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quarta-feira, 28 de março de 2018

ARTISTA FAZ MEMÓRIA AOS CEM ANOS DA PRIMEIRA REPRESENTAÇÃO TEATRAL EM SERRA TALHADA – 1918-2018


Serra Talhada, terra do lendário Virgolino Ferreira da Silva – Lampião, fica a 420 km do Recife, a capital pernambucana, situada na macro-região - Sertão do Pajeú (árvore típica da caatinga), que dá nome também ao rio que corta os 17 municípios que compõem essa parte do Estado brasileiro tido como Leão do Norte.
Em 1851 é emancipada (já havia perdido o nome de Fazenda da Serra Talhada há algum tempo, sendo chamada de povoado, ao emancipa-se, passa a ser chamada de Villa Bella), pertencente à Comarca de Flores que perde para ela esse título. A cidade recém-criada assume a comarca, já àquela época se mostrando uma localidade em constante ascensão.
Serra Talhada - recebeu de volta seu nome de origem em 1939. É também, polo educacional e em saúde, culturalmente é conhecida como “A Capital do Xaxado” (dança típica nordestina que foi muito difundida pelos cangaceiros do bando de Lampião, filho desta terra).
O município é repleto de talentos artísticos em diversas áreas, com destaque para a música (Zé Marcolino, parceiro de Luiz Gonzaga, Moacir Santos; Seu Edésio, Assisão, Rui Grude, Rai de Serra, Luizinho de Serra e tantos outros) e na literatura (Solidônio Leite; Luiz Lorena; Antônio Neto; José Alves Sobrinho, Anildomá Willans, dentre muitos outros), o Teatro, também se faz presente na vida dos munícipes, com dados por mim pesquisados de duas montagens teatrais em 1918.
Enquanto, ator, escritor e diretor teatral tornei-me conhecido na região por meu trabalho com esta arte milenar, assim sendo, sigo fazendo um trabalho de pesquisa e resgate da história dessa manifestação artística tão antiga aqui no município.
Consta em meus registros que o surgimento do Teatro em nossa Serra Talhada se deu no ano de 1918 pelas mãos do então Maestro da Filarmônica Vila-belense (fundada em 1905 para animar os festejos alusivos à padroeira Nossa Senhora da Penha e que está em atividade até hoje), Sr. Luiz Gomes de Sá com as apresentações naquele ano de dois dramas: “Erro Judiciário” de autoria do Major Claudino dos Lagos e “A  Louca do Jardim” do dramaturgo brasileiro Pedro Bloch; os personagens foram interpretados pelos próprios músicos.
Assim sendo, lá se vão 100 anos completos que esse fato se fez, pela audácia e coragem desse nobre Maestro, mostrando que a música e o teatro, assim como a dança e a literatura, estão intimamente ligados. Vale lembrar esse fato e dizer da efervescência vivida nos anos de 1970, quando tivemos seis grupos fazendo teatro e revelando a existência de grandes artistas cênicos em nosso meio.
Hoje a cidade segue sua trilha teatral com os grupos Centro Dramático Pajeú - CDP, que festeja seus 29 anos de atuação ininterrupta, a Equipe Teatral de Serra Talhada – ETEAST e de artistas que fazem essa arte acontecer de maneira pulsante em nosso município, que teve outro apogeu nos anos de 1990.
Fazer memória desse legado enquanto artista cênico é dizer da paixão que sinto pela arte e da vontade de mantê-la de geração a geração contando histórias através da cena teatral que nos transforma de maneira lúdica e única. O teatro é algo visceral e extremamente humano, presente na Capital do Xaxado a cem anos e que perdure sempre e sempre. Evoé!

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