980.

A Rede Globo exibe o seu especial "Insensato coração", em 1983.

Em 1984, recebe o título de "Cidadão Fluminense" na Assembléia Legislativa do Rio. Profere a conferência "Educação criadora e o desafio da transformação sócio-cultural" na abertura do 25º Congresso Mundial de Educação pela Arte, realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Com a tradução de "Cyrano de Bergerac", de Edmond Rostand, publicada em 1985, é agraciado como prêmio Molière, até então inédito para a categoria tradutor.

Em 1987 lança "Barulhos". Dois anos depois, publica ensaios sobre cultura brasileira e a questão da vanguarda em países desenvolvidos, no livro "Indagações de hoje".

"A estranha vida banal", uma coletânea de 47 crônicas escritas para "O Pasquim" e "Jornal do Brasil", são publicadas em 1990. Colabora com Dias Gomes na novela "Araponga". Morre, no Rio, seu filho mais novo, Marcos.

Nomeado diretor do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC), em 1992, só permanece até1995. A Rede Globo exibe a minissérie "As noivas de Copacabana", escrita em parceria com Dias Gomes e Marcílio Moraes.

Lança, em 1993, "Argumentação contra a morte da arte", que provoca polêmica entre artistas plásticos.

Morre, no Rio, sua mulher Thereza Aragão, em 1994. Seu livro "Luta corporal" ganha edição comemorativa a seus 40 anos de publicação. No Centro Cultural Banco do Brasil - Rio, ocorre um evento sobre o trabalho do poeta.

Em 1997, lança "Cidades inventadas", coletânea de contos escritos ao longo de 40 anos. Passa a viver com a poeta Cláudia Ahimsa.

No ano seguinte publica "Rabo de foguete - Os anos de exílio". É homenageado no 29º Festival Internacional de Poesia de Rotterdã.

Lança, em 1999, o livro "Muitas vozes" e é agraciado com o Prêmio Jabuti, categoria poesia. Recebe, também, o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Biblioteca Nacional.

"Ferreira Gullar 70 anos" foi o nome dado à exposição aberta em setembro de 2000, no Museu de Arte Moderna do Rio, para marcar o aniversário do poeta. Ocorre o lançamento da nona edição de "Toda poesia", reunião atualizada de todos os poemas de Gullar. O poeta recebe o prêmio Multicultural 2000, do jornal "O Estado de São Paulo". No final do ano, lança "Um gato chamado Gatinho ", 17 poemas sobre seu felino escritos para crianças.

?publicado na coleção Perfis do Rio “Ferreira Gullar - Entre o espanto e o poema”, de George Moura em 2001. São reunidas crônicas escritas para o “Jornal do Brasil” nos anos 60 no livro “O menino e o arco-íris”. Lança uma coleção infanto-juvenil “O rei que mora no mar”, poemas dos anos 60 de Gullar.

Em 2002, é indicado ao Prêmio Nobel de Literatura por nove professores titulares de universidades de Brasil, Portugal e Estados Unidos. São relançados num só livro, os ensaios dos anos 60: “Cultura posta em questão” e “Vanguarda e subdesenvolvimento”. Em dezembro o poeta recebe o Prêmio Príncipe Claus, da Holanda, dado a artistas, escritores e instituições culturais de fora da Europa que tenham contribuído para mudar a sociedade, a arte ou a visão cultural de seu país.

Lança “Relâmpagos”, reunindo 49 textos curtos sobre artes, abordando obras de Michelangelo, Renoir, Picasso, Calder, Iberá Camargo e muitos outros.

A edição 2010 do Prêmio Luís de Camões ficou com o brasileiro Ferreira Gullar. O mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, criado em conjunto pelos governos  do Brasil e de Portugal, render?ao escritor 100 mil euros. J?foram agraciados, entre outros, João Ubaldo Ribeiro, João Cabral de Melo Neto, Arménio Vieira, Rubem Fonseca, Miguel Torga, Antonio Candido, Lygia Fagundes Telles Lobo Antunes. O premiado poeta completa 80 anos em 10 de setembro, quando lançar?pela Ed. José Olympio "Em alguma parte alguma", seu primeiro livro de poemas em mais de uma década. Poeta consagrado, o maranhense é também ensaísta, tradutor, dramaturgo e crítico de arte — além de assíduo palestrante sempre acompanhado por platéias numerosas. Entre suas obras mais importantes estão "Poema sujo" (1976", "Argumentação contra a morte da arte" (1993) e "Muitas vozes" (1999).

BIBLIOGRAFIA

1. Individuais
Poesia:

Um pouco acima do chão, 1949

A luta corporal, 1954

Poemas, 1958

João Boa-Morte, cabra marcado para morrer (cordel), 1962

Quem matou Aparecida? (cordel), 1962

A luta corporal e novos poemas, 1966

História de um valente, (cordel, na clandestinidade, como João  Salgueiro), 1966

Por voc?por mim, 1968

Dentro da noite veloz, 1975

Poema sujo, 1976

Na vertigem do dia, 1980

Crime na flora ou Ordem e progresso, 1986

Barulhos, 1987

O formigueiro, 1991

Muitas vozes, 1999

Poemas reunidos:

Toda poesia, 1980

Antologias:

Antologia poética, 1977

Ferreira Gullar - seleção de Beth Brait, 1981

Os melhores poemas de Ferreira Gullar - seleção de Alfredo Bosi, 1983

Poemas escolhidos, 1989

Poesia completa, teatro e prosa, org. de Antonio Carlos Secchin, 2008

Contos:

Gamação, 1996

Cidades inventadas, 1997

Teatro:

Um rubi no umbigo, 1979

Crônicas:

A estranha vida banal, 1989

O menino e o arco-íris, 2001

Memórias:

Rabo de foguete - Os anos de exílio, 1998

Biografia:

Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde, 1996

Ensaios:

Teoria do não-objeto, 1959

Cultura posta em questão, 1965

Vanguarda e subdesenvolvimento, 1969

Augusto do Anjos ou Vida e morte nordestina, 1977

Tentativa de compreensão: arte concreta, arte neoconcreta - Uma contribuição brasileira, 1977

Uma luz no chão, 1978

Sobre arte, 1983

Etapas da arte contemporânea: do cubismo ?arte neoconcreta, 1985

Indagações de hoje, 1989

Argumentação contra a morte da arte, 1993

"O Grupo Frente e a reação neoconcreta", 1998

Cultura posta em questão/Vanguarda e subdesenvolvimento, 2002

Rembrandt, 2002

Relâmpagos, 2003

Disco:
Antologia poética de Ferreira Gullar (música de Egberto Gismonti), 1979

Televisão:

Adaptações:

Episódios da série "Aplauso", Rede Globo, 1979:
- Ilha das cabras, Ugo Betti
- As pequenas raposas, Lilian Helmann
- A lição, Eugéne Ionesco
- O preço, Arthur Miller
- Judas em Sábado de Alelúia, Martins Penna
- S?o fara?tem alma, Silveira Sampaio

Textos originais:

Dona Felinta Cardoso, a rainha do agreste, 1979

Episódios do seriado "Carga Pesada", Rede Globo, 1980:
- Em nome da santa
- O foragido
- Lance final
- Disputa
- Peru de Natal

Episódios do seriado "Obrigado doutor", Rede Globo, 1981:
- A crise
- Uma bela adormecida
- Go home
- Arma branca
- O comício
- O bode

Insensato coração, "Quarta nobre", Rede Globo, 1983.

Obras traduzidas pelo autor:

Teatro:

Ubu rei, Alfred Jarry, 1972
Cyrano de Bergerac, Edmond Rostand, 1985
Lés pays des éléphants, Louis-Charles Sirjacq, 1989
As mil e uma noites, 2000
Don Quixote de la Mancha, Cervantes, 2002

Literatura infanto-juvenil:

Fábulas, La Fontaine, 1997
Um gato chamado Gatinho, 2000
O rei que mora no mar, 2001

2. Em parceria:

Teatro:

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, com Oduvaldo Viana Filho, 1966

A saída? Onde fica a saída?, com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa, 1967

Dr. Getúlio, sua vida e sua glória, com Dias Gomes, 1968

Televisão:

Araponga, com Dias Gomes e Lauro César Muniz, 1990

As noivas de Copacabana, com Dias Gomes e Marcílio Moraes, 1992

Imprensa:

"O cavalheiro da esperança" (entrevista com o arquiteto Oscar Niemeyer), com Bruno Tolentino, 1997

Traduções:

Para o alemão:

Schmutziges Gedicht (Poema sujo), Frankfurt, 1985

Faule Bananen und andere Gedichte (Bananas podres e outros poemas, Frankfurt, 1986

Der grüne Glanz der Tage (O verde clarão dos dias), Munique, 1991

Para o espanhol:

La lucha corporal y otros incendios (A luta corporal e outros incêndios, Caracas, 1977

Hombre comun y otros poemas (Homem comum e outros poemas), Buenos Aires, 1979

Poesía (Antologia poética), Cuenca, 1982

Poemas, Lima, 1987

En el vértigo del dia (Na vertigem do dia), México, 1998

Poema sucio (Poema sujo), Madri, 1998

Para o inglês:

Dirty Poem (Poema sujo), Nova York, 1991

Montagens teatrais:

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Direção de Gianni Ratto.
Teatro do Grupo Opinião - Rio de Janeiro, 1966

A saída? Onde est?a saída? Direção de João das Neves.
Teatro do Grupo Opinião - Rio de Janeiro, 1967

Poema sujo. Direção de Hugo Xavier.
Sala Sidney Miller - Rio de Janeiro, 1980

Dr. Getúlio, sua vida e sua glória. Direção de José Renato.
Teatro João Caetano e Teatro do Grupo Opinião - Rio de Janeiro, 1968 e
Teatro João Caetano, direção de Flávio Rangel, 1983

Um rubi no umbigo. Direção de Bibi Ferreira, Teatro Casa Grande - Rio de Janeiro, 1979.

Documentários:

O canto e a fúria. Direção de Zelito Viana. Mapa Filmes, 1996

São Luís do Maranhão de Ferreira Gullar. Direção de Helder Aragão e Marcelo Gomes. Pólo de Imagem/TV Cultura, 1997.

NASCEU:  No dia 10 de setembro de 1930.
FALECEU: No dia 04 de dezembro de 2016.


Dados extraídos de livros, revistas e sítios da internet, em especial dos Cadernos de Literatura Brasileira, publicados pelo Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SERRA TALHADA RECEBERÁ INVESTIMENTOS EM AUDIOVISUAL VIA MINC

Os cerca de 85 mil habitantes de Serra Talhada (PE), localizado a 417 km da capital Recife, serão beneficiados com a possibilidade de mais acesso a obras em formato audiovisual. O Ministério da Cultura (MinC) celebrou, com a prefeitura da cidade, convênio que prevê a montagem do núcleo de produção digital local; a criação de uma rede Cine Mais Cultura, com oito cineclubes; e a instalação do Canal da Cidadania. A oficialização do convênio foi divulgada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (30).
 
Iniciado no último dia 17, o convênio segue até 17 de novembro de 2018. Ele é resultado do edital Comunica Brasil de Fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura, que selecionou 11 projetos em duas modalidades, no valor total de até R$ 3,8 milhões. A realização do edital se deu por meio de parceria entre as secretarias do Audiovisual (SAv) e de Articulação Institucional (SAI) do Ministério da Cultura. Nessa edição do edital, Serra Talhada foi a única contemplada na segunda modalidade, destinada a municípios com população de 50 mil até 200 mil habitantes. O valor do repasse do ministério é de R$ 790 mil, com contrapartida municipal de R$ 197,5 mil.
 
Para a seleção das propostas, foram levados em consideração critérios como relevância, gestão, impacto territorial, alcance, transversalidade, desdobramento e sustentabilidade, ou seja, a capacidade de assegurar a continuidade das ações contempladas no edital. Além disso, é necessário o cumprimento de um dos principais requisitos para a premiação: ter o Sistema Municipal de Cultura instalado.
 
Com o Núcleo de Produção Audiovisual (NPD), os moradores de Serra Talhada terão a infraestrutura técnica para produção audiovisual e para a formação de profissionais, mediante oficinas, cursos de capacitação e aperfeiçoamento técnico.
 
Nos cineclubes, além da instalação da infraestrutura para exibição de filmes com equipamento de projeção digital, também haverá oficinas para formação de público.
 
Já o Canal da Cidadania, depois de implantado, contará com a produção local de programas culturais e jornalísticos que pretendem incluir e valorizar a cultura local em suas diversas formas, destacando a identidade da cidade – como o xaxado, por exemplo. 
 
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

MORRE A EDUCADORA, POETISA E ESCRITORA NEVINHA PIRES

Faleceu no Hospital Português, no Recife, de falência múltipla dos órgãos, a professora e poetiza Nevinha Pires.
Talentosa e muito querida pela comunidade tabirense e do Pajeú, Nevinha era uma das filhas de Pedro Pires, um dos nomes mais importantes da história de Tabira e da região.
Como escritora, uma das obras mais conhecidas é Tabira e Sua Gente, de 1985, editado pela UFRPE. Também é autora de Tabira, histórias e estórias, de 1998.  Dente os irmãos, o ex-deputado estadual José Pires, primeiro da história de Tabira.
O Prefeito Sebastião Dias decretou luto oficial. Nevinha Pires será sepultada neste domingo às quatro da tarde, em Tabira. Seu corpo será velado na Escola Pedro Pires, uma das mais tradicionais da cidade, onde lecionou por anos.
Nas redes sociais, várias já são as homenagens. “Era de todas as personalidades femininas da cidade, aquela que melhor representava-as, pelo amor à cidade, dedicação à Educação, apreço à Cultura e enorme afeto pelo nosso Povo do Pajeú”, disse Paulo Pires.
“Grande baluarte da sociedade tabirense, deixa um grande legado para a Poesia e para a Educação daquela cidade”, diz Erivelton Gomes. Poetas como Dedé Monteiro e Dudu Morais também expressam suas condolências à família.

sábado, 26 de novembro de 2016

MORRE FIDEL, O COMANDANTE DA REVOLUÇÃO

FIDEL ALEJANDRO CASTRO RUZ - (Birán) 13 de agosto de 1926- Havana 25 de novembro de 2016, foi um revolucionário cubano principal líder da Revolução Cubana (1953-1959), primeiro-ministro de Cuba (1959-1976) e primeiro presidente do Conselho de Estado da República de Cuba (1976-2008). Até 2006 foi primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.

Apesar das controvérsias, foi durante o governo de Castro que Cuba alcançou índices elevados de desenvolvimento humano e social, como a menor taxa de mortalidade infantil das Américas, erradicação do analfabetismo  e da desnutrição infantil], tratamento gratuito de mais de 124 mil vítimas do  acidente nuclear de Chernobil, participação direta na luta pelo fim do Aparthaid na África do Sul,  treinamento de médicos do Timor Leste, entre outros.

Líder e secretário-geral do partido desde sua fundação, em 1965, em 19 de abril de 2011, Fidel, que já havia entregue o cargo de presidente em 2006, foi substituído como secretário-geral do Partido Comunista Cubano por seu irmão, Raúl Castro, retirando-se oficialmente da vida política do país. Ganhou o Prêmio Olivo da Paz do Conselho Mundial da Paz em 2011 pela coexistência pacífica entre as nações e por ser uma personalidade que contribuiu para o desarmamento.

INFÂNCIA E ESTUDOS

Castro nasceu fora do casamento na fazenda de seu pai em 13 de agosto de 1926. Seu pai, Ángel Castro y Argiz, foi um migrante de Cuba a partir da Galiza, Noroeste da Espanha.  Ele tinha se tornado um bem sucedido produtor de cana-de-açúcar na fazenda de Las Manacas, em Biran Provincia do Oreinte e depois do colapso do seu primeiro casamento, ele tomou sua serva doméstica, Lina Ruz González, como sua amante e mais tarde sua segunda esposa; juntos eles tiveram sete filhos, entre eles Fidel.  Com 6 anos de idade, Castro foi enviado para viver com seu professor, em Santiago de Cuba,  antes de ser batizado na Igreja Católica Romana aos 8 anos.  Ser batizado habilitou Fidel a estudar no colégio La Salle, em Santiago, onde regularmente se comportava mal, e por isso foi enviado ao financiamento privado, a escola jesuita Dolores, em Santiago. Em 1945 transferiu-se para o colégio jesuíta mais prestigiado, El Colegio de Belén, em Havana. Embora ele tivesse um interesse em história, geografia e debatido em Belén, ele não se destacou academicamente, em vez disso dedicou boa parte de seu tempo a praticar esportes.

Em 1945, Castro começou a estudar Direito na Universidade de Havana. Admitindo que ele era "politicamente analfabeto", se envolveu em ativismo estudantil e a violenta cultura gangsterista dentro da universidade. Apaixonado por anti-imperialismo e opondo-se a intervenção dos Estados Unidos no Caribe, ele, sem sucesso, fez campanha para a presidência da Federação de Estudantes Universitários (Federación Estudiantíl Universitaria - FEU) com uma plataforma de "honestidade, decência e justiça".Tornou-se crítico da corrupção e violência do governo do presidente Ramón Grau, com um discurso público sobre o assunto em novembro de 1946, que lhe valeu um lugar na primeira página de vários jornais.

Em 1947, Castro entrou para o Partido Socialista do Povo Cubano (Partido Ortodoxo), fundado pelo político veterano Eduardo Chibás. Uma figura carismática, Chibás defendeu a justiça social, o governo honesto, e liberdade política, enquanto que o seu partido estava exposto a corrupção e exigia reformas. Apesar de Chibás perder a eleição, Castro permaneceu empenhado em trabalhar em seu nome. A violência estudantil em Grau logo se intensificou empregando líderes de gangues como policiais, e Castro logo recebeu uma ameaça de morte instando-o a deixar a universidade; recusando-se, começou a carregar uma arma e a cercar-se de amigos armados. Nos anos posteriores dissidentes anti-Castro o acusaram de cometer assassinatos relacionados com gangues na época, mas isto permanecem sem comprovação.

 

INÍCIO DA CARREIRA POLÍTICA

Depois de graduado, dedicou-se de modo especial à defesa dos opositores ao governo, trabalhadores e sindicatos, denunciou as corrupções e atos ilegais do governo de Carlos Prío através do diário Alerta e das emissoras Radio Álvarez e COCO e se vinculou estreitamente ao Partido do Povo Cubano (Ortodoxo) que era liderado por Eduardo Chibás, partido pelo qual seria candidato a Representante nas eleições de 1952. O golpe de estado em 10 de março de 1952 por Fulgencio Batista, ao qual Fidel condenou no diário La Palabra e pretendeu levar aos tribunais, o convenceu da necessidade de buscar novas formas de ação para transformar a sociedade cubano.

Nos dias que se seguiram ao golpe, imprimiu em mimeógrafo e distribuiu clandestinamente sua denúncia. Uniu-se a jovens que editavam o periódico mimeografado clandestino, Son los Mismos, sugeriu a troca de seu nome pelo de El Acusador e foi coeditor desse novo órgão, onde assinou seus trabalhos apenas com seu segundo nome, Alejandro. Este mesmo pseudônimo utilizaria mais tarde em suas correspondências e mensagens. Daquele grupo sairia o núcleo inicial de jovens que sob seu comando atacariam de assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba e de Céspedes, (Bayamo) em 26 de julho de 1953 e fundaria depois o Movimento Revolucionário 26 de Julho (M-26-7).

A HISTÓRIA ME ABSOLVERÁ

No julgamento que se seguiu pelas ações, assumiu sua própria defesa e defendeu o direito dos povos de lutarem contra a tirania. Condenado a quinze anos de prisão, começou a cumprir a pena na prisão de Boniato (Santiago de Cuba) e depois foi transferido ao Presídio Modelo (Isla de Pinos), onde reelaborou sua auto-defesa que levou o nome de A História me Absolverá, e teve sua primeira publicação e distribuição clandestinas em 1954 e desde então foi editada numerosas vezes em Cuba, como em muitos outros países e traduzido nos mais diversos idiomas.

ANISTIA

Após ser anistiado em maio de 1955 graças a um amplo movimento popular, ocorreu uma intensa tarefa periodística de caráter político através do diário La Calle e do semanário Bohemia e em aparições radio-auditivas e televisivas enquanto estruturava o movimento 26 de julho em escala nacional e internacional.

NOVO EXÍLIO NO MÉXICO

Porém, ao começarem a censurar seus artigos e cerrar as vias e meios legais de expressão de suas ideias, decidiu seguir, apenas dois meses depois ao seu exílio no México onde trabalhou na preparação dos homens que o acompanhariam em seu intento de iniciar a luta insurrecional em Cuba, participou em atividades políticas, escreveu o Manifesto número um do Movimento 26 de Julho ao povo de Cuba que circulou clandestinamente na Ilha e firmou, com José Antonio Echeverría, presidente da FEU, o Pacto do México a favor da unidade das forças que se opunham à ditadura de Fulgencio Batista.


PREPARAÇÃO DA REVOLUÇÃO

Em 1955 viajou aos Estados Unidos em busca de apoio dos emigrados cubanos neste país. Pronunciou discursos em Nova York e Miami. Ao fim de novembro de 1956, partiu do porto mexicano de Tuxpan, a bordo do Iate Granma, com várias dezenas de combatentes e em 2 de dezembro desembarcaram na praia Las Coloradas, próxima a Niquero (Oriente), e se abrigaram em Sierra Maestra onde permaneceu por mais de dois anos à frente do Exército Rebelde Cubano, do qual era comandante-em-chefe.

Neste ínterim, desenhou e guiou a tática e a estratégia da luta contra a ditadura batistiana, financiada e apoiada pela unidade de ação das forças opositoras revolucionárias. Comandou diversos combates que culminaram em vitórias de suas tropas, orientou a criação de novas frentes guerrilheiras em Oriente e Las Villas, trabalhou na preparação de leis fundamentais que deveriam promulgar-se uma vez alcançada a vitória e divulgou suas ideias nacional e internacionalmente, através de meios improvisados na própria Sierra Maestra como o periódico El Cubano Libre, a emissora Radio Rebelde - ainda atuante - e mediante entrevistas realizadas por periodistas cubanos e estrangeiros.


PÓS-REVOLUÇÃO

Depois do desmonte do regime ditatorial pela fuga de Batista em 1 de janeiro de 1959, convocou generais para consolidar a vitória da Revolução e marchou até Havana, onde entrou em 8 de janeiro. O Governo revolucionário instaurado o designou primeiramente Comandante em Chefe de todas as forças armadas e depois, em meados de fevereiro, Primeiro Ministro.

 Fidel Castro visitou, após a vitória, os Estados Unidos. A URSS deu apoio econômico e militar ao novo governo de Castro, comprando a maioria do açúcar cubano. A partir de então, Cuba passou a sofrer um embargo econômico por parte dos Estados Unidos. A este respeito Fidel Castro disse:   

“Nosso povo heróico lutou 44 anos desde uma pequena ilha do Caribe, a poucas milhas da mais poderosa potência imperial que a humanidade já conheceu. Com ele escreveu uma página sem precedentes na história. Nunca o mundo viu uma luta tão desigual.” — Discurso de 1 de maio de 2003, em Havana.

Imediatamente começou a impulsionar a criação de um novo aparato estatal, escreveu leis a favor dos setores mais desfavorecidos, entre essas leis encontra-se a lei de Reforma Agrária, que firmou ainda em Sierra Maestra em 17 de maio. Também fundou órgãos de novo tipo como o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA, do qual foi seu primeiro presidente) e instituições culturais como a Imprensa Nacional de Cuba e o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC). O anúncio de sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro em meados de julho de 1959 pelos obstáculos colocados pelo presidente Manuel Urrutia às leis e medidas revolucionárias, motivou uma massiva exigência popular para que se reincorporasse ao mesmo e forçou a renúncia do presidente.

Em 26 de julho retomou o cargo. A partir de então pode levar adiante, desde os primeiros anos posteriores ao triunfo da Revolução, medidas e atividades de grande envergadura para o desenvolvimento ulterior do pais em todas as ordens, como a nacionalização de empresas estrangeiras, a Reforma Urbana, o desenvolvimento da indústria nacional e a diversificação agrícola, a campanha de alfabetização, a nacionalização e gratuidade do ensino em todos os níveis, a eliminação da saúde pública privada e do desporte profissional, a melhoria das condições de vida dos setores mais populares, o estabelecimento de vínculos com nações de todo o mundo e todos os sistemas sociais de governo, a incorporação de Cuba ao Movimento de Países Não Alinhados, a definição de uma política exterior independente, e a declaração do caráter socialista da revolução em abril de 1961.

Conseguiu, ademais, a unidade das forças revolucionárias e anti-imperialistas do país em organizações massivas como a Associação de Jovens Rebeldes (ARJ), os Comitês de Defesa da Revolução (CDR), as Milícias Nacionais Revolucionárias (MRN), a União de Pioneiros de Cuba (UCP), a Federação de Mulheres Cubanas (FMC) e outras de caráter mais seletivo e político. Escreveu textos fundamentais da história contemporânea de Cuba e da América Latina como os da Primeira (1960) e Segunda (1962) Declaração de Havana. Em abril de 1961 dirigiu pessoalmente as tropas que derrotaram a invasão mercenária em Playa Girón, financiada e organizada pelos Estados Unidos.

 

Sua intervenção em uma reunião com escritores e artistas na Biblioteca Nacional José Martí em junho de 1961, publicada depois sob o título Palavras aos Intelectuais, definiu aspectos da política cultural da Revolução ainda vigentes e facilitou a realização, em agosto deste mesmo ano, do Primeiro Congresso Nacional de Escritores e Artistas de Cuba. Foi membro do conselho de direção de Cuba Socialista (1961-1967). Desde outubro de 1965, quando o PURCS tomou o nome de Partido Comunista de Cuba, (PCC), têm sido membro de seu Comitê Central e seu Primeiro Ministro.

Assim mesmo, ao constituir-se a Assembléia Nacional do Poder Popular em 1977, esta o elegeu Presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, cargos nos quais tem sido ratificado desde então. Por suas responsabilidades a frente do PCC, o Estado e o Governo cubanos tem sido o principal orientador e impulsor das estratégias de desenvolvimento do país em todos os sentidos, assim como o arquiteto da política internacional da Revolução Cubana.


RELAÇÕES MUNDIAIS

A partir de 1959 tem viajado a uma infinidade de países da América LatinaEuropaÁfrica e América do Norte, para representar Cuba em congressos e conferências dos mais diversos tipos e organizações, assim como em outras atividades oficiais e visitas amistosas. Em 1959 foi ao Brasil, onde foi recebido pelo presidente Juscelino Kubitschek. Anteriormente já havia se encontrado com o deputado Jânio Quadros (que depois viria a ser presidente do Brasil).

Em 13 de março de 1995, Fidel faz sua primeira visita à França, a uma potência ocidental desde a revolução de 1959. Na ocasião, Fidel declarou que a visita significava o fim do apartheid imposto a Cuba pelo Ocidente e atacou o bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos há mais de três décadas.

De especial significado tem sido sua presença nas cúpulas do Movimento de Países Não-Alinhados. Documentos políticos, discursos, intervenções, artigos e entrevistas suas têm sido difundidos em livros próprios ou compilações, em filmes e nos mais importantes órgãos de imprensa escrita e emissoras de rádio e televisão de Cuba e de todo o mundo. Em 1961 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

Várias universidades da Europa e América Latina lhe conferiram o título de Doctor Honoris Causa. Tem recebido também múltiplas condecorações por seu labor em prol das relações com outros países, assim como o Prêmio Mijail Sholojov outorgado pela União de Escritores da Rússia em 1995.




TRANSFERÊNCIA INÉDITA E RETIRADA DE PODER

Em 26 de julho de 2006, Fidel Castro ia a bordo de um avião que fazia a viagem entre as cidades cubanas de Holguín e Havana quando teve uma primeira hemorragia relacionada com a doença nos intestinos que o afastou da vida pública.

Não havia nenhum médico a bordo do avião, por isso o aparelho aterrou de emergência para que Fidel Castro fosse hospitalizado. A doença do líder histórico cubano foi então considerada segredo de Estado, mas foram mobilizados os melhores médicos e quatro meses depois, o médico espanhol José Luis Garcia Sabrido, chefe de cirurgia do hospital Gregório Marañón em Madrid, viajou até Cuba para acompanhar a situação.

Em 1 de agosto de 2006, Fidel Castro delegou em caráter provisório, por conta de uma doença intestinal que, segundo o próprio, seria grave, suas funções de comandante supremo das Forças Armadas, secretário-geral do Partido Comunista de Cuba e de presidente do Conselho de Estado (cargo máximo da República Cubana) ao seu irmão Raúl Castro, Ministro da Defesa. Inúmeras críticas surgiram, e em outubro de 2006 a imprensa mundial afirmou que ele tem um câncer, fato não confirmado.

Em 19 de fevereiro de 2008, Castro anunciou ao jornal do Partido Comunista, o Granma, que não se recandidataria ao cargo de presidente de Cuba, cinco dias antes de o seu mandato terminar.

O poder passou em definitivo para as mãos de seu irmão Raúl Castro após Fidel Castro decidir retirar-se do poder em 24 de fevereiro de 2008, após o parlamento definir a nova cúpula governamental. Cinco dias depois, Fidel anunciou que não aceitaria novamente, se eleito, o cargo de Chefe de Estado. Em uma mensagem publicada no jornal oficial Granma, ele escreveu e assinou:

“Não aspirarei nem aceitarei - repito - não aspirarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-em-Chefe”.

Ele também escreveu que estaria traindo sua consciência ocupando uma responsabilidade que requer uma mobilidade que não estaria mais em condições físicas de exercer. Mesmo com a renúncia de Castro, o ex-presidente americanoGeorge Bush, não retirou as sanções americanas impostas a Cuba. Fidel Castro diz que continuará escrevendo sua coluna no jornal cubano e não pode continuar no poder por insuficiência em sua saúde. Ele permaneceu como membro do parlamento após a sua eleição como um dos 31 membros do Conselho de Estado. Também manterá o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba.

 



A MORTE

Fidel Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos. A morte do líder cubano foi anunciada pela TV estatal cubana. Castro morreu às 22h29 e o corpo do ex-presidente de Cuba será cremado, "atendendo a seus pedidos", informou Raúl Castro, na TV estatal. A última vez que Fidel havia sido visto publicamente foi em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

 

FRASES DE FIDEL

Ele (Jesus Cristo) foi o primeiro comunista. Repartiu o pão, repartiu os peixes e transformou a água em vinho.

Um revolucionário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral.

Um revolucionário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral.

Hoje milhões de crianças dormirão na rua, nenhuma delas é cubana.

A história absolver-me-á.

Os homens não moldam o seu destino. O destino produz o homem de cada momento.

Os homens passam, os povos ficam; os homens passam, as idéias ficam.

Não necessitamos que o império nos presenteie com nada.                   

As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância.

Uma revolução não é um mar de rosas. É uma luta de morte entre o futuro e o passado.

Pátria ou morte!

As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância.