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segunda-feira, 11 de julho de 2016

MOSTRA AGRÍCOLA DE CINEMA ORGÂNICO EM SERRA TALHADA


A Mostra Agrícola de Cinema Orgânico ( MACO) surgiu da vontade de levar para o ambiente agrícola um cinema de identificação  onde o que é exibido na tela pode ser considerado o reflexo da vida do agricultor, com suas dificuldades, prazes e , sobretudo, singularidades.
Com intuito de escolher o melhor local para a realização da primeira edição da MACO fizemos uma pesquisa in lócus explorando os locais mais propícios e coletando informações com a população. Assim, chegamos ao distrito do município de Serra Talhada chamado, Santa Rita, no sertão pernambucano. O público diário, com cerca de 200 pessoas, era formado essencialmente por agricultores e agricultoras, jovens e adultos, mas também crianças, muitas crianças entusiasmadas. Foram exibidos um total de 18 (dezoito) filmes, sendo três longas-metragens e 15 (quinze) curtas, durante os três dias da mostra (25, 26 e 27 de julho 2014). As sessões foram divididas entre Sessão de Aproximação, Sessão Desafio e Sessão Profunda. Cada sessão era composta por um longa e cinco curtas que dialogavam diretamente com a proposta homônima da sessão em relação ao audiovisual e a prática agrícola.
A produção da MACO encarou o desafio de realizar uma mostra de cinema em um local pouco ou nada usual para a prática. Além do ineditismo da proposta, de levar cinema não apenas para o ambiente rural, mas para um ambiente de plantação, de germinação do alimento, a MACO propôs levar o cinema para a terra, ou seja, levar a semente do cinema. Isso não foi fácil e as dificuldades foram de ordens diversas. A primeira fase foi a de conseguirmos financiamento e parceiros para a proposta. Esta fase levou 3 anos de preparação e estruturação da idéia até a formulação do projeto e a contemplação em um edital público, chamado FUNCULTURA, destinado ao fomento do audiovisual no estado de Pernambuco. Quando definimos o local, após a pesquisa exploratória, obtivemos o apoio da prefeitura e de algumas secretarias, no entanto, pouca coisa foi de fato efetivada neste apoio. Com exceção do Secretário de Agricultura, que foi um agricultor antes de tornar-se gestor/político, as outras secretarias demonstraram resistência e em alguns casos até mesmo negligência. O secretário de urbanismo do município, que era o responsável por levar iluminação e estruturação retrucou o projeto considerando que o local escolhido havia sido um equivoco, tendo em vista que é de fato mais complicado colocar um cinema no meio de uma plantação, no meio do
mato, sem energia elétrica, do que armar tudo em uma praça no meio da cidade, no meio do ambiente urbano. A nossa defesa e argumentação era direta: nosso público, que é o foco da existência do projeto não pode se deslocar para a cidade a fim de ver filmes e depois retornar para seu ambiente rural, deste modo, assim como existe o custo Amazônia no norte do pais, aqui, no sertão, existe o custo agrícola, para garantir acesso e direito de escolha para esse cidadãos pernambucanos e brasileiros.
Captamos espontaneamente depoimentos dos agricultores que relataramm um pouco dessa vivênica, como a de Seu Luiz, membro da família que reside nas terras da associação, discorreu sobre a emoção de ter ido ao cinema pela primeira vez, ele disse: “Nunca tinha ido ao cinema e a primeira vez que fui, foi o cinema que veio na minha casa, nas terras onde eu planto a semente do meu almoço, meu e da minha família. E eu fui no cinema com minha família, com meus amigos, recebendo todo mundo nas terras de onde tiro meu sustento”. Luiz nos disse isso, segurando-nos pelo braço e com olhos lacrimejados.
O Círculo de Pedra e os Prêmios Telúricos
Permeados e imersos no clima da terra e de sua energia, criamos o Prêmio Telúrico, outorgado por um júri formado pela produção da MACO e por moradores/público da região que assistiram todas as sessões. O Prêmio faz menção a energia contida na terra, como uma respiração simbólica do planeta e tudo que nele vive. Foi também mergulhado nessa atmosfera que construímos, junto com moradores da vila dos agricultores e agricultoras de Santa Rita, um monumento inspirado nos Círculos de Pedras (stonehenge) que simbolicamente funcionam como catalisadores da energia telúrica, além de que, proporcionam um constante reencontro com este pensar e saber que a MACO levou para os moradores da região.
Vivências nas Oficinas
A oficina Semeando o Cineclube, trabalhou o cinema desde um olhar lúdico proposto no próprio nome. A idéia é olhar o cinema como semente. O objetivo de fazer germinar pensamentos alimentados de informações e imagens vindas de filmes sobre sua própria realidade de agricultor rural. A ideia posta em prática e concretizada nessa oficina foi fazer brotar um cineclube, construído e administrado pelos próprios jovens, objetivo este alcançado e que hoje, Santa Rita possui uma janela de exibição contínua onde esses jovens tem a oportunidade de ver filmes e debater assuntos que não estão na
televisão. Foi também por estímulo da criação do Cineclube Curioso (nome dado pelos jovens) que nasceu uma associação de jovens que objetivam o desenvolvimento cultural e de lazer para o distrito. Consideramos estes resultados como uma profícua germinação.
A oficina de Novas Práticas Agrícola aconteceu dentro do ambiente agrícola, em suas próprias plantações, durante os três dias. Nas manhãs seguintes ao dia das sessões de cinema, a oficina buscou através do resgate do imaginário criado pelos filmes assistidos, atingir os agricultores em seu mundo dos sentimentos, da vida dos pensamentos e finalmente para o âmbito da sua vontade. Depois de cada sessão os agricultores que haviam vistos os filmes chegavam cheios de curiosidades, dúvidas e certezas a respeito daquilo que haviam visto na tela de cinema, filmes como “O veneno está na mesa” (RJ) do diretor Silvio Tendler, o filme “Brasil Orgânico” (RS) de Lícia Brancher e Kátia Kloc e “Vida Maria” de Márcio Ramos, deram toda uma base de informação para os agricultores despertarem e vislumbrarem alternativas de manejo sadio da terra. Foi dentro dessa atmosfera, que trabalhamos o conceito da Agricultura Biodinâmica, aprofundando em temas essenciais, tais como, o resgate do olhar para os ritmos da Natureza em seus momentos de contração e expansão – como nos relacionamos com esse conhecimento e assim nos beneficiamos do mesmo? A terra como organismo agrícola vivo e seus fatores gratuitos, como o sol,a água, o ar e todos os reinos vitais - como podemos aproveitá-los para enriquecer nossa lavoura?
Finalmente, terminamos com um lindo trabalho prático voltado para o poder da adubação sólida, onde elaboramos e aplicamos o preparado 500 para adubação, contruímos uma composteira e aplicamos nela os 6 preparados de composto e ainda elaboramos o preprado Fladen. Todo esse trabalho foi facilitado e aperfeiçoado com o uso do material didático de cartilhas, calendário biodinâmicos e preparados biodinâmicos doados pelo Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica (ABD) em forma de apoio ao projeto.
A MACO no presente e no futuro
A Equipe de produção da MACO vem trabalhado para manter o projeto constante em sua realização e nos dias 25, 26 e 27 de julho de 2016, será realizada a II edição da Mostra Agrícola de Cinema Orgânico. Deste modo, já temos a segunda edição em plena atividade. Atualmente a fase é de pré-produção, curadoria, construção de parcerias, identidade visual, divulgação, fornecedores etc. A III edição, prevista para 2018, já está sendo captada. Temos o projeto já desenvolvido e inscrito no principal edital fomentador do audiovisual do estado e, com a experiência das duas primeiras edições, visamos também outras formas de captação de recursos, além de ampliar, também em 2018, os locais de realização da MACO, visando outras regiões e estados do pais.
A MACO contou com o patrocínio do FUNCULTURA, por meio da FUNDARPE, Secretaria de Cultura do Estado e Governo de Pernambuco e apoio da Associação Biodinâmica, Prefeitura de Serra Talhada, Triunfo e Santa Cruz da Baixa Verde.

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