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sexta-feira, 20 de maio de 2016

CARLOS SILVA: 21 ANOS FAZENDO O TEATRO SERRA-TALHADENSE ACONTECER

 

Publicamos entrevista com o integrante da Fundação Cultural Cabras de Lampião, que é um dos mais notórios artista da Capital do Xaxado, é ator, diretor e produtor cultural, escritor e membro fundador da Academia Serra-talhadense de Letras (cadeira 27); há 3 anos (completa em 10 de junho 2016) adentrou na Fundação Cultural Cabras de Lampião que é realizadora dos maiores eventos culturais de Serra Talhada. Aqui ele fala sobre seu início de a carreira e suas perspectivas de futuro.

- Como surgiu o seu interesse pelo teatro?
Carlos Silva - Vendo televisão. Na realidade até os 11 anos não sabia o era isso: Televisão? Teatro? Cinema? morava em Caiçarinha da Penha, 3º distrito rural de Serra, aonde a energia veio chegar em 2001, mais ainda nos noventa, a gente veio morar na sede do município e tomei conhecimento da TV (na casa dos vizinhos, claro!) mamãe batia na gente e não queria os filhos indo “pras casas” como dizia. Na época passava a novela VAMP às 19h e me encantei com os efeitos especiais e tal, achava tudo surreal, só depois, bem depois fui saber que era gente igual a mim que fazia aquilo e me veio o interesse em fazer teatro, ou seja, imitar o que via passar na Televisão.

 – Então, como começou de fato a fazer a representar?
Carlos Silva - Alguns anos depois quando estava estudando na Escola Methódio Godoy (1995), veio uma oficina de teatro e fui o primeiro a se inscrever e daí não parei mais. Sou apaixonado pela arte de interpretar, de ser outros seres, de contar histórias através das cenas para o público.

 – Em seu 'rol' familiar havia outros artistas?
Carlos Silva - Que era do meu conhecimento na época não. E acho que isso foi o maior incentivo para seguir carreira, pois vi nisso a possibilidade de trilhar outro caminho, de ter uma profissão diferente, de ser diferente. Três anos depois (1998) estava indo a Recife fazer curso de Teatro e Vídeo e hoje estou a fazer espetáculos, clips musicais, comercial pra TV, documentários, enfim, trilhando meu caminho, com a mesma paixão e afinco do início.

– Em se tratando de Teatro, quais são suas influências?
Carlos Silva - A arte em si te traz uma gama de possibilidades. Eu trabalho com 2 modalidades: a arte Cênica e a Arte literária, no teatro comecei com esquetes educativos e depois com minha própria dramaturgia, pois, não havia recursos para se montar peças de outros autores, isso aconteceu um tempo depois, não recebo muitas influências, afinal aqui não dispomos de grandes interpretes ou companhias teatrais, então absorvo o que leio e sempre que posso vou a festivais e/ou assistir espetáculos para me inteirar do que está se fazendo por aí; mais a criação artística é livre, as peças que faço são as que quero fazer e isso depende do momento ou das condições de elenco e financeira. Em se tratando de método gosto de Stanilavisk (1863-1938), um artista cênico russo que desenvolveu um método para a criação da personagem, que usa entre outros elementos, ‘as circunstâncias dadas’.

– Suponho que beba dessa fonte em sua criação artística?
Carlos Silva – De certo modo: sim, fiz algumas oficinas com Modesto de Barros, que é um seguidor desse método e acabei absorvendo também, pois deixa o trabalho com ar naturalista, bem próximo da realidade, mas no mundo das artes, você não deve se ater a regras ou métodos, isso ajuda, mais sua intuição, imaginação e criatividade é o que conta, a pesquisa e o estudo é essencial, o conhecimento é vital, você absorve e transforma para se chegar a um resultado final digno de aplausos.

– Além de ator e diretor, você também escreve? Qual sua inspiração?
Carlos Silva – Exatamente, e no caso do teatro também alguns espetáculos. Na literatura vou pela inspiração momentânea, meus poemas, crônicas e textos teatrais, falam do cotidiano, daquilo que vivo e sinto; alguém pode encontrar semelhança com a escrita de um outro autor; mais num sigo um caminho específico. Coloco no papel o que minha inspiração permite. Então, não saberia dizer que tipo ou de quem recebo influência, adquiro-a e transformo para o bem ou mal em minha arte. O que posso afirmar é que leio muito.

 - Quantas peças já encenou e quais foram a que mais lhe marcaram?

Carlos Silva - (Risos) Se for contar com os inúmeros esquetes (peças curtas) e Performances passa de 30, mais vamos ficar com os espetáculos que realmente contam e que deram trabalho pra fazer e me trouxeram muita alegria, então, posso contar 17 trabalhos. Quanto ao que mais me marcou? Digo que todos marcam, cada espetáculo é único, assim como cada livro. (pára emocionado; suspira) Cito o primeiro: VIDA DE ESCADA de autoria do professor Dierson Ribeiro; seguido de CONFISSÕES – UMA COMÉDIA DIVINA de minha autoria, que marcou época e já teve 2 montagens, sendo inclusive premiado em festivais de Triunfo e Tuparetama/PE nos anos de 2001 e 2002; em seguida Neurose – a cidade e seus sentidos uma adaptação minha da obra de José Expedito Marques, com direção de Gilberto Gomes, que segue em meu repertório e apresentaremos em maio no CEU das Artes da Caxixola; um outro que marcou muito foi a  tragédia Jesus & Judas – Traição ou Missão? com dramaturgia de Adriano Marcena. Na realidade cada trabalho lhe marca de uma maneira singular, o trabalho mais recente Fulana, Sicrana, Beltrana, é outra comédia que chamou muita atenção.

 – Você falou em repertório, como se dá o processo de criação do espetáculo e fica em média por quanto tempo sendo apresentando?
Carlos Silva – O processo de criação de cada personagem começa do zero e no final você está cheio de conhecimento e dá vida aquele ser como se a história dele fosse sua e a sua fosse dele, tem um envolvimento, um encantamento, um fascínio arrebatador. Em se tratando da montagem da peça o processo de produção dura em média seis meses; sobre o tempo de vida de um espetáculo varia hoje entre 2 a 5 anos, vai do elenco, que é sempre sazonal e/ou das oportunidades de apresentação. Tenho 2 monólogos em meu repertório: OS MALEFÍCIOS, que estreou em 22 de janeiro de 2005 no Auditório do Colégio Cônego Torres e o faço até os dias atuais e também NEUROSE – A CIDADE E SEUS SENTIDOS, que data de 2009 e é o mais eu apresento até hoje. Enfim, como disse o dramaturgo espanhol Frederico García Lorca “O teatro é a poesia que sai do livro e se faz humana”.

– Você fala de maneira apaixonada sobre seu fazer teatral, se não fosse ator, qual outra profissão teria?
Carlos Silva – Paixão que faço, já me disseram isso e realmente Teatro é minha paixão primeira. Acho que se não fosse artista, seria jornalista, ou algo que tivesse relação com a comunicação tipo rádio.

– Quais suas expectativas para o futuro?
Carlos Silva – Continuar meu caminho, criando oportunidades e aprimorando minha arte dentro das possibilidades que me são possíveis; um artista cênico nunca está 100% formado. Está sempre em contínua formação. Será inaugurado em maio o Cine-Teatro do CEU das Artes no bairro Caxixola com equipamentos modernos e adequados para o fazer teatral, isso nos alegra deveras enquanto artista. A FCCL tem uma preocupação com a formação continuada e de seus artistas, então, minhas expectativas de futuro são as melhores.

– Que mensagem você deixa para quem almeja ingressar nessa profissão?
Carlos Silva – Que venham preparados, pois é um caminho espinhoso demais, no entanto, arrebatador, basta que tenha vontade e aqui me atrevo a citar Stanislavski, quando diz: “A disciplina férrea é absolutamente necessária em qualquer atividade em grupo. Isto se aplica sobretudo à complexa atividade de uma representação teatral. Sem disciplina, não pode existir a arte do teatro.


Um comentário:

Adriano Marcena disse...

Querido Carlos, receba meus cumprimentos com léguas de atraso e uma multudão de pedidos de desculaps, mas sinceros como a quentura do sol e a inventividade guerreira dos cangaceiros.

Parabéns pela grande contribuição que tens dado à cultura brasileira ao longo de mais de duas décadas.

Grande Abraço
Adriano Marcena