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terça-feira, 29 de novembro de 2016

MORRE A EDUCADORA, POETISA E ESCRITORA NEVINHA PIRES

Faleceu no Hospital Português, no Recife, de falência múltipla dos órgãos, a professora e poetiza Nevinha Pires.
Talentosa e muito querida pela comunidade tabirense e do Pajeú, Nevinha era uma das filhas de Pedro Pires, um dos nomes mais importantes da história de Tabira e da região.
Como escritora, uma das obras mais conhecidas é Tabira e Sua Gente, de 1985, editado pela UFRPE. Também é autora de Tabira, histórias e estórias, de 1998.  Dente os irmãos, o ex-deputado estadual José Pires, primeiro da história de Tabira.
O Prefeito Sebastião Dias decretou luto oficial. Nevinha Pires será sepultada neste domingo às quatro da tarde, em Tabira. Seu corpo será velado na Escola Pedro Pires, uma das mais tradicionais da cidade, onde lecionou por anos.
Nas redes sociais, várias já são as homenagens. “Era de todas as personalidades femininas da cidade, aquela que melhor representava-as, pelo amor à cidade, dedicação à Educação, apreço à Cultura e enorme afeto pelo nosso Povo do Pajeú”, disse Paulo Pires.
“Grande baluarte da sociedade tabirense, deixa um grande legado para a Poesia e para a Educação daquela cidade”, diz Erivelton Gomes. Poetas como Dedé Monteiro e Dudu Morais também expressam suas condolências à família.

sábado, 26 de novembro de 2016

MORRE FIDEL, O COMANDANTE DA REVOLUÇÃO

FIDEL ALEJANDRO CASTRO RUZ - (Birán) 13 de agosto de 1926- Havana 25 de novembro de 2016, foi um revolucionário cubano principal líder da Revolução Cubana (1953-1959), primeiro-ministro de Cuba (1959-1976) e primeiro presidente do Conselho de Estado da República de Cuba (1976-2008). Até 2006 foi primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.

Apesar das controvérsias, foi durante o governo de Castro que Cuba alcançou índices elevados de desenvolvimento humano e social, como a menor taxa de mortalidade infantil das Américas, erradicação do analfabetismo  e da desnutrição infantil], tratamento gratuito de mais de 124 mil vítimas do  acidente nuclear de Chernobil, participação direta na luta pelo fim do Aparthaid na África do Sul,  treinamento de médicos do Timor Leste, entre outros.

Líder e secretário-geral do partido desde sua fundação, em 1965, em 19 de abril de 2011, Fidel, que já havia entregue o cargo de presidente em 2006, foi substituído como secretário-geral do Partido Comunista Cubano por seu irmão, Raúl Castro, retirando-se oficialmente da vida política do país. Ganhou o Prêmio Olivo da Paz do Conselho Mundial da Paz em 2011 pela coexistência pacífica entre as nações e por ser uma personalidade que contribuiu para o desarmamento.

INFÂNCIA E ESTUDOS

Castro nasceu fora do casamento na fazenda de seu pai em 13 de agosto de 1926. Seu pai, Ángel Castro y Argiz, foi um migrante de Cuba a partir da Galiza, Noroeste da Espanha.  Ele tinha se tornado um bem sucedido produtor de cana-de-açúcar na fazenda de Las Manacas, em Biran Provincia do Oreinte e depois do colapso do seu primeiro casamento, ele tomou sua serva doméstica, Lina Ruz González, como sua amante e mais tarde sua segunda esposa; juntos eles tiveram sete filhos, entre eles Fidel.  Com 6 anos de idade, Castro foi enviado para viver com seu professor, em Santiago de Cuba,  antes de ser batizado na Igreja Católica Romana aos 8 anos.  Ser batizado habilitou Fidel a estudar no colégio La Salle, em Santiago, onde regularmente se comportava mal, e por isso foi enviado ao financiamento privado, a escola jesuita Dolores, em Santiago. Em 1945 transferiu-se para o colégio jesuíta mais prestigiado, El Colegio de Belén, em Havana. Embora ele tivesse um interesse em história, geografia e debatido em Belén, ele não se destacou academicamente, em vez disso dedicou boa parte de seu tempo a praticar esportes.

Em 1945, Castro começou a estudar Direito na Universidade de Havana. Admitindo que ele era "politicamente analfabeto", se envolveu em ativismo estudantil e a violenta cultura gangsterista dentro da universidade. Apaixonado por anti-imperialismo e opondo-se a intervenção dos Estados Unidos no Caribe, ele, sem sucesso, fez campanha para a presidência da Federação de Estudantes Universitários (Federación Estudiantíl Universitaria - FEU) com uma plataforma de "honestidade, decência e justiça".Tornou-se crítico da corrupção e violência do governo do presidente Ramón Grau, com um discurso público sobre o assunto em novembro de 1946, que lhe valeu um lugar na primeira página de vários jornais.

Em 1947, Castro entrou para o Partido Socialista do Povo Cubano (Partido Ortodoxo), fundado pelo político veterano Eduardo Chibás. Uma figura carismática, Chibás defendeu a justiça social, o governo honesto, e liberdade política, enquanto que o seu partido estava exposto a corrupção e exigia reformas. Apesar de Chibás perder a eleição, Castro permaneceu empenhado em trabalhar em seu nome. A violência estudantil em Grau logo se intensificou empregando líderes de gangues como policiais, e Castro logo recebeu uma ameaça de morte instando-o a deixar a universidade; recusando-se, começou a carregar uma arma e a cercar-se de amigos armados. Nos anos posteriores dissidentes anti-Castro o acusaram de cometer assassinatos relacionados com gangues na época, mas isto permanecem sem comprovação.

 

INÍCIO DA CARREIRA POLÍTICA

Depois de graduado, dedicou-se de modo especial à defesa dos opositores ao governo, trabalhadores e sindicatos, denunciou as corrupções e atos ilegais do governo de Carlos Prío através do diário Alerta e das emissoras Radio Álvarez e COCO e se vinculou estreitamente ao Partido do Povo Cubano (Ortodoxo) que era liderado por Eduardo Chibás, partido pelo qual seria candidato a Representante nas eleições de 1952. O golpe de estado em 10 de março de 1952 por Fulgencio Batista, ao qual Fidel condenou no diário La Palabra e pretendeu levar aos tribunais, o convenceu da necessidade de buscar novas formas de ação para transformar a sociedade cubano.

Nos dias que se seguiram ao golpe, imprimiu em mimeógrafo e distribuiu clandestinamente sua denúncia. Uniu-se a jovens que editavam o periódico mimeografado clandestino, Son los Mismos, sugeriu a troca de seu nome pelo de El Acusador e foi coeditor desse novo órgão, onde assinou seus trabalhos apenas com seu segundo nome, Alejandro. Este mesmo pseudônimo utilizaria mais tarde em suas correspondências e mensagens. Daquele grupo sairia o núcleo inicial de jovens que sob seu comando atacariam de assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba e de Céspedes, (Bayamo) em 26 de julho de 1953 e fundaria depois o Movimento Revolucionário 26 de Julho (M-26-7).

A HISTÓRIA ME ABSOLVERÁ

No julgamento que se seguiu pelas ações, assumiu sua própria defesa e defendeu o direito dos povos de lutarem contra a tirania. Condenado a quinze anos de prisão, começou a cumprir a pena na prisão de Boniato (Santiago de Cuba) e depois foi transferido ao Presídio Modelo (Isla de Pinos), onde reelaborou sua auto-defesa que levou o nome de A História me Absolverá, e teve sua primeira publicação e distribuição clandestinas em 1954 e desde então foi editada numerosas vezes em Cuba, como em muitos outros países e traduzido nos mais diversos idiomas.

ANISTIA

Após ser anistiado em maio de 1955 graças a um amplo movimento popular, ocorreu uma intensa tarefa periodística de caráter político através do diário La Calle e do semanário Bohemia e em aparições radio-auditivas e televisivas enquanto estruturava o movimento 26 de julho em escala nacional e internacional.

NOVO EXÍLIO NO MÉXICO

Porém, ao começarem a censurar seus artigos e cerrar as vias e meios legais de expressão de suas ideias, decidiu seguir, apenas dois meses depois ao seu exílio no México onde trabalhou na preparação dos homens que o acompanhariam em seu intento de iniciar a luta insurrecional em Cuba, participou em atividades políticas, escreveu o Manifesto número um do Movimento 26 de Julho ao povo de Cuba que circulou clandestinamente na Ilha e firmou, com José Antonio Echeverría, presidente da FEU, o Pacto do México a favor da unidade das forças que se opunham à ditadura de Fulgencio Batista.


PREPARAÇÃO DA REVOLUÇÃO

Em 1955 viajou aos Estados Unidos em busca de apoio dos emigrados cubanos neste país. Pronunciou discursos em Nova York e Miami. Ao fim de novembro de 1956, partiu do porto mexicano de Tuxpan, a bordo do Iate Granma, com várias dezenas de combatentes e em 2 de dezembro desembarcaram na praia Las Coloradas, próxima a Niquero (Oriente), e se abrigaram em Sierra Maestra onde permaneceu por mais de dois anos à frente do Exército Rebelde Cubano, do qual era comandante-em-chefe.

Neste ínterim, desenhou e guiou a tática e a estratégia da luta contra a ditadura batistiana, financiada e apoiada pela unidade de ação das forças opositoras revolucionárias. Comandou diversos combates que culminaram em vitórias de suas tropas, orientou a criação de novas frentes guerrilheiras em Oriente e Las Villas, trabalhou na preparação de leis fundamentais que deveriam promulgar-se uma vez alcançada a vitória e divulgou suas ideias nacional e internacionalmente, através de meios improvisados na própria Sierra Maestra como o periódico El Cubano Libre, a emissora Radio Rebelde - ainda atuante - e mediante entrevistas realizadas por periodistas cubanos e estrangeiros.


PÓS-REVOLUÇÃO

Depois do desmonte do regime ditatorial pela fuga de Batista em 1 de janeiro de 1959, convocou generais para consolidar a vitória da Revolução e marchou até Havana, onde entrou em 8 de janeiro. O Governo revolucionário instaurado o designou primeiramente Comandante em Chefe de todas as forças armadas e depois, em meados de fevereiro, Primeiro Ministro.

 Fidel Castro visitou, após a vitória, os Estados Unidos. A URSS deu apoio econômico e militar ao novo governo de Castro, comprando a maioria do açúcar cubano. A partir de então, Cuba passou a sofrer um embargo econômico por parte dos Estados Unidos. A este respeito Fidel Castro disse:   

“Nosso povo heróico lutou 44 anos desde uma pequena ilha do Caribe, a poucas milhas da mais poderosa potência imperial que a humanidade já conheceu. Com ele escreveu uma página sem precedentes na história. Nunca o mundo viu uma luta tão desigual.” — Discurso de 1 de maio de 2003, em Havana.

Imediatamente começou a impulsionar a criação de um novo aparato estatal, escreveu leis a favor dos setores mais desfavorecidos, entre essas leis encontra-se a lei de Reforma Agrária, que firmou ainda em Sierra Maestra em 17 de maio. Também fundou órgãos de novo tipo como o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA, do qual foi seu primeiro presidente) e instituições culturais como a Imprensa Nacional de Cuba e o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC). O anúncio de sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro em meados de julho de 1959 pelos obstáculos colocados pelo presidente Manuel Urrutia às leis e medidas revolucionárias, motivou uma massiva exigência popular para que se reincorporasse ao mesmo e forçou a renúncia do presidente.

Em 26 de julho retomou o cargo. A partir de então pode levar adiante, desde os primeiros anos posteriores ao triunfo da Revolução, medidas e atividades de grande envergadura para o desenvolvimento ulterior do pais em todas as ordens, como a nacionalização de empresas estrangeiras, a Reforma Urbana, o desenvolvimento da indústria nacional e a diversificação agrícola, a campanha de alfabetização, a nacionalização e gratuidade do ensino em todos os níveis, a eliminação da saúde pública privada e do desporte profissional, a melhoria das condições de vida dos setores mais populares, o estabelecimento de vínculos com nações de todo o mundo e todos os sistemas sociais de governo, a incorporação de Cuba ao Movimento de Países Não Alinhados, a definição de uma política exterior independente, e a declaração do caráter socialista da revolução em abril de 1961.

Conseguiu, ademais, a unidade das forças revolucionárias e anti-imperialistas do país em organizações massivas como a Associação de Jovens Rebeldes (ARJ), os Comitês de Defesa da Revolução (CDR), as Milícias Nacionais Revolucionárias (MRN), a União de Pioneiros de Cuba (UCP), a Federação de Mulheres Cubanas (FMC) e outras de caráter mais seletivo e político. Escreveu textos fundamentais da história contemporânea de Cuba e da América Latina como os da Primeira (1960) e Segunda (1962) Declaração de Havana. Em abril de 1961 dirigiu pessoalmente as tropas que derrotaram a invasão mercenária em Playa Girón, financiada e organizada pelos Estados Unidos.

 

Sua intervenção em uma reunião com escritores e artistas na Biblioteca Nacional José Martí em junho de 1961, publicada depois sob o título Palavras aos Intelectuais, definiu aspectos da política cultural da Revolução ainda vigentes e facilitou a realização, em agosto deste mesmo ano, do Primeiro Congresso Nacional de Escritores e Artistas de Cuba. Foi membro do conselho de direção de Cuba Socialista (1961-1967). Desde outubro de 1965, quando o PURCS tomou o nome de Partido Comunista de Cuba, (PCC), têm sido membro de seu Comitê Central e seu Primeiro Ministro.

Assim mesmo, ao constituir-se a Assembléia Nacional do Poder Popular em 1977, esta o elegeu Presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, cargos nos quais tem sido ratificado desde então. Por suas responsabilidades a frente do PCC, o Estado e o Governo cubanos tem sido o principal orientador e impulsor das estratégias de desenvolvimento do país em todos os sentidos, assim como o arquiteto da política internacional da Revolução Cubana.


RELAÇÕES MUNDIAIS

A partir de 1959 tem viajado a uma infinidade de países da América LatinaEuropaÁfrica e América do Norte, para representar Cuba em congressos e conferências dos mais diversos tipos e organizações, assim como em outras atividades oficiais e visitas amistosas. Em 1959 foi ao Brasil, onde foi recebido pelo presidente Juscelino Kubitschek. Anteriormente já havia se encontrado com o deputado Jânio Quadros (que depois viria a ser presidente do Brasil).

Em 13 de março de 1995, Fidel faz sua primeira visita à França, a uma potência ocidental desde a revolução de 1959. Na ocasião, Fidel declarou que a visita significava o fim do apartheid imposto a Cuba pelo Ocidente e atacou o bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos há mais de três décadas.

De especial significado tem sido sua presença nas cúpulas do Movimento de Países Não-Alinhados. Documentos políticos, discursos, intervenções, artigos e entrevistas suas têm sido difundidos em livros próprios ou compilações, em filmes e nos mais importantes órgãos de imprensa escrita e emissoras de rádio e televisão de Cuba e de todo o mundo. Em 1961 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

Várias universidades da Europa e América Latina lhe conferiram o título de Doctor Honoris Causa. Tem recebido também múltiplas condecorações por seu labor em prol das relações com outros países, assim como o Prêmio Mijail Sholojov outorgado pela União de Escritores da Rússia em 1995.




TRANSFERÊNCIA INÉDITA E RETIRADA DE PODER

Em 26 de julho de 2006, Fidel Castro ia a bordo de um avião que fazia a viagem entre as cidades cubanas de Holguín e Havana quando teve uma primeira hemorragia relacionada com a doença nos intestinos que o afastou da vida pública.

Não havia nenhum médico a bordo do avião, por isso o aparelho aterrou de emergência para que Fidel Castro fosse hospitalizado. A doença do líder histórico cubano foi então considerada segredo de Estado, mas foram mobilizados os melhores médicos e quatro meses depois, o médico espanhol José Luis Garcia Sabrido, chefe de cirurgia do hospital Gregório Marañón em Madrid, viajou até Cuba para acompanhar a situação.

Em 1 de agosto de 2006, Fidel Castro delegou em caráter provisório, por conta de uma doença intestinal que, segundo o próprio, seria grave, suas funções de comandante supremo das Forças Armadas, secretário-geral do Partido Comunista de Cuba e de presidente do Conselho de Estado (cargo máximo da República Cubana) ao seu irmão Raúl Castro, Ministro da Defesa. Inúmeras críticas surgiram, e em outubro de 2006 a imprensa mundial afirmou que ele tem um câncer, fato não confirmado.

Em 19 de fevereiro de 2008, Castro anunciou ao jornal do Partido Comunista, o Granma, que não se recandidataria ao cargo de presidente de Cuba, cinco dias antes de o seu mandato terminar.

O poder passou em definitivo para as mãos de seu irmão Raúl Castro após Fidel Castro decidir retirar-se do poder em 24 de fevereiro de 2008, após o parlamento definir a nova cúpula governamental. Cinco dias depois, Fidel anunciou que não aceitaria novamente, se eleito, o cargo de Chefe de Estado. Em uma mensagem publicada no jornal oficial Granma, ele escreveu e assinou:

“Não aspirarei nem aceitarei - repito - não aspirarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-em-Chefe”.

Ele também escreveu que estaria traindo sua consciência ocupando uma responsabilidade que requer uma mobilidade que não estaria mais em condições físicas de exercer. Mesmo com a renúncia de Castro, o ex-presidente americanoGeorge Bush, não retirou as sanções americanas impostas a Cuba. Fidel Castro diz que continuará escrevendo sua coluna no jornal cubano e não pode continuar no poder por insuficiência em sua saúde. Ele permaneceu como membro do parlamento após a sua eleição como um dos 31 membros do Conselho de Estado. Também manterá o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba.

 



A MORTE

Fidel Castro morreu em Havana na noite de 25 de novembro de 2016, aos 90 anos. A morte do líder cubano foi anunciada pela TV estatal cubana. Castro morreu às 22h29 e o corpo do ex-presidente de Cuba será cremado, "atendendo a seus pedidos", informou Raúl Castro, na TV estatal. A última vez que Fidel havia sido visto publicamente foi em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

 

FRASES DE FIDEL

Ele (Jesus Cristo) foi o primeiro comunista. Repartiu o pão, repartiu os peixes e transformou a água em vinho.

Um revolucionário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral.

Um revolucionário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral.

Hoje milhões de crianças dormirão na rua, nenhuma delas é cubana.

A história absolver-me-á.

Os homens não moldam o seu destino. O destino produz o homem de cada momento.

Os homens passam, os povos ficam; os homens passam, as idéias ficam.

Não necessitamos que o império nos presenteie com nada.                   

As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância.

Uma revolução não é um mar de rosas. É uma luta de morte entre o futuro e o passado.

Pátria ou morte!

As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

TV SERRA TALHADA MAIS PERTO DE SER INSTALADA

A Prefeitura de Serra Talhada recebeu a confirmação, no último dia 21/11, da assinatura do convênio para implantação da TV Serra Talhada, já publicado no Diário Oficial da União (DOU). A Conquista foi assegurada junto ao Ministério da Cultura, através de edital público do órgão federal.

Na ocasião, o MINC lançou o projeto para a implantação do Canal da Cidadania, sendo Serra Talhada o único município brasileiro a preencher todos os requisitos estabelecidos pelo ministério. Com a conquista, Serra Talhada terá o seu primeiro canal de televisão, que será 100% digital.
O Governo Municipal entra na fase de compra de equipamentos e estruturação do espaço físico onde funcionará a TV Serra Talhada. A Secretaria Municipal de Cultura, responsável pela elaboração do projeto que viabilizou a captação dos recursos e implantação do Canal da Cidadania, realizará um seminário com diversos atores da área do audiovisual, e com uma equipe técnica do Ministério da Cultura, para discutir o formato de funcionamento da TV, como também despertar os profissionais do segmento para a nova realidade a partir da chegada da TV Digital.
O Prefeito Luciano Duque falou da importância do Canal da Cidadania em Serra Talhada, que para ele “é mais um marco para a nossa cidade, e muito nos alegra saber que Serra Talhada vai contar com esse importante instrumento de informação e formação. A confirmação da implantação da TV Serra Talhada reforça todo o trabalho que estamos realizando e a nossa capacidade de ir buscar os investimentos para a nossa terra, e não tenho dúvida, que a implantação da TV vai contribuir muito para o desenvolvimento da cidade. Estou muito feliz e entusiasmado, e em breve vamos inaugurar e levar as residências do nosso povo uma programação de alto nível mostrando toda a riqueza cultural de nossa terra.”

SERTÃO DO PAJEÚ: ESCUTA PÚBLICA DO LIVRO.


ATENÇÃO, SERTÃO DO PAJEÚ: Com o intuito de envolver escritores, livreiros e demais agentes literários no processo de construção do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas acontece no dia 3 de dezembro a escuta do PELLLB no Sertão do Pajeú, em Serra Talhada. A reunião, aberta a participação de todos os interessados em apontar políticas públicas para o setor. Na pauta, a discussão sobre contextos relacionados à criação, fruição e potencialidades das ações públicas que o Plano pretende contemplar.
“As escutas em diversas regiões do estado estão identificando os principais problemas e potencialidades do setor, e acolhendo propostas que vão auxiliar na elaboração de um bom plano para garantirmos mais acesso da população ao livro, mais estímulo à leitura, mais circulação das obras”, destaca Wellington de Melo, coordenador de Literatura da SECULT-PE.
A  ESCUTA é uma ação da SECULT/PE e FUNDARPE.

Dia 03 de dezembro, às 9 horas, no Museu do Cangaço, em Serra Talhada.

Saudações cangaceiras,
ANILDOMÁ WILLANS DE SOUZA
Secretário de Cultura e Turismo.
Serra Talhada/PE.

sábado, 19 de novembro de 2016

MORRE FILHA DE ZÉ SATURNINO

Foto do blog do Mendes

MORRE FILHA DE ZÉ SATURNINO – Não foram poucas as vezes que a simpática Dona Minó recebeu no alpendre da Casa Grande da Fazenda Pedreira historiadores, pesquisadores do Cangaço e jornalistas  de todo Brasil e do mundo na busca de informações sobre Lampião. Com uma simpatia e um sorriso brilhante na face, conversava com todos que  procurava a filha de Zé Saturnino, primeiro inimigo de Lampião. Agora, tudo isto fica só na lembrança, ontem, sexta feira, dia 18,   faleceu a agricultora Hermínia Alves de Barros, que completou 93 anos em junho passado.
Dona Minó estava internada numa casa de saúde de Serra Talhada desde a última segunda-feira (14) e sofreu uma parada cardio respiratória. Ela deixa 10 filhos, 18 netos e 5 bisnetos.
O corpo está sendo velado até às 7h30 no Bezerra de Melo, no centro de Serra Talhada, e depois segue para Fazenda São Miguel, onde haverá o sepultamento às 16 horas, no cemitério da Serra Vermelha. Aos familiares, as condolências da Fundação Cultural Cabras de Lampião.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

FOGO DA SERRA GRANDE - 90 ANOS DE UMA CHAMA QUE CONTINUA ACESA NOS SERTÕES.

No dia 26 de novembro de 1926 o Grupo de Lampião impôs uma verdadeira derrota a Policia Militar de Pernambuco, quando mediram forças no confronto sangrento, em plena caatinga. 90 anos após o chamado FOGO DA SERRA GRANDE, ainda ecoa os estampidos das armas  na Literatura de Cordel, nos versos dos violeiros.

FOGO DA SERRA GRANDE - O bando de Lampião já percorrera palmo a palmo os sertões de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, contudo não se afastava por muito tempo de sua terra natal, Villa Bella.
Estava Lampião arranchado na fazenda Carrapicho, quando foi informado de toda movimentação da policia, que indicava tratar-se de uma grande ação contígua que iriam perpetrar, seguramente, contra ele. Era a oportunidade aguardada para acabar com seus inimigos de uma única tacada, inclusive fazer seu grande espetáculo em técnicas de guerrilha, humilhando todo poderio bélico das forças do governo.
Para ter certeza que atrairia a policia, Lampião seqüestrou dois representantes comerciais que desciam a serra de Triunfo num Ford 1924, em direção a Villa Bella: um da Companhia Souza Cruz e o outro da Stand Oil. Liberou o primeiro, José Benício de Souza, para ir a cidade buscar o resgate do segundo, Pedro Paulo Magalhães Dias, porém conhecido nos locais que trabalhava, por Mineiro Dias, por ser de origem do estado de Minas Gerais, e seu sotaque que chamava a atenção de todos.

Lampião agora tinha um trunfo atrativo que chamaria a polícia para o terreno que achasse melhor: um representante de uma empresa importante, nada mais precioso neste momento. Em marcha avançada, três filas indiana, distante quinze braças uma da outra, a do centro ia Lampião e Mineiro Dias, na vanguarda da tropa, da direção da fazenda Varzinha. Ao chegarem à localidade Poço Redondo prenderam Silvino Liberalino e na mesma pisada, já dentro de Varzinha, foi preso José Toinho, na condição de mostrar onde ficava a residência de José Esperidião, o inspetor da localidade. Este, por ter se envolvido em uma surra numa pessoa em Floresta, havia se mudado para Varzinha. Ele já vivia prevenido, por saber que um filho do dito da surra, jurava-o e havia entrado no grupo de Lampião, com o intuito de pegá-lo.

O inspetor e mais dois civis, um deles chamado Tiburtino Estevão, protegidos no parapeito da sua casa, abriram fogo contra os cangaceiros que se aproximavam do seu terreiro, estes reagindo rapidamente sem serem atingidos, dominaram a situação e mataram o inspetor e um dos acompanhantes. Tiburtino escapuliu pelos fundos da casa, embrenhando-se na caatinga, enquanto os cangaceiros incendiavam as casas e os paióis de algodão das vítimas. Deixando pra trás o céu escuro de fumaça, seguiu pra Sítio dos Nunes, depois voltaram pra Tamboril e Sítio Morada, onde proveram com água as cabaças e cantis, numa bodega compraram bolachas e rapadura, cortaram o caminho em diagonal, adentraram na Serra Grande e chegaram a fazenda Barreira, onde passaram a noite fazendo recapitulação de tudo que haviam combinado.
Assim que os cangaceiros se retiraram de Varzinha, os moradores foram procurar o corpo do inspetor José Esperidião e do seu filho, que tinha apenas sete anos de idade, chamado José Pereira de Lima, nos escombros que restou de sua residência. Pra surpresa de todos, o menino estava vivo e não encontraram orifícios de balas no corpo do seu pai, concluindo que ele morreu asfixiado pela intensa fumaça.
O coronel Cornélio Soares estava terminando de cear quando recebeu o mensageiro avisando do rapto do agente da Stand Oil e da exigência de Lampião em pagarem vinte contos de resgate pra terem o refém vivo.
Villa Bella estava um motim. Poucas pessoas nas ruas, só a movimentação da polícia, que parecia estar pronta pra entrar em guerra contra o restante do mundo.  Os bares e as bodegas não abriram e quase nenhuma família quis ficar sentada nas calçadas ouvindo ou contando os fuxicos de vizinhança.
A estas alturas outras volantes foram comunicadas e se juntaram para, agora ou nunca, dar cabo ao Comandante das Caatingas. Manoel Neto estava com sua volante no meio da caatinga procurando alguma vereda de cangaceiros, próximo a Vila São Francisco, quando foi alcançado por um vaqueiro levando um recado do Major Teófanes ordenando que voltasse urgente pra Villa Bella. Tava dando meio dia quando aponta dentro da cidade Manoel Neto e sua Força, onde encontrou a praça e a calçada da Igreja formigando de soldados, e dentro da sala de chefia, em frente a Intendência,  os comandantes mais afamados do sertão:  Sólon Jardim, que tinha, inclusive, duas metralhadoras, Domingos Gomes de Souza, conhecido por Domingos Cururu, os tenentes Arlindo Rocha e Higino Belarmino (Nego Gino), José Olinda de Siqueira Ramos, o Anspeçada Euclídes de Souza Ferraz, totalizando aproximadamente quatrocentos soldados e civis cedidos por fazendeiros.
Os comandantes ficaram até altas horas da madrugada bolando os detalhes do plano que mataria Lampião e seus sequazes. Quando foram tirar algum cochilo os galos estavam miudando.
O coronel Cornélio Soares, o juiz de direito e o padre ainda conseguiram juntar cinco contos de réis e mandaram o vaqueiro Manoel Macário levar o dinheiro pra Lampião. Mas Manoel Neto interceptou o mesmo e disse que no lugar do resgate em espécie, deveria ir a policia, que pra isso estavam prontos. O Major Teófanes Torres - Comandante do Policiamento – concordou, dando as resoluções – “o governador acredita que cada um da gente cumpra a sua obrigação livrando a sociedade desses bandidos, não temos o que temer, nosso contingente é volumoso e imbatível, vamos honrar as fardas que vestimos”.
Para Lampião, morderam a isca!
Ainda estava escuro quando duas filas indianas formada por quatrocentos homens deixavam a cidade. Quando o dia vinha amanhecendo tinham marchado mais de duas léguas.
Força Pública - Boletím Oficial: “Villa Bella, 26 de novembro de 1926. (grafia original) Communico v. exc. Que sahiu hontem desta cidade sem meu conhecimento importancia cinco contos para ser entregue bandido Lampeão, certamente convencionado em troca liberdade caixeiro viajante da empreza Standart Oil C°. Ao chegar portador á tardinha Iogar Varzinha, distante seis léguas desta cidade, foi ahi aprisionado pelo Cabo Manoel Netto que ia com uma força na trilha do grupo já quase em contacto com o mesmo. O referido cabo prosseguiu encalço scelerados, conduzindo alludida importância afim de não interromper marcha. Consulto como devo proceder sobre alludidos cinco contos. Saudações. Major Theophanes Tôrres.”
      
  A força do governo comemorava o massacre iminente. Quando a volante soube que Lampião já estava dentro da Serra Grande, resolveram se reunir todos os comandantes e comandados, num gigantesco lajedo a uns dois quilômetros de Varzinha. Era a hora do tudo ou nada.
        Lampião, como grande estrategista, sabia do tamanho do perigo, que tinha poucos homens, apenas sessenta. Comparando com a batelada numérica dos inimigos, era um suicídio enfrentar. Só que ele conhecia cada pedra daqueles serrotes e montes, sabia de cada árvore existente naquele bocado de terra, tinha ciência de tudo sobre o sertão.  Além do mais, era o tão esperado momento de acertar contas com todos aqueles comandantes de volantes, juntos, de uma só vez.
        Nego Gino queria antes de tudo fazer um reconhecimento da área para depois atacar desalojando o inimigo
Os Nazarenos queriam investir cegamente pra dentro da serra, dizendo que homem briga de peito a peito.
Conforme comentou o pesquisador Luis Lorena, a policia era volumosa e estava bem municiada, mas não tinha comando. Se reuniam, planejavam, mas na prática, cada um queria ser independente. Ninguém se entendia. Arremessaram-se nessa expedição numa bagunça absoluta. E logo pra cima de Lampião, que estava planejando meticulosamente pra desforrar todos eles.  O resultado era esperado.
Em meio a tanta confusão marcharam pra cima. Alguém ainda chegou a sugerir almoçarem primeiro. Arlindo Rocha respondeu com a cara fechada:
        “- Hoje vamos almoçar bala!”
        O rastejador Anjo Cabôco vasculhava cada centímetro do chão, procurando algum rastro, um trisquinha de nada que pudesse indicar o caminho. Qualquer sinal invisível aos olhos das pessoas comuns, ele enxergava: por onde uma lagartixa ou um calango atravessava, um pássaro que voa, um inseto que se mexa.
A regra geral é que cangaceiro não deixa rastro. E nesse caso, Lampião, precisava ser seguido, mas um indício qualquer também passaria a impressão de querer atrair a policia para uma emboscada. Todo rastejador de cangaceiro sabia distinguir um rastro verdadeiro de um falso. O Rei do Cangaço conhecia essa potencialidade de Anjo e isso era bom, fazia parte da trama.
        Em dado momento, quando todos os soldados estavam tensos, vendo de um instante pro outro começar o tiroteio, o rastejador, ciscando, farejando a mínima pista que não encontra, agachado, depara um seixo fora do lugar.
Ficou pálido.
Lampião não deixaria uma marca de passagem dessas, a não ser como se anunciasse um “xeque-mate!”
E era isso mesmo!
Anjo Cabôco levantou-se com a pedrinha na mão, olhou pra o soldado Raimundo Barbosa Nogueira (este era cunhado de Zé Saturnino), que estava ao seu lado, sentenciou:
        “-Tô morto!”
        Nesse momento Lampião estava com o joelho direito escorado numa pedra, de modo ajoelhado, benzeu-se, beijou a medalha de Nossa Senhora das Dores, e disparou o primeiro tiro, que matou o famoso rastejador. Os próximos disparos foram fatias:
Arlindo Rocha levou um tiro no maxilar pra justificar o “almoçar bala”. Escapou por pouco. Depois foi submetido a tratamentos, recebeu uma série de intervenções cirúrgicas para consertar os ossos com fios metálicos. Ficou conhecido como “Queixo de Prata”.
        Manoel Neto levou três tiros nas pernas e ficou fora de combate.
        Luiz Careta, de Triunfo, recebeu uma bala na cabeça.
       

O soldado Luiz José recebeu ferimento na coxa, mas rolou pra detrás duma pedra e ali ficou durante todo o fogo.

        Vicente Grande, ou seu nome verdadeiro, Vicente Ferreira, foi atingindo no umbigo, ficando sua barriga estraçalhada, despejando as vísceras pra fora do corpo. Euclides Flor, que estava ao seu lado, recolocou com as mãos todas pra dentro, amarrou com sua farda o abdome do companheiro e, acreditem, este sobreviveu, falecendo muito tempo depois, contando essa história e mostrando as cicatrizes.
        Os cangaceiros cantavam, aboiavam, imitavam animais, xingavam. Inclusive diziam pilherias com a mãe e a esposa do Nego Gino, ao ponto que Lampião repreendeu, dizendo:
        “-Pessoal, vamos brigar sem botar a mãe de Nego Gino no meio!”
        Genésio Aboiador, cangaceiro e poeta, vez por outra soltava uns aboios melancólicos que deixavam os soldados com mais medo ainda, pois era como se eles fossem uma boiada indo pro curral pra serem abatidos.
Um rapaz da redondeza durante todo o tiroteio carregava água de uma fonte e abastecia as cabaças dos cangaceiros que estavam em combate.
Os cangaceiros estavam divididos em quatro grupos: um, comandado pelo próprio Lampião, ocupando o lado esquerdo da garganta da serra; o segundo, sob o comando de Luiz Pedro, no lado direito; o terceiro, chefiado por Corisco, fechando a frente da linha de fogo; e o quarto, era móvel, chefiado por Antônio Ferreira, que circulava pela retaguarda de todos e deveria completar o cerco. Mas não conseguiu por causa das metralhadoras e os que ficaram na retaguarda atrasaram a marcha, ficando, portanto, como um corredor de fuga e retirada dos feridos da volante.
        Nos contou seu Benedito, filho do cangaceiro Zabelê, que estava no fogo da Serra Grande, que por muitas vezes ouviu seu pai contar que via tanto soldado morrer, muitos correndo e pulando feito macacos, sem conseguir atirar, apenas procurando um meio de se proteger  dos tiros que vinham de todos os lados.
        A pipoqueira era escutada de longe. Toda população da região estava com suas expectativas voltadas pra Serra Grande.
Era três horas da tarde quando começou a chegar em Villa Bella – distante sete léguas do local do tiroteio -  alguns soldados correndo  da briga. Foi aí que juiz de direito, o coronel Cornélio Soares e o major Teófanes foram  no fordeco do inspetor da Stand Oil para o local do confronto, seguido por outros três automóveis cedidos por comerciantes – representantes comerciais e caixeiros viajantes -   levando alguns soldados e um caminhão carregando mais armas e munição, mas ficaram assistindo tudo de longe, da fazenda Tamboril, distante nove quilômetros de Varzinha, por que a partir dali não havia estradas para se transitar em  carro, era veredas pra se andar a pé.
Ao final da tarde foi cessando o fogo, os tiros ficando esparsos e a maioria da soldadesca se retirando desordenadamente, sem a preocupação em recolher suas armas e equipamento que soltavam no decorrer da luta, os feridos se arrastando sozinho ou com ajuda de colegas, os rugidos das armas se distanciando até silenciar por completo.  Restou um quadro aterrorizante com muitos soldados mortos.
A noite havia chegado quando voltaram para sepultar os mortos em duas valas, uma no lajedo grande onde estava o comando da operação e outra próximo a Varzinha, no Rancho de Pedro Rodrigues. Os feridos foram atendidos na casa do comando da policia e na sede da prefeitura.
        Os cangaceiros foram pra uma fazenda no outro lado da serra onde já haviam matado dois bois para festa, preparado por Afonso do São João do Barro Vermelho.
Foi Xaxado a noite toda.
        De manhã cedo, libertou o prisioneiro e orientou que fosse até Betânia e procurasse o coronel José Miguel que este o levaria a Rio Branco, pra de lá seguir viagem pra Recife.
Aquele 26 de novembro foi um dia fatídico e desmoralizante para a policia pernambucana.
Nos dois e três dias depois deste combate ainda apareceram soldados em trapos, correndo assustados com a bagaceira que viveram, chegando em Triunfo, em Vila Bella, Custódia, Afogados da Ingazeira, Lagoa de Baixo (Sertânia), Rio Branco (Arcoverde) e Floresta,
        O combate que começara às oito horas e quarenta e cinco minutos cessou às dezesseis horas e quarenta e cinco minutos, resultando na morte de 26 soldados e 38 saíram feridos.  Vários civis contratados também foram mortos ou feridos.  Do lado dos cangaceiros não houve baixa, nem ferido.
        Essa foi a maior e mais violenta peleja acontecida na longa e sangrenta história do cangaço, uma aula de técnica de guerrilha ministrada por Virgolino para deixar qualquer estrategista militar de quartel com queixo caído. Tomaram parte na batalha os seguintes cangaceiros: Luiz Pedro, Maquinista, Jurema, Bom Devera, Zabelê, Colchete, Vinte e Dois, Lua Branca, Relâmpago, Pinga Fogo, Sabiá, Bentevi, Chumbinho, Ás de Ouro, Candeeiro, e seu irmão Vareda, Barra Nova, Serra do Mar, Rio Preto, Moreno, Euclides, Pai Velho, Mergulhão, Coqueiro, Quixadá, Cajueiro, Cocada, Beija-Flor e seu irmão Cacheado, Jatobá, Pinhão, Mormaço, Ezequiel e seu irmão Sabino, Jararaca, Gato, Ventania, Romeiro, Tenente, Manuel Velho, Serra Nova, Marreca, Pássaro Preto, Cícero Nogueira, Três Coco, Gaza, Emiliano, Acuana, Frutuoso, Felão, Biu, Cordão de Ouro, Genésio, Ferreirinha, Antônio Ferreira, Lampião e outros.
       
O Capitão Virgolino Ferreira, Lampião, premiou-se por esta vitória, autodenominando-se de Governador do Sertão e mandou uma carta para Júlio de Melo, que havia assumido interinamente o governo de Pernambuco. O portador foi o próprio Mineiro Dias. Segue o teor da carta:
        



“Senhor Governador de Pernambuco
         Suas Saudações com os seus:
        Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas… se o senhor estiver de acordo devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou o Capitão Virgolino Ferreira (Lampião), Governador do Sertão, fico governando esta zona de cá, por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada da água do mar. Isso mesmo, fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda os seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questões. Faço esta por amor a paz que eu tenho e para que não diga que sou bandido, que não mereço.
Aguardo sua resposta e confio sempre.
Capitão Virgolino Ferreira (Lampião)
Governador do Sertão.”

Força Pública - Boletim Geral  n° 260, dia 29 de novembro – Serviço para 30. Telegrama (grafia original): “Villa Bella, 28. Levo vosso conhecimento Forças Sargento Arlindo Rocha, Cabos Domingos Gomes e Manoel Netto, sob o commando Tenente Hygino pelas 9 horas dia 26 tiveram encontro grupo bandido Lampião na Serra Grande distante duas léguas Tamboril. Grupo occupava garganta Serra perto sua chã e todos os cabeços e cimos. Ali feriu-se combate que findou 17 e ½ horas aquelle dia visto reducto representar fortaleza inespugnavel não tendo dita Serra outra subida que não fosse pelo outro lado com arrodeios 6 leguas pelas caatingas. Tivemos 10 mortos e 14 feridos inclusive Sargentos José Olinda, Arlindo Rocha e Cabo Manoel Netto afora soldados extraviados. Força luctou com verdadeiro heroísmo sem querer recuar diante inqualificável abysmo impossível ser transposto até que teve sua munição quase totalmente esgotada. Bandidos dispondo olho d’agua em cima da Serra todas as posições em quanto nossos soldados apanhavam água com quase duas léguas durante todo dia combate. Amanhã darei o resultado completo nome mortos, feridos, extraviados. Saudações. Major Theophanes Tôrres. Commandante Geral Forças Interior.”

Do livro LAMPIÃO E O SERTÃO DO PAJEÚ, de Anildomá Willans de Souza, com lançamento previsto para 2017.

sábado, 12 de novembro de 2016

SERRA TALHADA AVANÇA NO TURISMO DO BRASIL

O trabalho desenvolvido pela Secretaria de Cultura e Turismo de Serra Talhada surtiu efeito na última atualização do Ministério do Turismo. O mapa do turismo brasileiro mudou, e a Capital do Xaxado figura na categoria “C”. Em Pernambuco apenas 12 cidades estão nesta categoria.
Grandes eventos no ano de 2015, como o Encontro de Culturas Populares e Tradicional, o Encontro Nordestino de Xaxado, o Massacre de Angico – A morte de Lampião, a Exposerra e a Festa de Setembro, atraíram grande numero de visitantes, aumentando a ocupação nos hotéis e pousadas, fazendo circular a economia da cidade. No ano de 2015 foi realizado pela Secretaria de Cultura e Turismo um levantamento nos hotéis e pousadas, esses indicativos foi primordial para abastecer as plataformas dos órgãos do trade turístico estadual e nacional.

Outro fator importante nesse processo foi a parceria da Secretaria de Cultura e Turismo com a EMPETUR – Empresa Pernambucana de Turismo, que visitou vários restaurantes na cidade e finalizou com a revista ROTA 232, onde mostra as várias opções de nossa gastronomia. Em 2014, a Secretaria de Cultura e Turismo conseguiu trazer para Serra Talhada o Encontro de Secretários e Diretores de Turismo, realizado pela ASTUR – Associação de Secretários de Turismo de Pernambuco, na oportunidade foi mostrado nossa potencialidade para os diretores da entidade. Ao todo são 424 municípios no Brasil selecionados na categoria “C”.

O estado reduziu de 72 para 57 o número de municípios participantes de suas 14 regiões turísticas, dividido em 5 categorias, de acordo com a categorização dos municípios das Regiões Turísticas do Mapa do Turismo Brasileiro. O instrumento, elaborado pelo MTur, identifica o desempenho da economia do turismo para tornar mais fácil a identificação e apoio a cada um.   Dentro da metodologia, as cidades contempladas nas categorias A, B e C contam com 95% dos empregos formais em meios de hospedagem, 87% dos estabelecimentos formais de meios de hospedagem, 93% do fluxo doméstico e têm fluxo internacional. O conjunto de municípios dos grupos D e E, reúnem características de apoio às cidades geradoras de fluxo turístico. Muitas vezes são aquelas que fornecem mão-de-obra ou insumos necessários para atendimento aos turistas.