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segunda-feira, 3 de abril de 2017

SERÁ QUE PRECISAMOS DE TEATRO?

Esta é a questão que milhares de profissionais decepcionados com o teatro, e que milhões de outras pessoas que estão cansados dele, perguntam a si próprios.
Para que é que precisamos dele?
Nos anos em que a cena é tão insignificante quando comparada com os bairros das cidades e capitais do mundo, onde estão em cena as autênticas tragédias da vida real.
O que o teatro é capaz de nos dizer?
Tudo!
O Teatro pode dizer-nos tudo.
Como os deuses habitam nos céus, como os prisioneiros definham em caves subterrâneas esquecidos, como as paixões nos podem elevar, como o amor nos pode abater, como a mentira reina e como as pessoas vivem em apartamentos, enquanto crianças murcham em campos de refugiados, como todos eles terão que voltar ao deserto e como, dia após dia, somos forçados a nos separar dos nossos entes queridos, - o teatro pode dizer-nos tudo.
O teatro tem sido, e mantem-se eterno.
E agora, nestes últimos cinquenta ou setenta anos, é particularmente necessário. Porque se observamos como está a arte popular, vemos imediatamente aquilo que apenas o teatro nos dar - uma palavra de boca a boca, um olhar de olho a olho, um gesto de mão a mão e de corpo a corpo.

E nós precisamos de teatro que permanece sempre diferente, nós precisamos de teatro de diferentes gêneros.
Mesmo assim, penso que de todas as possíveis formas e contornos do teatro, são as suas formas mais arcaicas que terão atualmente uma maior procura. A cultura secular está cada vez mais mutilada, a chamada “cultura informativa” gradualmente substitui e faz desaparecer entidades simples, bem como a nossa esperança de encontrá-las um dia.

Mas eu agora o vejo claramente: o teatro está a escancarar as suas portas. Admissão livre para todos.
Para o inferno com os aparelhos e computadores – vamos simplesmente ao teatro, para ouvir o mundo e ver as imagens vivas! – é o teatro na vossa frente, não o negligenciem e não percam a chance de participar dele – talvez seja a oportunidade mais preciosa que partilhamos nas nossas vidas apressadas e egocêntricas.
Precisamos de todos os gêneros de teatro.
Existe apenas um teatro que seguramente não é necessário para ninguém – refiro-me ao teatro do jogo político, o teatro das “armadilhas”, o teatro dos políticos, o fútil teatro da política. O que nós seguramente não precisamos é do teatro do terror diário – quer seja individual ou coletivo, o que nós não precisamos é do teatro dos corpos e do sangue nas ruas e praças, nas capitais e nas províncias, o teatro falso das batalhas entre religiões e grupos étnicos…

Caros leitores, tomei como base para inicio dessa matéria o texto de Anatoli Vassiliev, ator e diretor Russo que o escreveu na mensagem do dia teatro em 2016. Agora passo a falar do importante ato acontecido em 16 de fevereiro em nossa cidade com a assinatura da ordem de serviço do Teatro Municipal de Serra Talhada, que para nós artistas se torna grande feito e enche de contentamento.

A obra será construída na Avenida Adriano Duque (Anel Viário), próximo ao Museu do Cangaço, e terá 328,92 metros quadrados, com hall de entrada, palco, camarim e banheiros. Serão investidos na obra R$ 278.429,99, sendo R$ 28.429,99 de contrapartida do município. “Essa conquista, que por vezes parecia que não ia acontecer, deve ser muito comemorada. Não apenas pelo valor físico da obra, mas, fundamentalmente, pelo papel social que representa para a nossa cidade e artistas da nossa terra. E para valorizar ainda mais a nossa arte e os filhos de Serra Talhada que elevam o nome da cidade a partir da cultura, o Teatro Municipal será batizado com o nome do grande artista serra-talhadense, Arnaud Rodrigues, que brilhou nos palcos Brasil a fora”, declarou o prefeito Luciano Duque.
Apresentaram-se na oportunidade o grupo de capoeira do Bom Jesus, Fundação Cultural Afro-brasileira Nego Capoeira, o Grupo Resistência das Ruas, o grupo de dança Sertão Frevo, o poeta e ator Karl Marx e o Grupo teatral Centro Dramático do Pajeú. Se fizeram presentes a Presidente da Fundação Cultural Cabras de Lampião Cleonice Maria, o presidente da Associação de Realizadores de Teatro de Pernambuco, Feliciano Felix, o Cantor Assisão, e atores como Modesto de Barros, Dorotea Nogueira, Dany Feitosa, Gorete Lima, este que vos escreve estiveram presentes e se emocionaram juntos com o presidente da Fundação Cultural Serra Talhada Anildoma, que fez um resgaste histórico do movimento teatral da cidade, mostrando que precisamos sim de TEATRO.


Um comentário:

Sonhadora Solitária disse...

Arrasou. Não vejo a hora do Teatro Municipal Arnaud Rodrigues ficar pronto. 😍