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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

TIAGO GOMES: um menino com uma história trágica que busca no hip hop, no rep, no ser ator/palhaço uma vida menos dispendiosa


Tiago Cristiano Gomes, nasceu em Juazeiro-BA aos 2 anos foi para São Paulo. “Tenho como recordação minha mãe falando que arrancou um pedaço da orelha de meu pai (até hoje não sei o nome dele) com os dentes, pois na separação ele queria me cortar pela metade”. Relata. O menino foi crescendo numa favela na zona sul da capital paulista (Divinea, que hoje não existe mais); “aos 5 anos em um dia de chuva eu ia a uma venda, era estreito o caminho, o córrego estava em nível elevado, uma dona esbarrou em mim, eu caí e a água me arrastou rápido, tive calma, veio no pensamento pra que eu afundasse, contei até 3... Quando subi estava perto de umas moitas de capim, me agarrei e faltando pouco pra chegar no acero a tal dona apareceu, estendeu a mão e eu sobrevivi. Relembra ele com ar triste.
Tiago foi crescendo largado, pois a mãe tinha que trabalhar, eram 5 morando no barraco; a irmã mais velha, o levava pra guardar carros em um bairro nobre, Moema, em 1994 aos 7 anos em uma dessas idas ele sofreu um atropelamento, se levantou e saiu xingando o motorista, até que um passante o levou ao hospital, que era particular mais o atenderam. “Quando saímos de lá Andreia (irmã) e eu já planejava o que dizer pra mãe... Falamos que caí e bati o queixo em uma pedra”. Conta.
Seu cunhado sempre curtiu samba, ele às vezes o levava em bares onde era feito ao vivo, ou junto a fogueiras nas noites frias ele ficava por ali, ora tocando reco-reco, ora repique, ou tantan. “A favela foi retirada, pouco antes mudamos para outro lugar, distante do centro, na região do Grajau”. Comenta e acrescenta: “sempre gostei de músicas, elas me levam a um espaço particular, onde só entramos porque o compositor permite; luzes e palco me atraem, ainda na favela eu fui vê cover de Michael Jackson (parece clichê), eu queria dançar, cantar, tocar”.
Com alguns colegas passou a ouvir musicas de uma coletânea - CD Dinamite escutava Espaço Rap, um dia na porta de um colega inventaram de compor um rap ele começou a escrever e colocar ritmo na letra. “Fui ao centro de São Paulo com Andreia, certa vez passando pela Rua São Bento ela falou: você quer vê os caras dançando Hip Hop eles rodam no chão, pulam e tal... Fiquei curioso mais pra minha decepção não tinha ninguém lá nesse dia”.
Um amigo de infância, o falou que no bairro Auri Verde estava ensinando Dançar Break ele começou a frequentar, aprendeu os passos... “Aí Edson, Fábio, Ricardo e outros formamos o Crews Break’s in War meu primeiro grupo de danças. Mais pra frente eu dancei outros estilos, tipo axé, pratiquei um pouco de Capoeira no Ilé Alaketuaxé Ibualamo fiz e aprendi muitas coisas lá, até que começou um projeto que gerou a banda Oluwa tocávamos samba reggae, começamos com latas de tinta, as baquetas eram feitas de cabo de vassouras, tampa de veja, espuma de colchão e panos, depois chegaram instrumentos: caixas, bumbo, viraram realidades em 2002, saímos pelas ruas, na frente e o povo acompanhando, comemorando o penta. Fizermos muitas apresentações no Memorial da América Latina, Teatro Municipal de Diadema... Nossa uma vez com os batuques caiu um refletor do teatro”. Relembra.
Foram convidados pra tocar no comício da prefeita Marta Suplicy, casas noturnas; fizeram uma matéria pra Rede TV. Aí o instrutor começou a trabalhar, ficou sem tempo para o grupo. “Ele dizia que eu tinha talento e pediu pra aprender algumas músicas, assim o fiz apesar de tocar surdo, ele disse que eu poderia tocar qualquer outro instrumento do nosso estilo, alguns camaradas sentira-se menores por isso”. A banda acabou ele ficou sem saber o que fazer voltou a treinar Break na escola vizinha a sua casa; “os manos começaram um novo grupo o qual não fui convidado a fazer parte”. Pontua.
Em 2006 ele visitou Serra Talhada pela primeira vez, passou somente uma semana. “Encontrei uma garota e perguntei se alguém em Serra dançava break, ela disse que sim, mais não pude vê-los retornei para São Paulo”. Lá seguiu treinando na Escola. Nasceu seu primogênito (ele têm 3 filhos); “muita pressão sobre mim, achei que no tráfico poderia solucionar meus problemas financeiros ainda bem que percebi cedo que não era aquilo pra mim; na mesma escola que treinava começou uma reforma pedir emprego e conseguir, o relacionamento não ia bem e acabou”.
Fragilizado procurou uma Igreja evangélica e logo de cara o Hip Hop se fez útil. “Numa gincana fizemos um coral cantamos uma música do Irmão Lazaro o playback, depois continuamos a mesma musica com uma base de rap no culto de domingo às 7 da manhã o templo todo de pé a cara do pastor foi demais – impressionado”. Ele se afastou da igreja por ter voltado o relacionamento conturbado que não durou muito.
Em 2012 passou um tempo na zona leste de SP (cidade Tiradentes); "era mês de junho, teve um evento próximo ao terminal, uma galera fazia uma coreografia muito sincronizada, depois teve uma roda livre - minhas pernas tremiam, acabei entrando e foi bom demais, chamei atenção da galera, teve uns dois dançarinos que entenderam como uma batalha. Depois viramos colegas, passei a treinar no CJ180, o Primo break era o responsável pelo hip hop lá". 
São Paulo já não o fazia bem... “Me sentia vazio, voltei ao antigo bairro”. Certo dia de manhã decidiu vim para Serra Talhada, com uma mochila nas costas ele botou o pé na estrada em novembro 2012. “Minhas intenções iniciais era trabalhar no que fosse necessário, minha primeira atividade aqui foi fazer um piso em Triunfo (logo em triunfo) Nelson (tido como o cara que trouxe o Hip Hop ao Brasil) Nasceu na terra dos Caretas”.
Ano seguinte fez matricula na Escola Solidônio Leite, não demorou e estava dançando de novo... “Só por gostar, mas chamando muito atenção, as pessoas acreditavam mais que eu mesmo no meu talento para dança”. A falta de dinheiro o fez querer ir embora para Petrolina em abril mês de seu aniversário. “Estive lá na casa de minha Avó, fui a uma escola procurar vaga, voltei, fui pegar a transferência escolar. Eu precisava pensar, já era conhecido da galera do Break do Bom Jesus que dançavam muito; me sentia livre na dança; findou que justo naquele dia o pessoal se preparava para algumas apresentações na Caravana Cultura Viva, Clovis liderava a galera. Fui convidado a participar fiquei feliz, até esqueci que queria me mudar; fizemos 3 apresentações, a última não aconteceu...Os motivos eu não sei. Relata.
Nesse mesmo ano aconteceu a Conferencia Municipal de Cultura ele participou. “Algumas pessoas me pediram voto, fiquei curioso sobre aquilo mesmo sem saber muito sobre o município, no fim acabei sendo o terceiro mais votado e fui para Conferencia Estadual, ali começava todo processo de descobertas, pessoas como o Domá e sua esposa Cleonice tem grande importância nessa nova fase”.
Um dia saindo da escola o seu telefone toca: “era do SESC Triunfo perguntei quem passou o número e ela disse foi Cleonice, queria uma apresentação falei com a turma do alto com muita dificuldade conseguimos nos organizar e fomos a na Festa da Rapadura deu tudo certo abril novas portas”. fizeram apresentações em Triunfo, em 2014 passou a ministrar aulas de Hip Hop na Escola Solidônio Leite. “Alguns integrantes do grupo não se sentiram confortáveis com tudo que estava acontecendo comigo, se afastaram, eu não daria conta das apresentações de dança sozinho, começo a escrever rap a primeira vez que cantei um deles foi em Afogados da Ingazeira.
A Fundação Cultural Cabras de Lampião ajudou em uma viagem do artista ao Recife ainda em 2015 para participar do UFC da Rima batalha de MCS. Em setembro se apresentaram no Polo Cultural da Festa da Padroeira. “Léo, Mateus, Vitor e eu. Já estava difícil pra mim na Capital do Xaxado dançar Break e cantar Rap (tinha freiras na primeira fila do público me sentir amedrontado, mais no fim deu certo, até as pessoas das barracas aplaudiram, foi bacana viver esse momento, no Recife foi a mesma coisa depois da batalha cantei o rap os que se viraram aplaudiram”.

Foi convidado por Domá a participar do Espetáculo O Massacre de Angico em 2015 e 2016, recentemente participou do filme Lampião e o Fogo da Serra Grande, fez um curso de Palhaçaria com a Cia 2 em Cena de Teatro, Circo e Dança. 

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