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sábado, 30 de julho de 2016

CINEASTA E MÚSICO, PETRÔNIO DE LORENA AGREGA EXPERIÊNCIAS AO FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS

Costa Neto

Por: Marina Suassuna
Uma das novidades da Mostra de Cinema do FIG, este ano, é a ampliação de filmes pernambucanos seguidos de debates, que proporcionam uma maior interação com o público interessado em pensar e discutir cinema dentro do festival. A curadoria também apostou em produções que tiveram boa circulação em festivais e receptividade positiva do público e da crítica. Um deles foi o documentário O Gigantesco Ímã, de Petrônio de Lorena e Tiago Scorza, exibido na última terça-feira (26). Filmado com recursos dos próprios realizadores nas cidades de Serra Talhada e Petrolina, o longa foi reconhecido em vários festivais, entre eles o 8° Festival de Cinema de Triunfo, em 2015, onde ganhou o prêmio principal de melhor longa-metragem do júri oficial, além de melhor trilha sonora, e também no 19º Cine PE, onde recebeu os prêmios de Menção Honrosa e Melhor Trilha Sonora.
A repercussão em torno do filme se deu, principalmente, pelo tema original, que apresenta a vida e a obra de um personagem real, o inventor e cientista popular Evangelista Ignácio de Oliveira. Evangelista leva a vida reciclando máquinas e equipamentos eletrônicos descartados, com os quais constrói desde câmeras de cinema até instrumentos ópticos e astronômicos. Figura pitoresca, foi responsável pela construção de uma asa delta para saltar do ponto mais alto de sua cidade natal, ainda na década de 1970, o que lhe rendeu entrevista no programa de Jô Soares.
“É um filme com pessoas de Pernambuco, cientistas que não são da mídia. São justamente os outsiders da criação, aqueles que estão à margem do conhecimento porque são pobres mesmo e trabalham com sucata e inventam coisas, transformam o cotidiano, dão aula de inteligência, e as pessoas não exibem. Sempre me encantou essa coragem do Evangelista para o novo, para criar num lugar onde muita gente demonstrava viver a tradição, repetindo os mesmos padrões dos pais, o mesmo comportamento e valores. Ele, por ser uma pessoa completamente avessa a esse princípio, me chamava muita atenção”, contou Petrônio de Lorena, ao portal CulturaPE, sobre a escolha do personagem.
A relação de Petrônio com o FIG é marcada por duas experiências. A primeira em 2012, quando ministrou uma oficina de formação em audiovisual, e a segunda vez no ano seguinte, quando exibiu o curta-metragem Calma Monga, calma!. Para ele, trazer O Gigantesco o Ímã para o festival esse ano tem um significado importante, já que ele nasceu e gosta muito de estar nos interiores. Além disso, lhe  interessa “dialogar com um festival que já tem uma tradição de espaço aberto para as produções locais. Quanto mais espaços para exibir, mais feliz eu fico. Porque é um filme feito para dentro, para o interior, para que as pessoas possam se ver e ver o que acontece nessas cidades e seus arredores, e estimular a formação e a realização nesses locais”.
Natural de Serra Talhada, Petrônio diz que nunca imaginou fazer cinema. Seu interesse pela área surgiu a partir do convívio com realizadores que foram essenciais para que ele tomasse gosto e se especializasse na área. Esse mesmo estímulo ele pretende passar com seu documentário. “Filmes como O Gigantesco Ímã são importantes para mostrar que quem estiver afim de fazer, é possível realizar. Até mesmo pelo próprio exemplo do Evangelista, um cara que inventa do nada,  que fez um protótipo de asa delta. Ele não conseguiu estudar na época dele, mas, ainda assim, fez uma asa delta e outras pessoas voaram, por mais que tenha sido proibido pela polícia”.
Após a sessão, Petrônio conversou com o público sobre o processo do filme. Um dos pontos destacados foi o processo de produção, resultado de 13 anos de convívio com o protagonista. O cineasta filmou o documentário em partes, um pouco a cada ano, até ser concluído em 2014 graças ao edital de finalização do Funcultura Audiovisual, que também garantiu a distribuição do filme por 15 praças. “Documentário digital no Brasil ainda sofre um certo limite de lugares pra exibir. É interessante você planejar uma distribuição, uma propaganda. Porque um filme de ficção com certeza teria mais abertura. Mas as pessoas ainda relacionam muito o documentário com reportagem. Quando você chega no interior e está envolvido numa mostra, e o pessoal pede pra levar um filme, eu digo que tenho um documentário e eles negam, dizem que querem um filme mesmo. Ainda enfrentamos esse problema pelo público comum. Muita informação do gênero documentário fica restrita às universidades, aos amantes da sétima arte e da cultura”, pontuou no debate.
Juarez Ventura

No mesmo dia, Petrônio agregou uma outra experiência a sua participação no FIG. Se apresentou com sua banda no Som da Rural, no Parque Euclides Dourado. Apesar de serem duas experiências diferentes dentro de um mesmo festival, ele considera que os trabalhos estão interligados, sobretudo pelo fato do repertório do show ser, em parte, a trilha sonora do filme, que, inclusive, foi reconhecida no circuito competitivo. “Quando eu ensaio menos, tento desenvolver uma segurança pra improvisar e assim poder conciliar os trabalhos. Já toquei algumas vezes no Som da Rural, mas no FIG é a primeira vez. Isso é muito bom porque meu trabalho chega em outras cidades, sobretudo no interior. É massa pra pessoas não acharem que certas culturas ficam somente na capital”.

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