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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

MODESTO DE BARROS: 40 ANOS DEDICADOS À ARTE E A CULTURA BRASILEIRA



O carismático Modesto Lopes de Barros é daquelas pessoas sóbrias e de uma modéstia que beira ao extremo, além de uma timidez sem igual, no entanto têm talento artístico e é um exímio incentivador das manifestações culturais pulsantes em nosso meio.“Modesto de Barros é o meu nome artístico. Eu adotei esse nome quando fiz o meu registro profissional junto ao SATED-PE, já nos anos 1990”. Pontua ele.
Bom, a história de sua vida acredita, foi sempre irregular. E porque ele diz isso? “quando iniciei os estudos primários, que naquela época começava pela a carta de abc, a minha mãe, que só conhecia a citada carta foi quem me iniciou; passado algum tempo fui estudar na Fazenda Xiquexique com uma prima do meu pai para concluir a etapa dos estudos primários”. Ele ia e voltava para família que morava no sítio, nesta época eles em terras de seu Padrinho de Batismo, numa localidade chamada Estreito.
A seguir foi estudar com a Professora Lindalva, pessoa de muita sensibilidade e que o ajudou bastante. Em 1965 faz os preparativos para o curso ginasial e desta feita vai estudar na Escola Estadual Solidônio Leite com a professora Luzia Magalhães, com a qual tem um enorme carinho. “Dona Luzia Magalhães foi paciente e amorosa comigo porque eu já havia passado do tempo de estar na classe dela por causa de minha idade”. Recorda ele.
No final de 1965 faz provas e vou estudar no então – Ginásio Industrial Cel. Cornélio Soares e é lá que tem o primeiro contato “indireto” com a arte de representar (teatro). “Digo indireto porque eu nunca havia visto algo do gênero. Foi uma coisa inexplicável assistir aquele drama, como se falava naqueles tempos. É bom lembrar que os dramas foram muitas vezes apresentados em nossa cidade e na zona rural, mais dada as condições da minha família nunca tive a possibilidade de assistir essas “coisas” como se diziam”. Relata Barros com olhar saudoso.
Sua reação foi de completo deslumbramento e acabou por colocar na cabeça que um dia eu ia fazer esse tipo de atividade. Em 1968, sai de Serra Talhada com 20 anos de idade e foi morar com uma tia em São Paulo. Lá, como todo nordestino, enfrentou inúmeras dificuldades até de certa forma me fixar e acostumar com a vida na cidade grande; “posso afirmar que naquela época, o clima paulistano era muito pesado do ponto de vista político. Estávamos em plena ditadura militar, cujo slogan era “Ame ou deixe-o”. Fui trabalhar no Citibank, uma organização americana e internacionalmente conhecida no mundo financeiro”. Comenta e acrescenta: “Lá, posso afirmar que pude ter uma vida culturalmente intensa e aproveitar tudo de bom que o banco oferecia aos seus funcionários. O lado bom era que mesmo com as limitações decorrentes daquele momento político havia a possibilidade de estarmos em exposições de artes, recitais poéticos, musicais e enfim participar da vida cultural da capital paulista”. Afirma Modesto. Ali viveu momentos espetaculares que serviram para depurar seus conhecimentos pela na arte e na cultura em definitivo.
Ele segue relembrando sua história, “em 1976, certa manhã de um sábado eu ligo, a TV, casualmente, sintonizei na Gazeta, a qual pertence a Fundação Casper Libero, e, estava sendo entrevistada a atriz Berta Zemel. E ela falava que na próxima semana iniciava-se mais uma edição do seu curso de formação teatral na Casa de Cultura de Israel”. Essa foi a senha para que ele pudesse finalmente iniciar sua carreira na arte da representação. Na segunda-feira, quando terminou o expediente no banco saiu às pressas para fazer a inscrição no curso da conhecida atriz Berta Zemel.
“Lá, tomei minhas primeiras lições de ator. No curso de Berta e seu esposo Wolney de Assis, fiquei de 1976 até 1978. Sendo que em 1977, fui (paralelamente) fazer a Escola Macunaíma de Teatro, cuja direção era naquela época do grande ator Sylvio Zilber”. Recorda. E segue... “Considero que as duas escolas foram de vital importância na criação da minha consciência artística e levo-as para sempre em minha vida. O que lamento é não ter tido condições de seguir a minha carreira com regularidade, como mencionei acima, a minha vida tem sempre esses altos e baixos, que é comum na existência humana.”
Modesto fez a peça de conclusão do Curso em São Paulo em 1977 e de lá, para cá, lamenta ter atuado pouco no teatro, mas, o que faz considera importante para o seu engrandecimento artístico e dessa maneira têm contribuído com nossa cultura e vê isso como sendo sua missão. Em 1988 volto para Serra Talhada. E em 1989, no dia 01 de janeiro, funda, juntamente com: Maria das Neves (sua prima), Edinaldo Cordeiro, Neide Cordeiro, Elizabeth Rodrigues e mais outros companheiros residentes no Bairro Bom Jesus o Centro Dramático Pajeú de Serra Talhada–PE, atualmente Ponto de Cultura e que acaba de completar 28 anos de atividades ininterruptas no município.
A peça de estreia foi - B... Em Cadeira de Rodas que foi remontada por ele 1999; “não posso desassociar o Centro Dramático da minha vida, cuja dedicação é inconteste, procuro conciliar outra área de atuação que é a causa da criança e do adolescente. Por isso, tanto na cultura, quanto na área da infância procuro dá o melhor da minha vida”. Pontua o nosso entrevistado e continua... “Sou grato a todos os meus familiares e amigos que sempre me deram o maior apoio. Não teria sentido viver, após a descoberta, ainda no drama que presenciei na Escola Cornélio Soares, sem os incentivos e apoios recebidos das pessoas”.

Além da peça citada, nesses 40 anos de trajetória ele participou, dirigiu e atuou em – O Circo Rataplan - 1992;Enfim só, Solidão: a comédia! - 2005; O Rapto das Cebolinhas – 2005;Réquiem – 2007; recitais poéticos e incentivou alguns espetáculos montados por este que vos escreve; além de criar e manter o Cine Clube Pajeú e ações formativas no Ponto de Cultura CDPST. “Viver de arte é complicado, mais eu tenho a honra de afirmar que vivo – profissionalmente – de tudo que dela aprendi. São 40 anos de muita perseverança, renuncia e acima de tudo vontade e amor. Hoje, faço parte com muita honra do movimento cultural e artístico do meu município e do nosso estado de Pernambuco, ocupando o Conselho de Politica Cultural, de Pernambuco e também de Serra Talhada”.

2 comentários:

Flávia Cristiane disse...

Grande Modesto. Vida longa!

Anônimo disse...

Pessoa fantástica! Transmite mansidão, boas energias e incentivo para quem está começando no mundo da arte. É um grande artista que merece nossos aplausos e respeito. Desejo-lhe saúde, vida longa e muito sucesso!